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terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Problemas técnicos


Alguns problemas de ordem técnica vão impedir-me de colocar novos posts nos próximos dias. Por esse motivo, aqui deixo as minhas desculpas e a promessa de regressar num curto espaço de tempo, o mais tardar no início do novo ano.

Ainda assim, para os utilizadores do apARTES não ficarem "de mãos a abanar" deixo aqui algumas sugestões de discos para os próximos dias:

- Carlos Libedinski "Narcotango" (Tango electrónico a la Gotan Project);
- Cult Of Luna "Salvation" (Metal Alternativo/Experimental);
- V/A "Amália Revisited" (Outra visão do fado tradicional);
- Marlango;
- Sam Roberts "We Were Born In A Flame";
- Tuxedomoon "Cabin In The Sky";
- Rolling Stones "Live Licks";
- Vanessa Mae "Choreography";
- John Frusciante "Shadows Collide With People";
- Keith Jarrett "The Out-Towners";
- Nancy Sinatra;
- Ney Matogrosso, Pedro Luís e a Parede "Vagabundo".

Obrigado.
Feliz Natal e Bom Ano de 2005.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Matozoo - Funk Matarroês

Apreciação final: 7/10
Edição: Janeiro 2004
Género: Hip-Hop



A nota de imprensa de lançamento deste registo rezava assim (em maiúsculas estão os títulos das faixas deste disco):

"FUNK MATARROÊS, é o título que melhor descreve o estado musical das nossas ALMAS. Numa era em que é mais fácil gritar A CULPA NÃO É MINHA, refutam-se responsabilidades em vez de preparar o futuro PARA A SEMENTE. Não acreditamos em revoluções utópicas, por isso gritamos CANCELEM O APOCALIPSE...porque Nóides fazem música colados a uma FÓRMULA. A verdadeira revolução acontecerá, apenas, quando forem dados 4 TIROS NA INDÚSTRIA e O REGRESSO DO APÓSTOLO for eliminado. Assistiremos à INVASÃO DOS DRÓIDES MATARROÊSES, em cativeiro desde que soaram os TROMPETES DE 95. Caso a mudança não ocorra em B MIL E C com este FUNK MATARROÊS, continuaremos “mais ao lado”, a fazer soar TROMPETES EM 2014. Até lá, continuaremos os KOMBATES KOM MORTAIS e o QUE FOI, FOI e o que será, será!"

É preciso dizer mais? A isto junta-se um espírito assumidamente rebelde, um discurso perspicaz e directo (às vezes demais!), num disco do mais duro hip-hop nacional. Se Funk Matarroês não deu os tais quatro tiros, pelo menos fez uso da melhor arma do rap: a independência. A etiqueta Matarroa (de Matosinhos) apoia os rapazes e eles afirmam-se. Atenção aos Matozoo...eles andam aí!

Guided By Voices - Half Smiles Of The Decomposed

Apreciação final: 6/10
Edição: Agosto 2004
Género: Pop-Rock Alternativo/Indie



Os americanos Guide By Voices conquistaram o seu espaço no underground graças a um som lúcido, apaixonado e franco. Este registo é mais psíquico, portanto mais denso e, talvez, menos imediato. Também por isso, afasta-se um pouco do padrão costumeiro do grupo, compondo um alinhamento puramente indie, com fogachos de pop, em esquissos sonoros aprazíveis.

A versatilidade lo-fi dos Guided By Voices é aqui retesada ao extremo e responde, periclitante, num portento de energia centrífuga e, por isso, desconcertada e dividida. Não nos iludamos, Half Smiles Of The Decomposed é um bom disco, mas mostra faces ocultas dos Guided By Voices e, com elas, vem a prova de que nem sempre a aventura é o caminho certo, especialmente se o passado pesa nas costas. Ainda assim, vale a pena escutar este registo. Se nenhum motivo sobrar, seja porque foi anunciado como o último dos Guided By Voices.

Estradasphere - Quadropus

Apreciação final: 5/10
Edição: Outubro 2003
Género: Rock Experimental/Étnica/Jazz-Rock/Fusão



Estradasphere é um curioso projecto de fusão entre a étnica, o jazz e o experimentalismo. A música é complexa, integra vocalizações soltas, instrumentalizações de acalmias caóticas, percussões electrónicas e engenho criativo. As semelhanças com os Secret Chiefs 3, mesmo com os Mr. Bungle, piscam-nos o olho, ironicamente, a cada faixa. Mas Quadropus não se esgota aí.

