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sexta-feira, 6 de junho de 2014
7 Pecados Rurais
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
A Gaiola Dourada
Ao fazer da emigração portuguesa a matéria principal da sua primeira longa-metragem, o realizador Ruben Alves fez um sincero exercício de introspecção, ou não fosse ele próprio descendente de portugueses radicado em Paris e, portanto, profundo conhecedor de uma realidade que, embora conheça agora um fôlego diferente, teve, sobretudo nos anos oitenta, uma expressão social muito significativa. A trama deste A Gaiola Dourada assenta num núcleo familiar que, como qualquer outro da época, arrastava consigo uma panóplia simbológica típica dos portugueses (o fado, o futebol, o bacalhau) e que veio a favorecer, ano após ano, a construção de estereótipos nem sempre positivos. É também desses preconceitos e das complexidades suburbanas da comunidade lusa que versa o filme, com o olhar imparcial (e necessariamente mais distante) de alguém que, sendo descendente da falange emigrante, soube interpretar as peculiaridades do esforço de integração e - numa das notas mais interessantes do filme - perceber que grande parte da imagem estereotipada foi fomentada por uma certa autoproscrição (inconsciente) da própria comunidade portuguesa, muito fechada em si mesma e apegada às suas crenças, valores e comportamentos. Ruben Alves capta habilmente essa dimensão e fá-lo sem indulgências, apenas insinuando uma curiosa conclusão sociológica, pouco comum numa comédia de costumes: a integração do emigrante português é sempre incompleta. Além disso, a fita promove uma homenagem à perseverança daqueles que partiram de Portugal em busca de conforto material e que, para isso, se sujeitaram a ofícios duros e ao desdém - também ele pousado nos estereótipos - dos privilegiados autóctones que vieram a servir.
Com um bom punhado de representações (Rita Blanco está cada vez mais majestosa), um guião competente e uma interessante cenografia, A Gaiola Dourada é um filme leve, equilibrado e marcado por um humor subtil, com pontes mais ou menos manifestas com a tradição da comédia francesa e os "antigos" clássicos portugueses e sem concessões à caricatura do lugar-comum.
Com um bom punhado de representações (Rita Blanco está cada vez mais majestosa), um guião competente e uma interessante cenografia, A Gaiola Dourada é um filme leve, equilibrado e marcado por um humor subtil, com pontes mais ou menos manifestas com a tradição da comédia francesa e os "antigos" clássicos portugueses e sem concessões à caricatura do lugar-comum.
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Filmes - Edições 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
WWZ - Guerra Mundial
2013
O recurso ao mito dos zombies como matéria-prima para produtos cinematográficos perde-se no tempo, tal é a miríade de ofertas do género, em diversos formatos e com diferentes prismas, a ponto de pouco espaço sobrar para ideias frescas. Nestas circunstâncias, e aproveitando o embalo mediático do fenómeno televisivo The Walking Dead, surgiu este World War Z que, mesmo antes de chegar às salas, já estava envolto numa trama de polémicas que, alegadamente, chegaram a ameaçar a exibição de uma fita de orçamento gigantesco e sob a pressão resultadista dos estúdios que, inclusivamente, terão levado à substituição de guionistas, à troca do final do filme e a divergências entre Brad Pitt e o realizador Marc Forster. E se as perturbações pré-estreia da fita acabaram por servir-lhe como promoção desmesurada, também animaram uma onda de cepticismo sobre o que viria a ser o produto final, tão notoriamente inquinado pelas ingerências das corporações da indústria do cinema. Num contexto assim, percebe-se que dificilmente este WWZ escaparia a concessões comerciais que viriam a sulcar disparidades entre o resultado final e a visão original de Marc Forster. De resto, tendo na memória o compromisso artístico que marcou uma fase da carreira do realizador germânico - que tem no currículo títulos importantes como Monster's Ball, Finding Neverland ou Stranger than Fiction - fica mais evidente uma deriva mercantilista nos anos mais recentes (007: Quantum of Solace e Machine Gun Preacher) que conhece o auge neste World War Z. E a guinada não parece auspiciosa.
