sexta-feira, 29 de julho de 2005

Sol Nascente

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Paul Klee, Rising Sun, 1919

Matthew Herbert - Plat du Jour

Apreciação final: 7/10
Edição: Accidental, Junho 2005
Género: Electrónica Vanguardista
Sítio Oficial: www.platdujour.co.uk








O experimentalista Matthew Herbert aprecia a diluição de fronteiras entre os diversos géneros de música electrónica e fá-lo assumindo recorrentemente a militância a receitas vanguardistas. Assim, combinando os princípios básicos da electro com a versatilidade do sampling e a originalidade do recurso a sons do quotidiano, Herbert desenha harmonias sonoras desafiadoras de qualquer tipificação. Regressado ao preceito electrónico que não existia no jazzístico Goodbye Swingtime (2003), Herbert sugere uma viagem musicada aos meandros menos claros da indústria alimentar moderna e, através de Plat du Jour, o músico deixa-nos um manifesto poético de aversão aos ardis do fast-food. Para contextualizar o tema com a música, Herbert lança mão de sons relacionados e/ou produzidos por alimentos, panelas e tachos, batedeiras e outros electrodomésticos de cozinha, conferindo ao disco um ambiente raro e original, por vezes trazendo à memória a marca pomposa dos Stomp. Apesar da peculiaridade mecânica das texturas, as composições revelam uma certa profundidade melódica que, se não é percebida nos primeiros contactos pelos ouvidos menos treinados, se mostrará com audições sucessivas.

Plat du Jour é um ensaio idealista de Herbert cujas motivações se arrolam no imperdível sítio oficial de suporte do disco (www.platdujour.co.uk), onde também se descrevem com minúcia as peripécias por detrás de cada uma das gravações e as origens detalhadas dos sons utilizados. Dois anos de pesquisa e seis meses de gravações estão compilados em Plat du Jour, um título maioritariamente instrumental (apenas "Celebrity" conta com a voz de Dani Siciliano), irreverente, político, crítico e, acima de tudo isso, categoricamente inventivo. A não perder. Herbert pode não ser mestre-cuco mas conhece a receita para urdir um álbum que seja, simultaneamente, um devaneio artístico, uma declaração de censura e uma experiência musical única. Plat du Jour é esse disco.


Procure na grafonola os temas "The Truncated Life of a Modern Industrialized Chicken" e "Nigella, George, Tony and Me"

quarta-feira, 27 de julho de 2005

O antipapa

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Max Ernst, The Antipope, 1941-42


O Antipapa é um reclamante ilegítimo do Sumo Pontifício da Santa Sé. Registos históricos apontam mais de três dezenas de personalidades que exerceram ilegalmente funções pontificais, sem investidura canónica, geralmente em oposição ao Papa legítimo ou aproveitando ocasiões em que o título estava vago.

4 rapidinhas


Nine Inch Nails - With Teeth (6/10)
Trent Reznor é o protagonista maior dos Nine Inch Nails - cada vez mais uma one man band - um dos mais bem sucedidos projectos da cena industrial. A mistura equilibrada da electrónica assombrada com as furiosas distorções de guitarra continua a ser o preceito essencial neste novo trabalho, não há em With Teeth ingredientes novos. Ainda assim, trata-se de um registo consistente, talvez um pouco formulista (tipicamente NIN...) mas que garante a Reznor a permanência no pelotão da frente deste género de sonoridade.
(I Nothing, Maio 2005)

Procure na grafonola os temas "The Hand That Feeds" e "Sunspots"





Toranja - Segundo (6/10)
Depois do álbum Esquissos (2004) ter colocado esta banda no mapa da música pop nacional, o segundo trabalho dos Toranja assume uma postura declaradamente mais rock - as inevitáveis baladas não deixam de figurar no alinhamento - mas também sobejamente contida e incapaz de dotar a sonoridade do grupo de elementos menos triviais. Disco de contrastes, Segundo traz uma ou outra faixa bem conseguida mas não escapa à mediania dos seus próprios limites, ainda que deixe pistas para Tiago Bettencourt e seus pares seguirem em trabalhos vindouros.
(Universal, Maio 2005)

Procure na grafonola o tema "Música de Filme"





Summer at Shatter Creek - All the Answers (5/10)
Projecto indie pop de Craig Gurwich que sublinha um tom depressivo, introspectivo e melancólico, com a gentil intimidade de um registo maioritariamente acústico e de uma voz delicada (a lembrar Thom Yorke?). O problema: All the Answers resvala para a monotonia por força da paridade entre as composições.
(Bad.Man, Março 2005)

Procure na grafonola o tema "You Don't Have To Be Perfect"