A música é tímidamente sumptuosa, como fundo são servidos arranjos de sopros estimulantes e que balanceiam os restantes elementos das composições. Apesar do bom gosto e da honestidade da proposta, parece faltar a este registo a espessura de outras ofertas do mesmo género. As músicas são vãs, algo inconsistentes e, mais do que isso, são demasiado superficiais para serem levadas a sério. Definitivamente, Quadropus parece bem, mas não conquista.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

Kaada & Patton - Romances

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Rock Experimental/Pós-Rock/Electrónica Experimental



Quando se junta a mente assombrada de Mike Patton e a sedução onírica de John Kaada o desfecho é um disco que assume proporções quase-cinematográficas, algures entre o assustoso e o tentador. As músicas são melódicas, pousadas em estruturas elásticas, desprendidas de convencionalismos escusados e personificam a luxuosa míriade de influências trazidas pelo norueguês Kaada. As vocalizações são extravagantes, as mais das vezes, e timoratas, noutros momentos do registo. Se ainda dúvidas houvesse, o engenho vocal de Mike Patton é aqui estirado ao extremo, dos agudos pungentes aos graves guturais, conferindo a Romances um espírito invulgar, um misto inesperado de sentimentalismos fervorosos e medos frios.

Romances é verdadeiramente apelativo, não só para os fãs de Kaada ou Patton, também para quem busca uma macabra banda sonora do amor.

90 Day Men - Panda Park

Apreciação final: 7/10
Edição: Fevereiro 2004
Género: Rock Indie/Alternativo



Os 90 Day Men são complexos, psicadélicos, progressivos e new wave. Ainda assim, estes rótulos são redutores, a sua essência vai bastante além de qualquer classificação. Panda Park é o registo mais recente. Que dizer sobre este trabalho único? É inegável que se trata de um disco luzidio, de uma banda à procura da afirmação, em obstinada evolução. Sete faixas vincadamente insanas, em devaneio alucinado de esquisitices, paranóias e aberrações. Há aqui influências do punk, do rock progressivo e doses incomensuráveis de engenho. Além disso, a fusão entre a electrónica retumbante e a serenidade acústica é de bom nível, conjugando pertinentemente o talento dos músicos.

Panda Park é um disco de surpresas anfetamínicas, de desvarios coloridos e que não deixa de ser fracturante, mesmerizador e, acima de tudo, original. Grande álbum.

American Music Club - Love Songs For Patriots

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Pop-Rock Alternativo/Indie/Folk



Os californianos American Music Club, liderados por Mark Eitzel, gravaram sete álbuns, todos aclamados pela crítica, e cativaram um razoável número de seguidores. O projecto foi desmantelado em 1995, tendo retomado a sua actividade em 2003. Dessa inesperada reunião culminou nasceu Love Songs For Patriots.

Se os álbuns a solo de Eitzel eram omissos, neste registo há uma integridade superior, o ensemble de músicos dos American Music Club dá outra expressão às criações de Eitzel, enriquecendo-lhes a propensão sardónica, a melancolia e o slowcore.

Este Love Songs For Patriots não será o melhor trabalho dos AMC, nem o pior, mas vem provar que a fórmula do grupo é ainda capaz de propôr um disco suficientemente interessante para merecer uma audição. Ultrapassado o hiato de dez anos, resta-nos esperar que este não seja o canto do cisne e que, de onde brotou Love Songs For Patriots, haja sementes para algo mais.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Introdução do posto de escuta

No quadro das renovações e melhoramentos de que o espaço apARTES tem sido alvo, anuncio mais uma novidade: a partir de hoje, os utilizadores deste blog podem desfrutar de amostras dos discos em análise, o que permite uma identificação mais apurada das propostas musicais, melhorando a qualidade do serviço prestado pelo apARTES.

Como sempre, o meu mail está disponível para qualquer crítica e/ou sugestão.

O meu agradecimento a todos os que visitam o apARTES.

Dresden Dolls - The Dresden Dolls

Apreciação final: 8/10
Edição: Abril 2004
Género: Pop-Rock Alternativo/Punk Revivalista/Cabaret



Natural de Boston, o duo Dresden Dolls assume o revivalismo do punk, mistura-o com o glamour exibicionista do cabaret, produzindo uma música que vence os ortodoxismo mais resistentes. Amanda Palmer (voz e piano) e Brian Viglione (bateria) juntaram-se em 2001 e rapidamente se tornaram um projecto interessante no seio do pop-rock alternativo, rasgando o rótulo da conotação riot girl e acolhendo as influências da música de cabaret da Alemanha dos anos 30. A música resulta inteligente, fundindo culturas e experiências musicais variadas e revelando influências muito diversas, que vão de Marlene Dietrich e Kurt Weill a Pj Harvey ou Tori Amos, e ainda, a espaços, Courtney Love. A combinação de géneros parece improvável mas acaba por se traduzir num título coerente, com extremo bom gosto, composições equilibradas que não soam forçadas, antes despontam com a naturalidade que lhes advém da criatividade.

