segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Devendra Banhart - Cripple Crow

Apreciação final: 8/10
Edição: XL, Setembro 2005
Género: Folk/Cantautor/Indie
Sítio Oficial: www.cripplecrow.com








Devendra Banhart é um artista. Ponto final. Além da formação académica no Instituto de Arte de São Francisco, o jovem Banhart (tem apenas 24 anos) já vai no quarto álbum de estúdio e tornou-se, entre as classes alternativas, um dos mais prolíficos songwriters da sua geração. Senhor de uma voz trémula e colector de uma miríade de influências, Banhart é um trovador errante, um menestrel dividido entre a folk tradicional americana, os blues, o rock 'n' roll, a música de cabaret, os Beatles e tudo mais que o seu génio criativo consegue confiar intimamente a uma guitarra acústica. Neste Cripple Crow, mesmo imprimindo um cunho acústico às vinte e três composições do alinhamento, Banhart ampliou as texturas das canções, munindo-as com outros ingredientes como as vozes dobradas, as pontuais ingerências orquestrais e o som vacilante de um piano ou de uma flauta. A minúcia de cada uma das peças é a do costume, Banhart não faz a coisa por menos e escreve trechos musicais gentilmente intemporais (são deste tempo mas ficariam bem noutro qualquer...), inevitavelmente cativantes, frescas e inesperadas. E esse viço magnetizante é também um vínculo de diversidade étnica, o reflexo de uma vivência que passou por São Francisco, pela Venezuela e por Paris e que se projecta na tapeçaria musical de Banhart.

Cripple Crow é uma colecção simples de trovas transcendentais que certificam a elasticidade da escrita de Banhart. Pontuado por um imaginário de crianças, o disco é uma celebração esotérica da esperança, da redescoberta dos encantos da ingenuidade e da negação do pessimismo fácil. Musicalmente, Cripple Crow é também uma colagem de géneros, uma paleta multi-colorida e ecléctica, embrulhada numa roupagem psicadélica e nostálgica dos anos 60. Uma elegia musical de um criador que continua a crescer com as canções e a garantir-nos momentos imperdíveis. O puto já é um homenzinho...

3 comentários:

Spaceboy disse...

Um dos discos do ano, infelizmente não vou poder ir vê-lo à Aula Magna, mas vi-o no Sudoeste, e la deu um concerto do caraças!

Kraak/Peixinho disse...

Não sei se será o disco do ano, porque parece-me que é um pouco mais do mesmo a que Devendra já nos habituou, com algumas inovações, é certo. Mas lá estarei na Aula Magna :)

Gostei do post! Faz uma bela descrição.

Abraço

Anónimo disse...

Very nice site! »