Black Eyed Peas - Monkey Business (4/10)
A visão folgazã e descomprometida do hip-hop que os Black Eyed Peas propõem sonda diversas influências e tenta aglutiná-las pelo recurso a fórmulas mainstream. O resultado é, neste Monkey Business, uma confusa amálgama de géneros que, ao invés de provar a versatilidade dos músicos, atesta inequivocamente a indefinição do género musical que proclamam, em prejuízo da coesão do disco. Entre as inúmeras escorregadelas e tropeções do álbum (os convidados de luxo como James Brown, Jack Johnson, Talib Kweli ou Justin Timberlake não fazem milagres...), salva-se a diversão garantida em festas de garagem teen...
(A&M, Junho 2005)

Procure na grafonola o tema "Gone Going" (w/ Jack Johnson)

terça-feira, 26 de julho de 2005

Röyksopp - The Understanding

Apreciação final: 7/10
Edição: Astralwerks, Julho 2005
Género: Dança/Trip-Hop
Sítio Oficial: www.royksopp.com








A dupla norueguesa Röyksopp despertou o mundo musical para a sua electrónica downbeat com o extraordinário Melody A.M., chegado às lojas em 2001. Por essa altura, composições como "Eple", "Poor Leno" ou "Sparks" tornaram-se hinos da electrónica e catapultaram o grupo para o estrelato. Também por isso, quem espera encontrar em The Understanding um herdeiro símil do álbum anterior, não evitará uma impressão de surpresa. O som de Svein Berge e Torbjorn Brundtland retém a atmosfera escandinava mas deriva para orgânicas mais recheadas, onde se cruzam influências dos maneirismos da música de dança do resto da Europa e uma toada de sofisticado relaxe, simultaneamente nocturno, íntimo e sensual. O enfoque no detalhe é reiterado e junta-se-lhe um compromisso firme com a casta das composições e das vocalizações - a esse título é pouco menos do que brilhante a colaboração de Karin Dreijer (dos Knife) na faixa "What Else is There?". A tonalidade mais dançável das canções é também mais taciturna e atesta a elasticidade dos Röyksopp na expansão dos seus próprios limites (será que os têm?) que distam igualmente, em The Understanding, da música ambiental e do house. A pecha: algumas das composições soam a tiros no escuro, perdem-se na hipérbole da fórmula copy-paste das estruturas electrónicas dos sintetizadores.

The Understanding é um ponto de viragem no percurso dos Röyksopp e reorienta a ciência musical do grupo norueguês para paisagens não exploradas em Melody A.M.. Se, em alguns instantes, o novo trabalho é brilhante e reforça a prolificidade da dupla, há outros momentos em que a coesão do disco parece hipotecada à veemente tentação para abrir as melodias a preceitos radio-friendly que mais não fazem do que minorar os méritos de The Understanding. Desprezado esse pormenor (mesquinho?), o registo mais recente dos Röyksopp consegue revelar-se um tomo de canções com encantos numerosos.

Posto de escutaSombre DetuneWhat Else is There?Alpha Male
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segunda-feira, 25 de julho de 2005

Frank Black - Honeycomb

Apreciação final: 7/10
Edição: Back Porch, Julho 2005
Género: Pop-Rock Alternativo/Cantautor
Sítio Oficial: www.frankblack.net








Depois do esbarrondamento dos míticos Pixies, algures em 1993, Frank Black embarcou numa cruzada a solo. Apesar da mediática reunião ao vivo da antiga banda, o músico arranjou tempo - Honeycomb foi gravado em quatro dias em Abril de 2004 - para se recolher em Nashville (a Meca da country), na companhia dos lendários guitarristas Steve Cropper e Buddy Miller e do teclista Spooner Oldham e gravar este disco. A primeira nota que ressalta deste trabalho é o intimismo das composições, de tal jeito que o álbum é, de entre os registos da carreira de Black, o que mais se abeira do formato típico de um disco de cantautor. A invulgar exposição pessoal que o compositor arrisca neste corpo de canções é substância nova no seu percurso e surpreenderá aqueles que buscarem a encriptagem emblemática das letras da era-Pixies. Transparente, pessoal e melancólico, Honeycomb é um exercício de maturidade criativa entre a música country clássica e o R&B convencional, com um delicado gosto rock Dire Straits sublinhado pelas texturas sensatas da guitarra de Cropper.

Honeycomb é um dos melhores trabalhos de Black a solo e, mesmo apartando-se da perversidade punk dos Pixies, é um disco que seduz pela brandura das matizes sonoras e pela excelência de algumas canções, dignas de figurarem no hall of fame para este ano. Se no rasto do êxito da reunião dos Pixies seria expectável uma edição discográfica comemorativa desse facto, o que surgiu nos escaparates das discotecas foi o álbum mais não-Pixies do antigo líder da banda. Mas, afinal (e ainda bem...), Frank Black foi sempre do contra...