Enquanto artefacto cinematográfico, World War Z é essencialmente um produto visual, como é comum nos blockbusters, em que a narrativa assenta mais na cenografia do que no argumento (distante da obra literária que o inspirou). Além disso, a estafadíssima concentração da história na figura de um deus ex machina, incontornável em qualquer longa-metragem de super-heróis, sublinha as redundâncias de vulgaridade que povoam o filme. O desempenho competente de Brad Pitt não é suficiente para disfarçar a quase absoluta inocuidade de uma cadeia de personagens que se sucedem como meros acessórios. A solidez da narrativa sai diminuída de uma ligeireza dramática que não encontra o imprescindível suporte de personagens bem definidas nem de uma contextualização geográfica mais limitada. Ao situar-se num âmbito mundial súbito, o filme aproxima-se mais de uma aventura apocalíptica de grande dimensão (ao estilo 2012) do que da claustrofóbica constrição das mais felizes películas de zombies (vide 28 Days Later, de Danny Boyle). Com semelhante vagueza conceptual, não chega a perceber-se que filme é este World War Z, nem sequer o que pretendia ser e o que fica são os sobressaltos visuais de bom efeito e pouco mais. O que é o mesmo que dizer que este é apenas mais um filme de zombies.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Oblivion
É curiosa a fobia maníaco-depressiva com que a espécie humana olha para si mesma e se põe a adivinhar o futuro. De um lado, mora o temor de uma inevitável ruína, ora às mãos de feridas auto-infligidas, ora sob o jugo de qualquer fantasmática invasão alienígena; do outro lado, a crença infinita num instinto de sobrevivência que há-de remir tudo, como se a existência universal só fosse possível com mão humana. Essa obsessão antropocêntrica é, com nuances diferentes, o pano de fundo de qualquer teorização cinematográfica do domínio da ficção científica e, não raras vezes, o enquadramento perfeito para consagrar esse deus ex machina reside em cenários de negritude apocalíptica. Assim acontece neste Oblivion, segunda película de Joseph Kosinski, o mesmo que deu uma segunda vida a Tron.
Não é nova a premissa de o planeta vir a ser exaurido dos recursos naturais. Se quisermos, ela reflecte os medos antigos da insustentabilidade, o receio generalizado de que, num momento algures no futuro, o Homem há-de de perceber que gastou o planeta até o extinguir ou, e em tese mais fantasiosa, alguma outra espécie há-de interessar-se pelas possibilidades energéticas da Terra.
Jack Harper (Tom Cruise), mecânico de drones, vive entre a asfixia de memórias mal apagadas - que o levam a questionar-se recorrentemente sobre si mesmo - e a consciência de uma missão para cumprir: ajudar a "exportar" os recursos do planeta Terra, condenado após uma alegada guerra com uma espécie invasora, para Titã, o satélite que alberga os sobreviventes. Mas ele está mais ligado ao planeta do que julga saber e nem a plácida (e enigmática) presença da companheira de missão Victoria (Andrea Riseborough), o vai desviar da obstinada demanda pela verdade.
É indiscutivelmente funcional a cenografia de Kosinski, sobretudo quando invoca a sumptuosidade da ruína, exibindo-a sem deixar que se torne o centro da narrativa. Esse desvio do exagero marca pontos, sem dúvida, mas não ilude a sensação de que se podia ter ido mais longe na expressão dramática das personagens, na exploração da dimensão humana tão cara à própria história de Oblivion. Na segunda metade do filme, quando se desatam os nós da trama, a vaguidade das personages faz-se sentir e a aderência do espectador perde-se. Depois, os problemas de guião adensam-se: o elemento de suspense, habilmente conduzido até certo ponto, é desbaratado numa marcha rápida de revelações que parecem atropelar-se. E sobra uma impressão de desarmonia, de primazia pela imagem em detrimento da história, de alguma insipidez conceptual. Afastado como produto final do que seria o protótipo mental de Kosinski, restarão a Oblivion os indefectíveis de ficção científica para encontrarem nele matéria verdadeiramente sedutora.
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