segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

JP Simões - 1970


8/10
NorteSul
2007
www.jpsimoes.com



Para trás ficam as memórias que o aconchegam no património dos Belle Chase Hotel e, mais recentemente, do Quinteto Tati, colectivos que empurrou para os píncaros da música lusa. Agora a solo, JP Simões procura outro conforto: o retorno às fundações da sua adolescência, vivida no Brasil, e rendida a mestre Buarque de Hollanda. 1970 é o travessão que une pautas e harmonias do país irmão, além Atlântico, ao canto em português autóctone. E quem melhor do que JP Simões, poeta vago e confesso admirador da geração setentista da música brasileira, para decorar essa confluência de âncoras bem brasileiras (sambas e bossas), com alentos portugueses. Já lhe chamaram luso-sambismo, num rótulo talvez redutor da fartura de um tomo de canções tão simples quanto sublimes, servidas por textos-retrato de uma geração desencantada (a de 70, ano de nascimento de JP Simões). É esse mesmo despojo a referência contextual (suportada em arranjos de excelência) que faz de 1970 um disco de canções elegantes. E onde até cabe uma revisão para "Inquietação" de José Mário Branco. Com a marca instantânea da brasilidade, este trabalho é, isso sim, um dos mais felizes acasos da lusofonia. Que belo ilusionismo de JP Simões, o de nos fazer crer que Chico podia ter nascido em Coimbra. Ou que o clássico Rio de Janeiro também podia ter raízes nas ribas do Mondego. Como a história seria outra, se o calendário contasse este 1970...

1 comentário:

Mónica disse...

hmmm ainda hei-de ter um autografo a sério!