Posto de escutaSunday Sunny Mill Valley Groove DayI Burn TodaySelkie Bride
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Gunung Bromo

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Título: Gunung Bromo
Autor: Joel Santos
Fonte: 1000Imagens

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Heavy Trash

Apreciação final: 7/10
Edição: Yep Roc, Abril 2005
Género: Rockabilly
Sítio Oficial: www.heavytrash.net








O projecto Heavy Trash é o resultado da união musical entre o prolífico Jon Spencer, a mente principal dos agitadores Blues Explosion, e Matt Verta-Ray, o mentor dos Speedball Baby. Os intentos costumeiros do percurso desta dupla passam pela reabilitação do blues-rock, normalmente recorrendo a texturas sonicamente complexas em que se sobrepõem, com esfuziante vivacidade, os elementos instrumentais. Desta vez, porém, o propósito das composições é distinto: Heavy Trash é consideravelmente menos denso, sem corantes nem conservantes; é puro rockabilly, com guitarras despidas, graves recatados e percussões ligeiras. E muita, muita brilhantina. Mas o revivalismo não está sozinho neste disco. Spencer e Verta-Ray recordam o passado pelos vectores do presente e, por isso, há neste álbum ensejo para subtis laivos de modernismo, como os feedbacks ou os loops. O som de Heavy Trash é polido, cru, transparente e tremendamente apelativo. Pura diversão 50's.

Heavy Trash prova que o formato rockabilly não está morto e que, cinquenta anos depois, ainda é revigorante escutar as vocalizações com eco e as guitarras ondeantes. Mesmo não passando por aqui a novidade - a convocação dos The Cramps, de Gene Vincent ou dos Stones é inevitável - o entretenimento que deriva do genuíno espírito rock'n'roll das composições conquista o ouvinte desde o primeiro segundo e estimula um irreprimível impulso para dançar. A quintessência do rock passa por aqui...

Posto de escutaDark Hair'd RiderLover StreetWalking Bum
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terça-feira, 19 de julho de 2005

A fonte

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Gustave Courbet, The Source, 1868

Engineers

Apreciação final: 7/10
Edição: The Echo Label, Março 2005
Género: Indie Pop-Rock/Dream Pop
Sítio Oficial: www.engineersweb.net








Uma visita à biografia aposta no sítio oficial do quarteto londrino Engineers permite descobrir uma banda de noções precisas, em discurso directo espontâneo e que, por vezes, roça o pretensiosismo. Seguindo uma linha de rumo que esboçaram para o seu porvir, os Engineers dizem-se diferentes, arrogam-se da destreza para avocarem esse estatuto e propõem o seu registo sónico como uma combinação profunda de emoção e experimentalismo. Escutando o álbum homónimo de apresentação do projecto, há que conceder-lhes alguma razão: é notória a dimensão astral das composições, no estilo a que as convenções musicais gostam de chamar dream pop. De facto, as intrincadas texturas rock que servem de sustentáculo às canções são polidas graças a uma produção alisadora de vértices e vocalizações feéricas, em acoplamentos mestres da intemporalidade de influências veteranas como Brian Eno ou os Spiritualized e de inspirações contemporâneas como os Low, os Doves ou a brit pop. Como se tal não bastasse, a isto acresce um compromisso de redimensionar a pop a medidas quase-sinfónicas e eventualmente anacrónicas. Assim, sem temor de fincar um cunho próprio, o projecto Engineers mostra-se num disco monolítico, quente e melancólico; as promessas deste debute deixam antever uma banda com um destino risonho e que ajudará, na companhia dos compatriotas Kasabian, a mostrar que a música britânica não se fecha nos Coldplay ou nos Keane.

Engineers é um tomo de canções. Ponto final. É também um exercício de engenharia precisa e comedida (o que seria de esperar de um grupo com este nome?) e aí reside o único pormenor de deslustre: a produção tem prioridade, as mais das vezes, sobre a escrita. Percebam os Engineers esse equívoco e vençam o constrangimento auto-imposto face ao vigor catártico do rock ("One in Seven" é a única faixa que não se envergonha das distorções) e podem tornar-se um caso sério no universo indie. Aguardam-se novos capítulos deste projecto promissor.

Posto de escutaHomeNew HorizonsOne in Seven
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segunda-feira, 18 de julho de 2005

4 rapidinhas


Shipping News - Flies the Fields (6/10)
Novo trabalho de um trio comummente associado a sonoridades densas que partem de riffs pós-rock entrecortados pela presença tímida de uma voz sussurrada, em ritmos desafiantes e atmosféricos. Sem grandes brilhantismos, o álbum apresenta instantes organicamente ricos com os graves de um baixo sorumbático, guitarras angulares e percussões intensas.

Espreite a grafonola para escutar o tema "Louven"

(Quarterstick, Março 2005)





Ali Farka Touré & Toumani Diabaté - In the Heart of the Moon (8/10)
Quando se juntam a guitarra mágica de Ali Farka Touré e a kora (harpa de 21 cordas da África Ocidental) enleante de Toumani Diabaté, duas lendas vivas da música do Mali, o resultado só pode ser arrebatador. Um diálogo musical permanente entre a tradição do desert blues de Touré - ligado à culturas songrai e puel - e o elo virtuoso da cultura mandé de Diabaté. As sinergias são óbvias - o disco foi gravado em três tardes consecutivas, sem segundos takes - e confirmam o talento de dois dos maiores expoentes da pátria-mãe do blues e do jazz, (a esse propósito ver Du Mali au Mississipi, documentário assinado por Martin Scorsese), aqui reunidos numa preciosidade da música mundial.

