terça-feira, 27 de junho de 2006

Wooden Wand & The Vanishing Voice - Gypsy Freedom

Apreciação final: 7/10
Edição: 5 Rue Christine, Fevereiro 2006
Género: Folk Experimental/Psicadélico/Minimalista
Sítio Oficial: www.woodenwand.net








James Toth não é um músico comum. Uma das predilecções mais extremosas do seu percurso musical é a heterodoxia, a afeição pelo desalinho e pela fragmentação do som, ao jeito de um aventureiro tímido que, incapaz de se exprimir nas línguas proverbiais, encontra na música um código de alívio. Necessariamente defeituosas na sua intimidade, as composições de Toth atingem ápices no desarrumo, no jejum de regras e na alma improvisadora. Este Gypsy Freedom é povoado por ousadias subtis, seja na libertinagem com que se misturam os ingredientes, muitas vezes em dissonância psicadélica, seja na raridade rítmica, a adornar os trechos experimentais com migalhas orientais. De vectores multi-dimensionais, os generosos ambientes sónicos do disco revelam um certo misticismo que, se não inquieta o auditor, pelo menos o espanta. Vanguardismo em estado puro. À cata de mundos novos. Não fosse a mente de Toth (e do quinteto de companheiros de caravana, os Vanishing Voice) fonte suficientemente fecunda de excentricidade, ainda se lhe juntam o saxofone franqueado de Daniel Carter, improvisador de excelência, e a bateria fogosa de Peter Nolan, músico regular dos Magik Markers.

Gypsy Freedom é uma figura dúctil, atulhada com psicadelismo do melhor calibre e uma porção imensa de contrastes. Ao bom hábito de uma prolífica jam session, servida como prato principal, se somam encarnações mutantes de várias longitudes musicais, de noise agudo quase omitido, de retalhos drone mal disfarçados, de free-jazz assertivo, de minimalismo orgânico, de malhas harmónicas simples, de sampling lacónico, de guitarras nota a nota em meditação, de momices tribalistas, de progressões em assombro melancólico e de uma crença ímpar na imaginação absoluta. Assinatura riscada à Toth. Música para provar e cogitar. A preto. Não chegará para musicar a dança com demónios que Heidi Diehl declama, convincente como numa reza, em "Genesis Joplin". Mas, avivando os nervos mortos do espírito, talvez nos poise num qualquer purgatório do nosso subconsciente.

1 comentário:

Anónimo disse...
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