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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Scorsese, finalmente...

Foram ontem atribuídos os Óscares do cinema americano e confirmou-se aquilo que se esperava: nenhuma surpresa relevante. Babel, de Iñarritu, e Cartas de Iwo Jima, de Eastwood, passaram ao lado das principais categorias e, no extremo oposto, Martin Scorsese teve, finalmente, a sua noite de consagração. Justíssima a sua designação para melhor realizador do ano com The Departed - Entre Inimigos. Nas categorias performativas individuais, duas construções magníficas, de longe as minhas preferências pessoais do ano, levadas à tela por Helen Mirren (The Queen, A Rainha) e Forest Whitaker (The Last King of Scotland, O Último Rei da Escócia) foram muito justamente distinguidas. O Óscar mais cobiçado da noite premiou The Departed - Entre Inimigos como a fita magna do ano. Confesso que tinha um fraquinho por Little Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris e que também gostei imenso do sublime Letters From Iwo Jima, Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, mas não deixa de ser justa a escolha da película de Scorsese. Vistas bem as coisas, já era tempo de os senhores da Academia reconhecerem a carreira de um realizador que nos deu obras-primas como Taxi Driver (1976), Raging Bull(1980), Goodfellas (1990) ou Casino (1995). Nas categorias de representação de suporte, Alan Arkin, na pele de um conservador e áspero avô, acabou por ser a bandeira de Little Miss Sunshine na noite, roubando a estatueta a Djimon Hounsou, brilhante em Blood Diamond, Diamante de Sangue. Nas senhoras, Jennifer Hudson (Dreamgirls) era a favorita e ganhou, mas Adriana Barraza e Rinko Kikuchi (ambas em Babel) ou a surpreendente revelação de Abigail Breslin (a minha favorita), a pequenita que enche a tela de Little Miss Sunshine, também mereceriam a distinção. Nas categorias técnicas, o último conto de fadas de Guillermo del Toro (El Laberinto del Fauno, O Labirinto do Fauno) foi agraciado pela Fotografia, Caracterização e pela Direcção Artística. O prémio para o argumento original foi, como não podia deixar de ser, para Michael Arndt, argumentista de Little Miss Sunshine.

Veja a lista completa de premiados, clicando aqui.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

O último filme que vi - A Senhora da Água

O solitário e bonacheirão Cleveland Heep (Paul Giamatti), supervisor do pacato complexo residencial The Cove, avista uma desconhecida na piscina do condomínio. Story (Bryce Dallas Howard), a bela estranha, é afinal uma narf perseguida por medonhas entidades, uma ninfa desencaminhada do mundo de um conto para crianças, em demanda do retorno a casa. Este é o enredo central da mais fresca proposta de suspense de M. Night Shyamalan, o desembaraçado e talentoso cineasta que nos deu O Sexto Sentido (1999), reconhecidamente considerada a sua obra maior. A Senhora da Água, quinto trabalho do realizador indiano, baseado numa história do próprio Shyamalan originalmente destinada a mera edição livreira, não é mais do que uma fábula infantil redimensionada ao estatuto de thriller clássico, condimentado com uma atmosfera próxima do cinema fantástico.

Para servir o interesse a franqueza na construção dos diversos caracteres do filme, Shyamalan justapõe o universo real e a fantasia, arquitectando um mosaico de personalidades pacatas (cada uma com traços idiossincráticos propícios ao remate do enredo, como é regra em Shyamalan), as certezas da sua vivência efectiva, as respectivas aspirações e frustrações, a conformação com as vicissitudes da ordem universal e a esfera prometida do sonho. E de ambições contingentes se fazem as pitorecas personagens do filme, como se todos aguardassem uma marca do destino que lhes servisse de rumo. Essa solenidade de oráculo é projectada gradualmente em Story, a fada da água que, com a candura e fragilidade do seu pedido de ajuda, se tornará a salvadora das gentes daquele bloco de apartamentos. Da briosa união de esforços para remir Story, há-de abrolhar a recompensa de cada um deles, como se aquele tranquilo complexo habitacional subitamente se tornasse o centro do mundo, ou um retrato de fragmentos dele. Talvez, por isso, se possa dizer que esta fita de Shyamalan consegue o feito improvável de, sendo o mais fantasioso dos seus exercícios, nos remeter para uma mensagem plena de mundanidade. Nisso, a aposta do realizador é sustentada, a despeito da necessária inverosimilhança dos factos, como teria de convir a uma história para crianças.