Espreite a grafonola para escutar o tema "Kaira"

(World Circuit, Junho 2005)





Seu Jorge - Cru (7/10)
O Mané "Galinha" do filme Cidade de Deus também é desembaraçado na música e, depois da participação na colectânea Favela Chic e do lançamento do primeiro álbum Samba Esporte Fino(2002), está de regresso com novo trabalho. Seu Jorge é mensageiro de um som que herda a linhagem do mais fino samba, na linha de Zeca Pagodinho, e a cruza virtuosamente com o classicismo de João Gilberto. Deliciosa é a versão á la Waits de "Chatterton", tema original de Serge Gainsbourg. Recentemente lançado no Brasil, depois da aceitação no mercado francês, Cru é um disco sólido e que faz jus ao preceito sublinhado no sítio do artista : "o samba é a nossa verdade, nossa particularidade, nossa medalha de ouro, nosso baluarte, nosso estandarte brasileiro".

Espreite a grafonola para escutar os temas "Tive Razão" e "Chatterton"

(Naïve, Março 2004)





Billy Corgan - TheFutureEmbrace (5/10)
Depois da implosão do projecto Zwan, Corgan partiu em expedições fantasistas pela electrónica, num registo que apresenta o fluido de uns Smashing Pumpkins filtrados num passe-vite, onde as drum machines, os sintetizadores e as guitarras camufladas servem de cartão de visita a uma liturgia auto-indulgente, em rompimento com o passado, mas cujo impacto maior não vai além da insipidez das composições. Salva-se "Mina Loy".

Espreite a grafonola para ouvir o tema "Mina Loy"

(Warner, Junho 2005)

O beijo

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Max Ernst, The Kiss, 1927

Clap Your Hands Say Yeah

Apreciação final: 8/10
Edição: Clap Your Hands Say Yeah, Junho 2005
Género: Indie Pop
Sítio Oficial: www.clapyourhandssayyeah.com







Quinteto de Brooklyn, os Clap Your Hands Say Yeah apresentam-se numa edição de autor de que muito se tem falado (e escrito) em terras de Tio Sam. Entre os cotejos recidivos com os Violent Femmes, os Arcade Fire ou Talking Heads (dá para mascarar?), Alec Ounsworth e seus pares inventaram um disco que, além de revigorar o conceito art-pop, os leva um pouco adiante daqueles estímulos, num registo profundamente emocional e singularmente apelativo e que, graças a uma dinâmica invulgar de incitamentos criativos, se reinventa ao longo das doze faixas de um alinhamento melodioso. O júbilo das harmonias não é, contudo, feito de instantes excessivamente melosos, antes deriva de uma orgânica instrumental expedita e da elasticidade vocal de Ounsworth que, sem pejo de comparações e sem a asfixiante obsessão de criar a next big thing, afirmam um estilo próprio. E se é certo que não se trata de uma assinatura particularmente inovadora - o traço dos Clap Your Hands Say Yeah não mudará o curso da música - não é menos verdade que este disco homónimo propõe um corpo convincente de canções (o tema circense de abertura é a única falha) e que certifica os CYHSY como mais que provável revelação do ano.

Clap Your Hands Say Yeah tem qualquer coisa de enleante e docemente assombrado e conduz o ouvinte a um retemperante universo de paisagens sónicas louçãs, desenhadas com a mestria, o talento e a perseverança de uma banda que nos lega uma obra digna de repousar nas nossas memórias por muito tempo. Os Clap Your Hands Say Yeah são rock, pop, indie, retro, art...E depois de escutar este disco é (quase) impossível não sentir um impulso repentino e inadiável para bater palmas e clamar a plenos pulmões: Yeeeaaahhhhh!!.

Posto de escutaIn This Home on IceUpon This Tidal Wave of Young BloodOver and Over Again (Lost & Found)
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sexta-feira, 15 de julho de 2005

Xiu Xiu - La Forêt

Apreciação final: 7/10
Edição: 5 Rue Christine, Julho 2005
Género: Pós-Rock/Experimental/Noise/Electrónica
Sítio Oficial: www.xiuxiu.org








Desde o despretensioso Fabulous Muscles (2004), o projecto Xiu Xiu entrou impetuosamente na relação de culto de muitos melómanos - o autor desta peça incluído - e, por força disso, o lançamento do novo trabalho era aguardado com expectativas avultadas. O conceito sonoro das canções de Jamie Stewart mantém o acento tónico numa espessa fusão de géneros paradoxais, em reflexo de emoções rebuscadas e pactos ininteligíveis. Em La Forêt há, contudo, uma diferença: a electrónica incisiva e quase percuciente do trabalho anterior ("Muppet Face" é a faixa mais parecida) é aqui trocada por um background mais ecléctico, com vibrafones e harpas. A esses elementos juntam-se a orgânica idiossincrásica dos Xiu Xiu, as melodias irresolutas, a voz frágil, estruturas temporais irregulares e os espasmos inesperados de noise music. Além disso, as palavras prosseguem em surreais devaneios de lamento, em demanda de uma purgação improvável nas campinas estéreis dos sonhos, do ódio e do amor.