The Dresden Dolls é um registo profundamente recomendável a todos os que procuram a frescura e que apreciam a música que se orgulha espaventosamente de ser aquilo que é: autêntica.

Bizarra Locomotiva - Ódio

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Metal Industrial/Alternativo



O projecto Bizarra Locomotiva conta já alguns anos no underground industrial nacional, talvez ficando aquém do crédito merecido. Estão de volta com Ódio. E que dizer do novo trabalho? O som corrosivo mantém-se, as guitarras distorcidas, a voz gutural, a electrónica aqui e ali e muito, mesmo muito, talento. A juntar à música, os cenários sombrios, quase surreais, encantadoramente negros das letras. O senão: o disco não acrescenta nada à carreira da Locomotiva; é certo que tem algumas boas canções, a fórmula está longe do esgotamento, mas o grupo não inova, continua preso a si mesmo. Coerência ou impotência? Deixe-se ao critério do ouvinte. Uma verdade é indesmentível quando se ouve Ódio: os Bizarra Locomotiva são um dos mais interessantes projectos nacionais de metal industrial e merecem chegar a outros públicos. Talvez o lançamento do álbum com o jornal Blitz possa dar uma mãozinha.

Quem não conhece os Bizarra Locomotiva pode pensar numa lunática fusão entre os Mão Morta e os Marilyn Manson (alguns temas têm partes quase recalcadas - "Moscas" não é um quase-plágio de "Anti-Christ Superstar"?). Os conhecedores...bom, esses já devem ter Ódio que chegue no leitor de cd's. Esperemos é que a Locomotiva não siga a filosofia da faixa "O Frio", onde a letra fala de uma "evolução para a...morte".

Isis - Panopticon

Apreciação final: 8/10
Edição: Outubro 2004
Género: Metal Alternativo/Grindcore



O projecto Isis encerra uma concepção de música única, intrinsecamente densa, marcada pelo espiritualismo e pautada por ambientes pesados, de atmosfera complexa, agressiva e crua. Este quinteto de Boston abraça a composição com algum surrealismo, expresso no recurso insistente ao feedback, a acordes intensos, a uma dinâmica de contrastes intensos entre o silêncio e o oposto, vocalizações elásticas, as mais das vezes em gritos angustiantes, confundidos na distorção das guitarras. Mas os Isis são ainda mais do que isso, vão muito além do simples heavy metal. São também os artesãos de um som experimental, que expõe as vísceras da raiva, em jeito ameaçador, simultaneamente reflexivo, partindo das guitarras e construíndo canções sem estrutura, aparentemente caóticas, mas com um fio condutor puro, abstracto por convicção, semeado algures entre as distorções e os gritos.

Os Isis são uma espécie de Tool-meets-Pink Floyd do heavy metal, estão no meio de uma transformação evolutiva que ainda não atingiu o máximo, mas dele se aproxima a cada registo. Panopticon é "apenas" a metamorfose mais recente.

A Girl Called Eddy

Apreciação final: 7/10
Edição: Agosto 2004
Género: Pop-Rock Alternativo/Cantautor



Lembram-se de Rosie Thomas, Beth Orton ou Aimee Mann? O projecto A Girl Called Eddy, cuja mentora é Erin Moran, segue essas pistas valiosas. Três anos depois do extraordinário EP Tears All Over Town, chega-nos o primeiro longa duração de Moran. Produzido por Richard Hawley e Collin Elliot, o registo é uma confissão melancólica e íntima, serenamente pautada por uma produção algo sofisticada. A composição não poderia deixar de ser influenciada por um certo romantismo, embalado na interjeição permanente de secções de cordas que enriquecem o conteúdo musical.

