terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Jenny Lewis and The Watson Twins - Rabbit Fur Coat

Apreciação final: 6/10
Edição: Team Love, Janeiro 2006
Género: Indie Pop/Country
Sítio Oficial: www.jennylewis.com








Jenny Lewis foi uma das fundadoras do projecto Rilo Kiley, colectivo californiano a que emprestou a voz em três álbuns que, mesmo não sendo enaltecidos como obras primas, valeram ao colectivo americano a deferência da comunidade pop alternativa. Na sua iniciação a solo, Lewis enche os pulmões de ar patriótico, pede a ajuda ao gospel das manas Watson (e alguns amigos como M. Ward, Ben Gibbard ou Conor Obert dão uma mãozinha) e apronta um caldo de fazer as delícias do Tio Sam. Dentro do mesmo caldeirão, comandados pela voz afectuosa e frágil de Lewis, estão os ingredientes clássicos da música americana: as reminiscências country, a nostalgia da folk genuína, o sentimentalismo confessional e até uma pitadinha de a capella, logo na abertura do alinhamento. Decididamente, Rabbit Fur Coat faz uso dos ensinamentos clássicos da country, ao jeito do disco de estreia dos Rilo Kiley, ainda que se exprima com um balanço mais mainstream. Ultrapassadas as primeiras impressões - em que o brilho da voz de Lewis (inteligentemente sublinhado pela produção) ofusca os demais elementos - o disco vai revelando, imergido entre as texturas instrumentais, um certo pragmatismo lírico que, bem vistas as coisas, contagia a face instrumental em certos momentos. Como se Lewis sentasse, ao redor de uma fogueira, os seus convidados ilustres e, ao jeito de um acampamento de escuteiros, registassem uma serenata nocturna sem destinatário. Tão americano que até cabe uma versão dos míticos Travelling Willburys (colectivo que o ex-Beatle George Harrison criou com Bob Dylan, Tom Petty e Roy Orbison, no final da década de 80), a canção "Handle With Care".

Não surpreende que os genes indie de Lewis se sintam como peixe na água nesta mirada retrospectiva, afinal as fórmulas clássicas estiveram sempre presentes na música dos Rilo Kiley. Todavia, apesar de as canções de Rabbit Fur Coat deixarem a ressonância refrescante de remexer memórias dos vinis de Dylan, não afastam uma dúvida existencial: será que esta ex-actriz teenager não era convidada para dançar pelos rapazes? Vendo as fotografias da moça, ou Rabbit Fur Coat não é autobiográfico, ou é um embuste...Em qualquer dos casos, musicalmente o álbum é competente, mas não passa a fasquia da mediania.

2 comentários:

Kraak/Peixinho disse...

Muito interessante esta tua análise. O álbum tenta contagiar logo nas primeiras audições... e de facto é belo, talvez por este motivo se pode tornar facilmente se tornar numa espécie de mainstream não desejada, apesar de não trazer quase nada de novo. Subia-lhe a classificação, talvez, se me permites a observação.

Abraço

A.C. disse...

Todas as observações são permitidas porque ninguém é dono da verdade e, em coisas tão subjectivas quanto a música, a despeito de algumas coisas mais ou menos óbvias, a opinião de cada um tem a mesma validade.

Não lhe dei uma nota mais alta precisamente porque, por norma, penalizo os discos que não trazem, como referiste em relação a este, nada de substancialmente novo.

Abraço