Tecnicamente, A Senhora da Água deixa imensas pontas soltas, mormente na ligeireza na definição das personagens e na pouca fluidez narrativa, fonte assídua de dúvidas à medida que os sofismas (ou reflexos menos ponderados) do enredo se tentam explicar a si mesmos, fechando repetidamente o espaço ao suspense e frustrando o ensaio de parodiar as convenções hollywoodianas para produtos deste género. O desempenho de Giamatti, emblema magno da arte de representação por estes dias, livra o filme da derrocada mas não é avanço suficiente para contornar a convicção de que se trata do filme menos conseguido de Shyamalan. Aparentemente, os decisores da Disney que rejeitaram esta película, conduzindo o cineasta a um compromisso com a Warner, acertaram na prognose de que este seria um recurso dispensável da sétima arte. Agora que chegou até nós, A Senhora da Água ratifica claramente os trambolhões criativos e o desgoverno do ego inflado de um escritor-realizador-produtor-actor que, há um punhado de anos, prometia lançar novas aragens na atmosfera de Hollywood.

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terça-feira, 26 de setembro de 2006

Os últimos filmes que vi - Eu, Tu e Todos os que Conhecemos, Nada a Esconder & Irmão, Onde Estás?

A primeira longa metragem de Miranda July, também protagonista na fita, é uma alegoria sobre os laços humanos, contada numa narrativa propositadamente soluçante e que intersecta os habitats sociais de alguns misfits. Desses desajustados, sobressai um par, elemento central da história, o vendedor de sapatos Richard (John Hawkes) e Christine (Miranda July), mulher das artes que confunde frequentemente fantasia e realidade. A casualidade que os une é, afinal, apenas a réplica cósmica de que, eles e outras personagens do argumento, tanto ansiavam para achar o escopo do seu destino. Por vezes inocente, outras arrebatado e delirante, Eu, Tu e Todos os que Conhecemos não é um filme imediato e move-se num bizarro limbo, mais próximo da ingénua crença na bondade do mundo do que do realismo acre. E essa é a pecha que mancha ligeiramente a competência do filme, a incrível convicção de que os equilíbrios universais dão a todo e qualquer misfit (e o filme tem uma considerável colecção deles) a esperança num deus ex machina que, por obra do acaso, apareça para salvar os dias. Ou, no mínimo, que os faça sonhar.

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Já não restam dúvidas de que o realizador germânico Michael Haneke gosta de desafiar o espectador. Caché é o seu mais recente repto, mantendo a costumeira tónica minimalista (tão bem encaixam nesta lógica as competentíssimas prestações de Daniel Auteuil e Juliette Binoche) para especular sobre o voyeurismo. A subversão é esticada ao cúmulo de impôr ao espectador uma dupla atribuição: por um lado, o incómodo papel de testemunhar alguém a observar religiosamente o quotidiano do casal Laurent e registar os momentos em vídeo e, depois, observar o enredo na perspectiva do par filmado, presenteado regularmente com as cassetes do voyeur anónimo. Dessa dupla condição, advém um ambiente tenso e perturbador, particularmente no último quarto do filme (a dinâmica narrativa dos outros três é menos boa), com a desfiadura dos actos derradeiros, a exploração minuciosa do sentimento de culpa (sem sentenças) e um final inconclusivo que, se intencionalmente não responde à ânsia construída pelo suspense da história, ao menos é garante de uma coisa: o cinema de Haneke não é pretensioso mas continua a ser para ver e pensar depois.

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Comédia dos irmãos Coen não segue padrões. O absurdo e o vestígio do noir estão por todo lado em O Brother, Where Art Thou?, com argumento centrado nos anos 30 e alegadamente inspirado na "Odisseia" de Homero (as semelhanças são apenas simbólicas), o filme retrata o malabarismo de três foragidos (o líder do grupo, interpretado por George Clooney, só podia chamar-se Ulysses...) do Mississipi em busca de um tesouro. Mas o caminho para o ouro é espinhoso; além de serem seguidos de perto pelas autoridades, os três aventureiros vão encontrar uma série de caracteres bizarros, ora interessados em rapinar a prometida fortuna, ora empenhados em devolvê-los à mão da justiça. Pelo meio, gravam ocasionalmente uma canção que se torna um êxito imediato no estado do Mississipi. Embora as personagens não sejam tratadas com grande profundidade dramática, algo comum nas fitas dos Coen, o desempenho da equipa de actores acaba por salvar o filme e garantir o entretenimento mínimo que se lhe exigia, não avançando além da mediania, a despeito do investimento num punhado de boas ideias.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2006