La Forêt é um disco ambivalente e perturbador que oculta, sob as chagas e traumas das árvores de uma imensa floresta negra imaginária, a puerilidade cacofónica das texturas que, afinal, é o testemunho cabal da robustez das composições. Mais (a)variado do que Fabulous Muscles, este álbum converte-se numa psicadélica confissão, numa expiração de demónios interiores que, além da beleza sinistra da música, mostra ao ouvinte um enternecedor triunfo do crepúsculo sobre a aurora, a subjugação romântica do resplendor solar ao lado lunar da alma. Uma fábula com remate inditoso pode também ser delicadamente bela...assim é a floresta negra e esdrúxula dos Xiu Xiu.

Posto de escutaCloverMuppet FacePox
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quinta-feira, 14 de julho de 2005

O palhaço

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Georges Rouault, The Clown, 1907

AFX - Analord (Vol. 1-11)

O galês Richard D. James, mais conhecido pelo epíteto Aphex Twin, é um dos ícones do vanguardismo na música electrónica, partindo de formatos techno (o preceito base do seu percurso artístico) e acolhendo interposições da música ambiente, do acid, do drum'n'bass e da IDM (Intelligent Dance Music). Movendo-se habilmente nesses cenários, o produtor e instrumentalista adoptou o cognome AFX e lançou a colecção Analord, um grupo de edições single em vinil, com lançamento na primeira metade deste ano. Pode escutar amostras de todos os volumes aqui.


Analord 1 (4/10)
Formalmente complexo e ritmicamente elaborado, o primeiro volume desta colecção apresenta um precisão quase mecânica e electrizante, recheada com uma opulência orgânica que preenche as composições com certo dislate. As melodias são reduzidas ao mínimo, em sete faixas de pura IDM e techno experimental com mais quilos.
(Rephlex, Janeiro 2005)





Analord 2 (6/10)
Numa toada ligeiramente menos pesada e mais simples do que a do tomo anterior, Analord 2 é mais melódico e subliminarmente mais pausado, deixando espaço para a intervenção individual dos instrumentos e para a incursão por espaços mais contemplativos.
(Rephlex, Janeiro 2005)





Analord 3 (7/10)
Com texturas ricas em detalhes e nuclearmente centradas, é o fascículo mais inventivo e experimental da série e deriva de estruturas techno para outras abordagens electrónicas, com melodias adiadas e um som mais urbano do que os dois volumes anteriores.
(Rephlex, Fevereiro 2005)





Analord 4 (5/10)
A quarta extensão da colecção Analord retoma percursos mais harmoniosos e de concordâncias melódicas, ainda que abreviados a uma lógica electrónica feita de sons esparsos e sintéticos que povoam ritmos mais ou menos definidos e subconscientemente mais sombrios.
(Rephlex, Fevereiro 2005)





Analord 5 (5/10)
Mais experimental e utopista, é também o registo mais vago da série, com duas composições de rumo incerto, pausadas e sorumbáticas, e que alinham com algum desajuste as batidas computorizadas por um fio de prumo invisível.
(Rephlex, Março 2005)





Analord 6 (6/10)
Beats bem urdidas e composições coerentes, com alguma esquizofrenia orgânica, e que, não abandonando o vector experimental, seguem uma regra melódica razoável e bem próxima do arquétipo Aphex Twin.
(Rephlex, Março 2005)





Analord 7 (7/10)
Espaço mais melodioso e que enquadra, numa amálgama acid/house/techno devidamente ponderada, uma noção de música de câmara, também ambiental (especialmente em "Lisbon Acid"). O experimentalismo é mais moderado (a excepção é "Pitcard") e a riqueza orgânica mantém-se.
(Rephlex, Abril 2005)





Analord 8 (7/10)
Talvez o mais dançável e mais profícuo dos tomos da série, não perde de vista os ingredientes clássicos de AFX, aqui re-equilibrados num timbre low profile e simultaneamente mais enigmático.
(Rephlex, Maio 2005)





Analord 9 (6/10)
Batidas mais aceleradas, misturadas com ruídos estranhos e volubilidade lento-rápido, a culminar em descargas eléctricas inopinadas, num estilo que memora o projecto Venetian Snares e que deixa uma margem reduzida para o meneio da melodia.
(Rephlex, Junho 2005)





Analord 10 (6/10)
Apenas duas faixas em discurso directo e mais suave, com percussões mais elásticas e que pontuam composições mais dilatadas mas sem rasgos inventivos assinaláveis.
(Rephlex, Junho 2005)





