sexta-feira, 22 de abril de 2005

Amos Lee

Apreciação final: 8/10
Edição: Blue Note, Março 2005
Género: Cantautor/R&B/Soul







Natural de Filadélfia, Amos Lee é porta-voz de uma sonoridade que redimensiona a pop a estruturas mais orgânicas e aderentes a uma abordagem romântica da música que escapa aos lugares comuns mais lamentosos e se mostra plena de maturidade e respeitadora da tradição do R&B, do gospel e da soul. A voz mestiça de Lee dá corpo às composições cadenciadas do compositor americano, esquadrinhando sentimentos com a fina compunção da devoção. A toada polida do registo é a asseveração maior de uma intimidade irresistível desde o primeiro instante, a fazer lembrar os modos de Bill Withers ou Norah Jones (dá uma ajuda ao piano na primeira faixa do disco).

Amos Lee é o primeiro trabalho da mais recente descoberta da Blue Note e premeia uma voz daquelas que se conservam perpetuamente na memória. Em termos instrumentais, as pautas são urdidas à viola, ao bandolim e ao violoncelo, a que se juntam as normais cascatas guitarra/bateria que gentilmente acolhem a voz sublime de Lee. As composições, leves ao primeiro contacto, demonstram uma imprevista maturidade e têm o condão mágico de apaixonar o mais duro dos ouvidos. Além disso, as canções aprovam Amos Lee como artífice de aptidões inatas, capaz de moldar instantes únicos e que perduram nos tímpanos, em audições repetidas, com um redobrado aprazimento. Um disco imperdível.

1 comentário:

A margarida curiosa disse...

A única palavra que cabe à este artista é Perfeição...suas melodias e sua voz são tomadas de sentimentos que transbordam e contagiam a quem escuta.....Maravilhoso