quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Bonobo - Days to Come

6/10
Ninja Tune
2006
www.bonobomusic.com



Ele despontou para o mediatismo em plena era de afirmação das sonoridades chill out e, desde a edição de Animal Magic (2001) tem estado na berra do pelotão nu jazz. Embora hoje se tenha esbatido um pouco a relevância de um género musical que, consumida a auréola da novidade, poucos abalos tem trazido à cena discográfica além da moda de animar ambientes de bar, Simon Green é um dos escassos exemplos de inventores desta estirpe de som que ainda conseguem produtos válidos. Days to Come é um disco leve, guarnecido com sabores jazzy de várias origens e beats pouco agitadas, coisa comum ao catálogo Ninja Tune; é notório que, ao terceiro trabalho, Green juntou mais voz à sua matriz (as entoações soul de Bajka são uma ajuda preciosa) e isso reforça os predicados estruturais das composições. A despeito disso e do equilíbrio da soma final, Days to Come raramente se acerca da transcendência e, talvez injustamente para Green, as suas debilidades são as mesmas que decorrem do desgaste de uma sonoridade que é mais útil a ambientar espaços insonoros (nisso, sai-se a contento) do que a espicaçar melómanos sequiosos de novos estímulos.

2 comentários:

membio disse...

eu adorei este album, não é por nada que o coloquei em primeiro lugar, nas listas de fim de ano, estou a ver que a tua opinião é bem diferente, são gostos. Apesar de achares que não oferece nada de novo no género, acho que a reciclagem que bonobo atinge neste album é exímia, boa construcção de temas e um album extremamente equilibrado, já há muito tempo que não ouvia nada mesmo bom dentro do género de jazzy chill out...

A.C. disse...

Concordo com o que dizes sobre o equilíbrio do disco e mesmo sobre a construção dos temas. Também assino por baixo da indicação de que é um dos melhores trabalhos neste tipo de som. Mas, independentemente disso, não me convence por completo porque não foge muito dos padrões habituais do género. E, na minha opinião, esta família de sons já está um bocadinho gasta. Mas não deixa de ser uma escuta interessante.

Abraço