quarta-feira, 1 de junho de 2005

Audioslave - Out of Exile

Apreciação final: 6/10
Edição: Interscope, Maio 2005
Género: Pós-Grunge/Hard Rock







Das ruínas dos assertivos Rage Against The Machine e dos fecundos Soundgarden, ícones do rock americano da década de 90, surgiu o projecto Audioslave, com Chris Cornell, um dos mensageiros do movimento grunge, e três membros dos RATM, o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk. O primeiro álbum do super-grupo, editado em 2002, falhava o intento de decretar uma sonoridade nova e apresentava evidências da interferência maior de Cornell, chegando-se mais ao registo costumeiro das melodias do ex-Soundgarden e separando-se da toada hip-hop de aversão que Zach de la Rocha incutia nos RATM. O segundo álbum dos Audioslave, Out of Exile, é um balão de ensaio na procura de um discurso próprio da banda. Mais uma vez, as composições são encaminhadas pelo diapasão de Cornell, ainda que se perceba um compromisso maior de intervenção dos restantes membros do grupo. Mas será isso suficiente para inovar? Os riffs de Tom Morello, embora diligentes e apelativos, são cada vez mais iguais a si mesmos, a energia dos RATM está em esvaimento e o dejá-vu Soundgarden surge em assombro teimoso. Apenas a espaços, como em "Doesn't Remind Me", "Dandelion" e "The Curse", o grupo alcança vibrações diferentes e deixa pistas para um porvir com outro frescor criativo.

Conquanto promova a confirmação do colectivo americano como um seguro ensemble rock, Out of Exile é encoberto pela assinatura inconfundível de Cornell e faz, por isso, as delícias dos nostálgicos dos Soundgarden mas soa a mais um ensejo perdido pelo quarteto para saldar as contas com o legado da antecedência e fundar definitivamente os alicerces de um rumo sónico díspar. Que nos próximos capítulos (se os houver...) sejam capazes de encontrar essa marcha e confirmar as ténues promessas que inscreveram neste trabalho.

1 comentário:

João disse...

Quem disse que se os Audioslave fizerem lembrar os Soundgarden ou os RATM isso é um ponto negativo? Até acho que esse é o ponto forte da banda: a mistura das guitarradas electrizantes de Morello com a voz dúctil de Cornell. É um bom álbum de uma banda competente e que consegue criar sinergias com a junção de elementos que pertenciam a duas bandas distintas.