Analord 11 (5/10)
Um pouco mais revivalista do que qualquer um dos outros volumes da série Analord, há aqui reminiscências dos anos 80, com sintetizadores mais melódicos e sons distorcidos, num retiro quase tímido e devoto da meditação.
(Rephlex, Julho 2005)

terça-feira, 12 de julho de 2005

Whitey - The Light at the End of the Tunnel is a Train

Apreciação final: 7/10
Edição: 1234 Records, Fevereiro 2005
Género: Electroclash/Electrónica/Fusão
Sítio:www.1234records.com








O reputado multi-instrumentalista e produtor britânico Nathan J. Whitey apresenta-se num álbum em nome próprio, depois de se ter dado a conhecer às lides musicais em virtuosas remisturas de Bloc Party, Kyllie Minogue, Soulwax ou New Order. Neste trabalho, fazendo jus à sua condição de artesão dos sete ofícios, o músico assina todas as instrumentalizações e vozes do álbum, compondo um corpo de canções que se repartem em dois tons: por um lado, há um fino travo electro-clash, sublinhado nas primeiras quatro faixas do alinhamento - onde a sedução do rock de garagem, navegando nos graves do baixo, se confunde com a batida metronómica do funk - e, por outro, no resto do disco, um trejeito sonoro mais introspectivo, mais manipulador das virtudes electrónicas e mais contemplativo (com menos fé?). A essa aparente bifurcação, quiçá penalizadora da coesão do registo, se associa uma energia convulsiva e um elemento-surpresa impregnado de infusões da música de dança e do rock, nas mais variadas formas.

The Light at the End of the Tunnel is a Train é um volume discográfico de vistas largas e meneia-se com sensualidade entre as fronteiras de um género musical fresco e criativo, também gerador de impulsos indomáveis cujo resultado óbvio é o irreprimível desejo de bater o pé na cadência das composições de Whitey. E seguir-lhes o embalo dançável que se segura na voz enigmática, às vezes sinistra, do músico britânico. Depois há influências prestigiantes: New Order, Colder, Jesus and Mary Chain, Kraftwerk, Suicide, um cheirinho de Queens of the Stone Age (em "Halfway Gone")...é preciso dizer mais? Um disco (e um artista) a descobrir. Sem rótulos.

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Excited People

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Emile Nolde, Excited People, 1913

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Sufjan Stevens - Illinois

Apreciação final: 9/10
Edição: Asthmatic Kitty, Julho 2005
Género: Indie Pop-Rock/Folk/Cantautor
Sítio Oficial: www.sufjan.com








Segundo capítulo da mais improvável missão discográfica da história - pretensamente Sufjan Stevens intende fazer um disco de homenagem por cada um dos cinquenta estados americanos - Illinois é um trabalho ambicioso e aromatizado pelo olores graciosos das composições épicas de Stevens: a harmonia das melodias suaves, o espírito pioneiro de assimilação do rock clássico com um certo vanguardismo folk e uma dose reforçada de criatividade ambígua e artesanal, vertida em orquestrações e vocalizações pomposas. O alinhamento do álbum está dividido em vinte e duas faixas, fragmentos genuínos de um retrato expositor das feições distintivas do Illinois, também do microcosmo americano, reproduzido fielmente em narrativas que assumem, entre outras coisas, as formas amalgamadas de rapazes choradores, de mulheres com cancro, de desfiles e coretos, de padrastos e serial killers (por aqui figura o vil John Wayne Gacy que entre 1972 e 1978 torturou, violou e assassinou 33 jovens rapazes...). E da substância musical que provém de Illinois ressalta o engenho de Stevens, igualmente hábil e sensível, seja a musicar o flanco negro dos retalhos que colheu no passado do Illinois, ou a mostrar-nos a disparidade complacente das cores garbosas de outros recortes. Em ambos os registos, sobressai o sentido das composições, apoiadas em arranjos de eleição, os verdadeiros catalisadores da irresistível sedução de um corpo de canções adultas e eruditas, com o sublime recato das grandes obras.

Illinois é um disco único, uma pedra preciosa burilada até ao mais ínfimo pormenor, um guião musical gigantesco e intenso que capta, vencido o crivo da moldagem de Stevens, a identidade de um estado, de um país. Depois de ter escutado este disco, quem ousará dizer que não conhece o Illinois? E alguém se dará ao luxo de não ouvir? Obrigatório (e candidato a melhor do ano...), imperdível, excepcional. Só escutando com reverência este Illinois, se crê que ainda se fazem discos assim...

