quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Loosers - For All The Round Suns

Apreciação final: 7/10
Edição: Ruby Red, Outubro 2005
Género: Noise Rock/Experimental
Sítio Oficial: www.loosersarefree.com








A música dos Loosers mostra-se, no primeiro longa-duração dos lisboetas, cada vez mais periférica, apartando-se das guias metal e punk do ínico de carreira do trio e acercando-se de um registo cada vez mais inventivo, pejado de usanças experimentalistas e que descrê do formato canção. Ao escutar este For The All the Round Suns percebe-se que os rapazes desintoxicaram a sua escrita da sofreguidão pelo refrão imediato e limparam-na das texturas de álgebra simples que se pressentiam no EP Six Songs (2003). A depuração fez-se sinónimo de maturação criativa. O álbum é percorrido por um fino traço de música livre que projecta os contornos de ambientes sonoros desassossegados, as mais das vezes abrasivos e feitos de ruídos que reclamam urgência com uma genuinidade cortante. Ao bom jeito da doutrina noise rock. E que bem investem neste segmento os Loosers, impondo suor às distorções, extravasando a voz, pintando de psicadelismo os acordes e o galope da bateria, buscando uma química de histeria controlada, afinal, o supremo catalisador da energia surreal do trio. A música deles é, a exemplo da bela ilustração da capa de Tetsunori Tawaraya, um mutante bizarro, sujo, estrábico, disforme, de cores garridas e a sugerir espasmos e convulsões.

Os Loosers fazem alarde da sua condição de detonadores de géneros - até se atrevem a umas equações de world music em alguns ápices do disco - e produzem formas agitadoras inéditas, algo jamais criado no panorama musical luso. For All the Round Suns é por isso, filho único (bastardo?) da cena rock portuguesa e saiu da mente de um colectivo sem paralelo cá no burgo e que, segundo consta por aí, tem merecido alguma aceitação além-fronteiras. Ao primeiro longa-duração, os Loosers afirmam a vitalidade do underground nacional e, ainda que tenham deixado algumas pontas soltas na dobagem deste novelo frenético, sobrevém a assinatura oblíqua de uma aventura musical despudoramente anti-cânones. Rebeldia em ponto de rebuçado.

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2 comentários:

Spaceboy disse...

São uma autêntica lufada de ar fresco na música portguesa.

A.C. disse...

Sem dúvida.
Vamos ver se não se estragam em próximos discos.

Abraço.