O último filme que vi - Carros

Já não é notícia original dizer-se que a Pixar - recentemente adquirida pela Disney - é, hoje, o estúdio de animação com maior reputação, por força do grau das fitas produzidas nos últimos anos (o par de filmes Toy Story, Monstros & Cia., À Procura de Nemo e The Incredibles - Os Super Heróis são alguns exemplos). No título mais recente, Carros, o universo dos campeonatos NASCAR americanos, aqui servido por bólides animados, é o mote cénico, numa narrativa centrada na personagem do arrogante speedster Lightning McQueen (delicioso alvitre a Steve McQueen, também ele um entusiasta dos motores). Quando as desventuras do destino o levam à erma metrópole de Radiator Springs, urbe saudosa do rebuliço de outrora, dos tempos antes do advento da via rápida que a subtraiu às rotas dominantes, McQueen vai aprender uma profunda lição de humanidade e de valores. A expressão animada dos caracteres do filme tem a plausibilidade do costume na Pixar, ajudando à definição da densidade dramática das personagens e da consistência rítmica da história. É aí, como noutros momentos destes autores, que Carros vai além dos produtos concorrentes neste género, fazendo-nos crer que, por verosímil analogia, no lugar destes carros que falam e se comovem, podiam estar seres humanos de carne e osso. E estão cá, na versão original, as vozes de Owen Wilson, Paul Newman, do comediante redneck Larry the Cable Guy e Bonnie Hunt.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2006

O último filme que vi - O Sentinela

Mais um blockbuster nascido do lastro de obsessão securitária que confiscou o espírito colectivo americano na ressaca dos atentados de 11 de Setembro, o filme retrata uma conspiração de intenções homicidas do presidente americano e os jogos de poder e traição dos serviços secretos. Tomando o capital simbólico que a série televisiva 24 trouxe a Kiefer Sutherland - que neste filme acrescenta a gravata ao inexorável Jack Bauer - e juntando-lhe um discreto Michael Douglas, na pele de um condecorado agente, a fita desenrola-se na dinâmica normal de produtos deste género, também com a insipidez de um argumento decalcado de outros filmes. Um pormenor: o lamentável erro de sintaxe do título da versão portuguesa. Alguém se esqueceu do género do substantivo sentinela.


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segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O último filme que vi - A Casa Fantasma

A nova fita animada da Sony gira em torno de três teenagers, um vizinho muito mal humorado e uma casa assombrada. Entretenimento garantido para toda a família com muitos sustos e gargalhadas para os mais pequenos. Tecnicamente, o filme está servido por animações do melhor quilate técnico, cheias de realismo e verosimilhança e por um argumento que encaixa bem no imaginário infantil, ainda que não ofereça ingredientes novos ao género.

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segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Os últimos filmes que vi



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sábado, 5 de agosto de 2006

Memórias do cinema

Charles Chaplin em Tempos Modernos (Modern Times, 1936)

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Memórias do cinema

Helena Bonham Carter e Edward Norton em Fight Club (Clube de Combate, 1999)

terça-feira, 30 de maio de 2006

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Memórias do cinema

Roberto Benigni, Nicoletta Braschi e Giorgio Cantarini em La Vita È Bella (1997)

quinta-feira, 9 de março de 2006

Memórias do cinema

Warren Clarke, Patrick Magee, Malcolm McDowell e Michael Bates em A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica, 1971)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Memórias do cinema

Bengt Ekerot e Max von Sydow em Det Sjunde Inseglet (O Sétimo Selo, 1957)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Memórias do cinema

Anthony Quinn e Giulietta Masina em La Strada (A Estrada, 1954)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Memórias do cinema

John Hurt em The Elephant Man (O Homem Elefante, 1980)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Memórias do cinema

Lazar Ristovski e Mirjana Jokovic em Bila Jednom Jedna Zemlja (Underground, 1995)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Memórias do cinema

Ziyi Zhang e Takeshi Kaneshiro em Shi Mian Mai Fu (O Segredo dos Punhais Voadores, 2004)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Memórias do cinema

Burt Lancaster e Claudia Cardinale em Il Gattopardo (1963)