Posto de escutaJohn Wayne Gacy, Jr.The Man of Metropolis Steals Our HeartsThey Are Night Zombies!
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Down the River

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Título:Down The River
Autor:Bruno Alves
Fonte: 1000Imagens

sexta-feira, 8 de julho de 2005

My Education - Italian

Apreciação final: 8/10
Edição: Thirty Ghosts Records, Maio 2005
Género: Pós-Rock/Rock Ambiente/Lo-Fi
Sítio Oficial: www.myeducationmusic.com








"Uma parte de cacofonia rock espacial, uma porção de extermínio vertiginoso do punk e uma parcela de tropeções na música ambiental". Estes três terços apresentam os My Education no seu sítio oficial. Acima de tudo, eles são um colectivo de cariz instrumental cuja perícia mais notada é a construção de paisagens sónicas de excelência ímpar, à custa do recurso a fórmulas pós-rock que integram, com a erudição de cadências lentas a inferirem um clímax imprevisto, as guitarras e violinos etéreos, as teclas destemidas e as percussões coadjutoras. Óbvio é o temperamento apocalíptico das composições, vagamente produtoras de um peculiar paradoxo: vestem-se de jeito babélico, na forma de uma falácia de caos e revelam-se genuinamente sentidas e estruturadas, sob o falso manto de desordem que, afinal, dá abrigo a um disco organicamente opulento e com um sentido de precisão único. O balanço do disco divide-se entre a permissão do ruído e a sua acomodação à pronúncia elegíaca das sublimes harmonias. A mestria quase inocente dos músicos, as sinergias que se impõe naturalmente entre eles e a fluidez e vivacidade das texturas ajudam a fazer de Italian uma experiência imperdível.

Italian não mudará a face do pós-rock mas é tão encantadoramente versátil que merece figurar entre a colecção de discos de qualquer melómano. Importa que eles recorram às convenções dos Godspeed You Black Emperor? Resta deixarmo-nos levar pelo acalento melancólico do segundo álbum do ensemble texano, rumo a vácuos imateriais onde cabe apenas uns caos simétrico de sons que nos remete para um imaginário colectivo feito de contemplação e da revelação do vigor intrínseco às sombras da alma. Obrigatório descobrir.

Escute integralmente as faixas "Snake in the Grass", "Plans A Through B" e "Thanksgiving" na Grafonola

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Dream Theater - Octavarium

Apreciação final: 5/10
Edição: Atlantic, Junho 2005
Género: Metal Progressivo/Heavy Metal
Sítio Oficial: http://www.dreamtheater.net








Os dezasseis anos de edições discográficas dos nova-iorquinos Dream Theater são o mais apurado testemunho do acerto de um trajecto firme que os confirma na primeira linha do metal contemporâneo, ainda que neste Octavarium se adivinhe um compromisso de proximidade a sons mais imediatos do que os do passado. A progressividade deixou de ser um dogma imperioso? E esse revés não está sozinho: o disco indicia, na derrapagem imediatista de algumas faixas ("I Walk Beside You" não parece ter sido escrita por...Bono??), um desvirtuamento mainstream da doutrina do quinteto americano. Os ingredientes combinados em Octavarium são os do costume - a solidez dos riffs de guitarra, a primazia da voz de LaBrie, as percussões interventivas - mas a receita reagente que os combina é incapaz de produzir o vigor combustível de outros álbuns e, pior do que isso, parece apta a implodir e envolver no descaminho a intenção do auditor descobrir o disco, antes mesmo de lhe tomar o gosto.

Octavarium é suposto ser o mais recente registo de um discurso sónico progressivo mas, entre os vários passos em falso do alinhamento, percebem-se vestígios de comedimento criativo e de uma tendência escusada para distender as composições até ao raiar do tolerável. Mas nem tudo se dispersa em Octavarium: "Panic Attack" (a melhor do disco), "Sacrificed Sons" e "The Root of All Evil" incorporam a imaterialidade do legado da banda e simulam estímulos sensoriais que agradarão aos fãs incondicionais dos Dream Theater. E Octavarium é uma edição mesmo só para indefectíveis...

Posto de escutaThe Root of All EvilPanic AttackSacrificed Sons
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Yesterdays

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Título: Yesterdays
Autor: Mark Kerr
Fonte: Sítio

terça-feira, 5 de julho de 2005

Complicado - Haunted

Apreciação final: 8/10
Edição: Bor land, Maio 2005
Género: Indie Pop-Rock/Experimentalismo/Pós-Rock
Sítio Oficial: www.complicado.net








Raramente um disco consegue apurar tão bem a simbiose entre a prolixa disseminação dos estilhaços (re)colados de uma existência urbana e o recolhimento contemplativo do sujeito. Neste caso, o protagonista é o portuense Miguel Gomes (o músico por detrás do Complicado) e o conceito musical navega em águas dúbias, com uma acalmia folk a servir de pano de fundo, por vezes a atrever-se em trejeitos rock, sem renunciar a um vínculo desafiador de convenções, onde cabem, sem preconceitos, ruídos quase psicadélicos, em cruzamento pacífico com a indispensável assiduidade da guitarra acústica e de percussões minimalistas. Das meta-canções de Haunted, em permanentes derivações pelos ramais da imaginação de Miguel Gomes, deriva um manifesto íntimo que não se impõe restrições artísticas e que se deixa domar apenas pela força motriz das suas próprias quimeras. O resto é uma sugestão sensitiva em cadência tarda, um mix de emoções confessadas em solilóquios velados e que não se envergonham da sua timidez lo-fi. Apetece revisitar Haunted sem cessar e (re)descobrir os imensuráveis detalhes não percebidos antes e que se desenham como reticências num verso branco.