A alma das canções é praticamente tangível, não é ensimesmada, redime-se das
fraquezas e expõe-se com uma crueza tocante e uma sensibilidade arrebatadora. A natureza maioritariamente acústica do disco contribui para o aproximar mais do ouvinte e, sem ser meloso, impele-o a comover-se. A proposta é irrecusável, o coração de Moran despe-se a cada palavra e acorde, num registo de sinceridade assombrosa. Moran declara-se a nós, ama-nos pela música. Vencidos pela sedução, resta-nos ouvir A Girl Called Eddy durante muito tempo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Humanos

Apreciação final: 8/10
Edição: Dezembro 2004
Género: Pop-Rock



O legado de António Variações faz parte do mais valioso património da música portuguesa. As suas canções ditaram novas regras no panorama artístico nacional, rompendo barreiras de letargia e trazendo uma renovada frescura à pop nacional. O projecto Humanos, com as vozes de Manuela Azevedo, David Fonseca e Camané, recupera parte dessa herança, com a responsabilidade acrescida que decorre do facto de os temas serem inéditos, baseados em gravações domésticas do malogrado cantor, entregues à Valentim de Carvalho pela sua irmã, há cerca de dez anos.

O resto é puro Variações: músicas naif e algo excêntricas, letras irónicas e humoradas. O corpo de Humanos é outro, a voz também, a alma é a de António. Tudo soa a ele, e soar a Variações é abeirar-se do genial relaxamento de fazer-se o que se quer, sem leis e imposições, apenas no livre gozo da expressão musical. E Variações fazia-o como ninguém. Os Humanos seguem-lhe as pisadas, abraçam as músicas, não as desvirtuam e sobressai o inevitável espírito de António. Deixemos a modernidade da sua (re)aparição invadir-nos. E apreciemos o seu talento inconfundível através dos Humanos.

Na segunda faixa, a letra de Variações profetiza: "vou viver, até quando eu não sei, (...) quero é viver". Os Humanos mostram-nos que Variações desapareceu, mas jamais morrerá. Um grande disco.

The Incredibles - Os Super Heróis

Apreciação final: 6/10
Edição: 2004
Género: Animação


The Incredibles - Os Super Heróis é a nova proposta dos estúdios Pixxar. O enredo é centrado numa família de super-heróis forçada a viver no anonimato, depois de uma série de processos judiciais movidos contra si. Mr. Incredible, agora com a identidade de Bob Parr (quem se lembrou de transformar o nome em Beto Pêra na tradução legendada?), vive com a esposa Helen e os seus três filhos. A nostalgia do heroísmo leva Bob a deixar o emprego frustrante numa seguradora e a aceitar uma misteriosa proposta para voltar ao papel de herói. A partir daí, a super-família vai ter de recorrer aos poderes especiais reprimidos para voltar a salvar o mundo.

The Incredibles - Os Super Heróis eleva o cinema de animação a um nível técnico não atingido antes, com grafismo soberbos e pormenores visuais perfeitos - o detalhe dos cabelos das personagens e dos cenários é notável. Contudo, se tecnicamente o filme é o melhor do seu género, já no argumento e na dinâmica do enredo fica aquém desse estatuto, parecendo especialmente dirigido aos públicos mais jovens e menos a outras camadas de espectadores. Ainda assim, é um razoável convite ao entretenimento.

Kimmo Pohjonen - Kluster

Apreciação final: 7/10
Edição: Junho 2002
Género: Étnica/Acordeão/Electrónica



Kimmo Pohjonen é hoje um dos mais afamados embaixadores da música tradicional da Finlândia, trazendo uma sensibilidade moderna ao característico som do acordeão. Neste registo, cujo espectáculo passou recentemente pelo nosso país, o músico associa-se ao guru finlandês do sampling, Samuli Kosminen. Ambos são conhecidos pelo vanguardismo e a parceria leva o som do acordeão a terrenos bravios. O conceito é simples: integração do acordeão com modernas percussões e elementos electrónicos, na concepção de uma música multidimensional e inovadora, pimentada por vocalizações disperas, sem rumo e obscuras.

A experiência de Kluster é futurista, funde tradição e improviso, aceita o contraste com ponderação e surpreende mesmo os mais vanguardistas. Não há lugar para a pasmaceira da cómoda composição corriqueira, tudo é minuciosamente pesado, em ambientes coloridos, feitos de visões caleidoscópicas e esparsas frases melódicas. Kluster abre novos caminhos, arrebata pela surpresa viciante e cativa irremediavelmente. Para manter por muito tempo no leitor de cd's.

Jesse Malin - The Heat

Apreciação final: 6/10
Edição: Junho 2004
Género: Pop-Rock Alternativo/Cantautor



Jesse Malin nasceu para a música como vocalista dos D Generation, projecto a que esteve associado durante oito anos. O registo dessa banda pairava entre o glam-rock e o punk foleiro, ainda que com alguma substância musical. Esse substrato é mais visível nos títulos a solo do nova-iorquino Jesse Malin. The Heat é a nova proposta do músico, depois das promessas suscitadas com The Fine Art of Self Destruction, álbum que havia sido produzido por Ryan Adams.

