sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Coldcut - Sound Mirrors

Apreciação final: 7/10
Edição: Ninja Tune/Symbiose, Janeiro 2006
Género: Electrónica/Trip-Hop
Sítio Oficial: www.coldcut.net








Eles não são nenhuns novatos, andam pelo underground britânico há tempo suficiente (duas décadas) para merecerem a admiração da electrónica de inclinação dançarina. Muitos remixes, colaborações e criação de selos (entre eles, a Ninja Tune) depois, as lendas Jonathan More e Matt Black estão de regresso às gravações de estúdio, nove anos volvidos do último registo. Para Sound Mirrors, a dupla convocou um rol extenso de músicos célebres e oriundos de vários cenários musicais, concebendo a mais ecléctica opus do seu catálogo. Dos convidados ilustres ressaltam os nomes do roqueiro americano Jon Spencer, do rapper Mike Ladd, do underground rapper Roots Manuva, do Dj Robert Owens e do projecto experimentalista Fog. Como está bom de ver, o disco é um ajuntamento de géneros, percorrendo classes distintas da música electrónica, umas mais contemporâneas do que outras, mas sempre tentando convergências com as atmosferas progressivas do trip-hop. E, embora a estrutura das composições não aponte rumos novos (parece tentar acomodar os códigos antigos à linguagem actual) e, pior do que isso, se assemelhe a um amontoado de peças esparsas, a produção é cuidada e destaca um som profundamente urbano. Urbano demais, dir-se-à, já que o disco não envolve convincentemente o ouvinte na empatia sugerida pelos ambientes sonoros, deixando-o no frívolo meio-termo entre o apetite de descobrir mais ou, ao invés disso, preterir a sugestão.

Sound Mirrors é um caleidoscópio de vistas largas sobre as várias concepções da electrónica (e misturas audazes com outros formatos) e, por isso, é também uma obra fragmentada. Ainda assim, a vitalidade palpável de composições como o explosivo single "Everything Is Out of Control", a deliciosamente retro "Just For The Kick", a mecânica digital do tema-título ou o vangardismo experimental de "A Whistle and a Prayer", confirma que, se Sound Mirrors resulta algo desconjuntado, também funda porções suficientemente iluminadas que, a par da produção, bastam para o não fazer um disco inferior. Até porque é a prova provada de que nem todos os dinossauros estão extintos. Estes, prosseguem as suas jornadas exploratórias e continuam a jogar habilmente com o pulsar electrónico. Nem a erosão do tempo os demove da satisfação de criar a bel-prazer .

1 comentário:

membio disse...

não sei bem pq, mas esta banda simplesmente não me convence... tb não podemos gostar de tudo né :)