Haunted é uma proposta imperdível - mais uma pérola resgatada do anonimato da cena musical portuguesa pela mão da etiqueta nortenha Bor land - e um disco simultaneamente ecléctico e simples. Do rock-blues de "Tonight", à privacidade de "Half Dead Body", ao timbre instrumental de "On The Way Back From The Beach" ou à pop calmante de "Sweet Monkey of Mine", Haunted inventa esqueletos de composições honestas e deixa-nos o encargo de dar-lhes corpo na mente. E não é custoso. Complicado mesmo é manter o álbum fora do leitor de cd's.

Posto de escutaTonightFor You to Dance300 000 Whores
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segunda-feira, 4 de julho de 2005

5 rapidinhas


The Residents - Animal Lover (7/10)
Pós-rock experimental e vanguardista é a receita invulgar dos The Residents. Trata-se de um disco conceptual e ambíguo que aborda, em levitações ininteligíveis, o relacionamento homem/animal. Pormenor intrigante: cada canção é uma história e é acompanhada por um texto que situa a bizarria das respectivas personagens. Hiperbólico e deliciosamente inventivo, Animal Lover é, sem ceder a facilitações, um disco metafórico de fantasias cativantes, uma fábula musicada em tramas sónicas complexas. Múltiplas camadas e elementos se sobrepõem nas texturas, sublinhadas pela integração de vozes em coro, expandidas a uma dimensão quase operática, e de instrumentalizações quase lunaticamente despropositadas. O desfecho é imprevisível, depende da mente aberta do auditor, mas apresenta-se sombrio e místico, prosseguindo a saga de originalidade do grupo e assumindo proporções de grandiosidade quase épica, sempre num registo taciturno mas irresistivelmente inovador.
(Mute U.S., Fevereiro 2005)

Ouça integralmente o tema "Dead Men" na Grafonola.





Vive La Fête - Grand Prix (6/10)
Revivalismo 80's numa toada electrónica de um projecto belga cuja sonoridade característica se baseia em batidas sexy, vocalizações em francês na voz sedutora de Els Pynoo e orgânicas bem urdidas pela inspiração de Danny Mommens (ex-baixista dos dEUS). Menos efusivo do que Nuit Blanche (2003), este trabalho mantém a assinatura típica da dupla, embora denuncie um certo comodismo do grupo a uma fórmula interessante e bem ponderada mas a que se associa, em vários instantes do disco, uma enfadonha imagem de condução em piloto automático.
(Lowlands, Março 2005)

Ouça integralmente o tema "Hot Shot" e "Litanie des Seins" na Grafonola.





Mary Gauthier - Mercy Now (8/10)
Escritora de canções algures entre o country e a folk enraizada na mais profunda tradição musical americana, Gauthier (deve ler-se "Go-Shay") compõe momentos de rara beleza e honestidade poética, sobre desolação e frustrações. A guitarra acústica, os instrumentos de cordas e a o embalo da voz de Gauthier fazem um disco sublime, com algo de profético e que afirma definitivamente uma senhora que merece reconhecimento como o equivalente feminino de Johnny Cash ou de Townes Van Zandt.
(Lost Highway, Fevereiro 2005)

Ouça integralmente os temas "Wheel Inside the Wheel" e "Drop in a Bucket" na Grafonola.





Jori Hulkkonen - Dualizm (4/10)
Neste trabalho, o músico finlandês evita aproximações às estruturas habituais e divide-se em dois registos diferentes: a melodia suave e profunda, onde se sente menos à vontade, e a batidas mais dançáveis, o cunho omnipresente nos seus sets. Em ambos os casos, notam-se, em partes iguais, uma certa veneração à eletro-pop dos anos 80 e uma insípida criatividade, a revelar um artista claramente necessitado de impulsos mais fortes.
(F Communications, Abril 2005)

Ouça integralmente o tema "Dislocated" na Grafonola.





Martha Wainwright (7/10)
Irmã de Rufus, filha de Loudon Wainwright III e Kate McGarrigle...é preciso dizer mais? Só por filiação já valeria a pena descobrir Martha Wainwright mas a jovem cantora/intérprete vai além da inspiração da progénie e, numa gentil toada pop de fusão da country e da folk, arquitecta um disco melodioso. Uma voz carismática e versátil, emoção q.b. e canções serenas e bem escritas sobre segredos indecrifráveis fazem desta edição um disco curioso, de uma intérprete que, demarcando-se do prestígio do seu apelido, encontra um espaço próprio para afirmar os seus méritos.
(Zöe, Março 2005)

Ouça integralmente os temas "Far Away" e "Bloody Mother F.... Asshole" na Grafonola.