Este trabalho é um registo honesto, de coração aberto, muito a la Neil Young, contando histórias de amores perdidos e oportunidades esquecidas. Todavia, o nível da composição fica aquém do seu anterior trabalho, destacando-se uma ou outra faixa, com uma formatação cada vez mais baladeira e tipicamente americana. Não se pode dizer que The Heat seja um fiasco, afinal é apenas o segundo disco de Malin, mas não se evita algum desapontamento face às expectativas criadas com o primeiro registo.

Wovenhand - Consider The Birds

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004
Género: Pós-Rock/Folk Experimental/Country Alternativo



O enigmático líder dos extintos 16 Horsepower, David Eugene Edwards, começou a gravar sob a designação Woven Hand (neste disco grafado Wovenhand) em 2001. Os fãs dos 16 Horsepower reconhecem instantaneamente a mesma matriz sonora nos trabalhos de Woven Hand: gospel aguçado, folk assombrado e tons mordazes.

Em Consider The Birds, Edwards assume a quase totalidade das instrumentalizações, num tomo de canções sem pretensões, marcadas por dissonâncias intencionais de uma voz forte, em tom confessional de mágoas expressivas, de almas refulgentes e de auras de humanismo.

O registo não será o seu mais brilhante trabalho, mas é um disco reflexivo e que traduz a sensibilidade artística de Edwards.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

apARTES renovado!


Os frequentadores habituais do apARTES já terão percebido que o espaço mereceu uma reformulação gráfica significativa. É minha intenção que as alterações tornem o apARTES mais apelativo, aproximando-o das necessidades dos cibernautas que buscam informação sobre música e outras artes. Nesse intuito, algumas mudanças poderão ainda ser introduzidas nos próximos dias.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os que passaram pelo apARTES desde a sua inauguração e manifestar a esperança de que este blog continue a responder às exigências dos seus utilizadores.

Obrigado por tudo.
Votos de uma feliz época natalícia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

The Gift - AM/FM

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Pop Alternativa/Electro-Pop



Definido pelos elementos da banda como o disco mais ambicioso da sua curta existência, AM/FM apresenta-se no formato duplo, com dezasseis temas distribuídos por dois CD's.

Que dizer sobre este trabalho dos The Gift? O primeiro disco, intitulado Am apresenta um som diferente de Film, mais experimental, com um conteúdo electrónico sólido, numa onda de reinvenção dos conceitos sonoros do grupo. É certo que estas faixas são menos consensuais, mas encerram em si mesmas um potencial criativo superior aos anteriores trabalhos da banda e sugerem pistas para novos trilhos de êxito no futuro. AM aprova definitivamente os The Gift como um seguro projecto na área de electrónica-experimental nacional.

FM é o segundo disco. A sonoridade é mais pop do que em AM. Mantém-se o tom electrónico do registo, mas os refrões são mais orelhudos, como em "Driving You Slow" e "11.33", sem nunca se deixarem seduzir pelo mainstream descabido.

AM/FM é o trabalho mais ambicioso dos The Gift e, porventura, o mais valioso também. As composições podem não ser tão imediatas quanto as dos registos anteriores, mas seguramente constituem pequenos trechos de uma originalidade invulgar e têm uma essência de talento que promete fazer dos The Gift aquilo que eles ainda não são. Mas lá chegarão se mantiverem a tendência de AM/FM. Este trabalho ainda não é a obra-prima que os The Gift fazem prever para si mesmos, mas está muito próximo. Um dos melhores nacionais do ano.

A Paixão de Cristo

Apreciação final: 7/10
Edição: 2004
Género: Drama


O polémico filme de Mel Gibson, é um relato visualmente agressivo das últimas horas de Cristo, da traição de Judas, da prisão, das acusações de blasfémia e da condenação à morte.

O enredo é expressivo, a violência física é explicitada até aos limites do aceitável, formando uma obra pungente, que comove (ou repugna) pela sua agressividade visual, mas que não deixa de ser um testemunho da cruel natureza da humanidade. Cristo é um mártir da civilização cristã, foi negado e violentado sem dó, mesmo pelos seus seguidores e A Paixão de Cristo atira-nos essa verdade à cara. É excessivo? Talvez, mas as consciências só acordam se socadas. E este filme lesa-nos e dá que pensar.

Uma nota para a interpretação sóbria de James Caviezel e para os diálogos realisticamente apresentados em aramaico, hebreu e latim. Se como produto cinematográfico A Paixão de Cristo ficou um pouco aquém do que a história de Cristo impõe, já como dissertação das traições do homem, resulta cruel mas pertinente.