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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Tarwater - Spider Smile

7/10
Morr Music
2007
www.tarwater.de



O duo berlinense Tarwater é um caso curioso de construção estética. A electrónica é, desde as primícias do seu percurso, a prerrogativa dominante das estruturas melódicas, muitas vezes apenas instrumentais mas guardando um vínculo distante (quase conjectural) com o formato canção. Todavia, se os primeiros passos de Bernd Jestram e Ronald Lippok (também envolvido no pós-rock dos To Rococo Rot) mostravam uma certa primazia das formas descontínuas de sondar o lado negro do dub e, ao mesmo tempo, opunham bandos sonoros (às vezes, formalmente inconciliáveis) de escolas diversas da electrónica, assim clivando diferenças sistémicas para a mais convencional das matrizes de composição, os trabalhos mais recentes desvendam a harmonização dessas premissas com aquilo que pode chamar-se de fôlego pop. O estúdio (e a preciosa alquimia que aí se produz) continua a ser um condutor incontornável, ou não dependessem estas composições de uma cuidada edição de sons e, sobretudo, da identidade orgânica dos elementos de síntese, mas é sem reservas que a dupla berlinense assume definitivamente o que se adivinhara no álbum anterior, acomodando-se a num registo mais próximo da matriz verso-refrão tradicional. No fundo, percebe-se que essa predisposição para reduzir a ambiguidade formal das composições, não lhes subtraiu o vigor hipnótico ou a excelência sónica do costume - com aquela elegância que faz lembrar os Velvet Underground, como que renascidos na cena electrónica independente alemã - e isso é uma qualidade deste Spider Smile que, vendo emendadas algumas deficiências menores, poderá render uma obra maior no futuro.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Tarwater - The Needle Was Travelling

Apreciação final: 7/10
Edição: Morr Music, Março 2005
Género: Pós-Rock/Electrónica Experimental/Indie Rock







Os alemães Bernd Jestram e Ronald Lippok (To Rococo Rot) desenharam o projecto pós-rock Tarwater e alvitram, no quinto registo da sua carreira, texturas sónicas suculentas, marcadas pela presença de guitarras cristalinas, elementos electrónicos espaciais e vocalizações melífluas. As fatais comparações com os To Rococo Rot são prontamente vencidas pelo imediatismo das composições de The Needle Was Travelling, onde vinga uma certa opulência vanguardista que suporta o tom melodioso e acústico do disco. A junção electrónico-acústica deste registo reduz o peso dos computadores, tão notado em trabalhos anteriores, e funciona com primor em persistente apelo à redescoberta de cada nota do álbum. Pleno de urbanidade, feito de histórias do quotidiano e abeirando-se inteligentemente de um tom motejador, The Needle Was Travelling faz sofisticada psicologia sonora e esgueira-se habilmente a redutoras tipificações.

Melodias garbosas, letras rectas, inflexões ponderadas e batidas sincopadas compõem The Needle Was Travelling. A única ressalva: a tendência repicada de algumas faixas e o acento monocórdico da voz de Lippok podem resvalar, em ouvidos menos treinados, para a monotonia. Domados esses laivos de deslustre, o disco é conceptual e assume-se como uma narrativa audaz e apurada de instantes ligeiramente sombrios, quase nocturnos, e que deve ser descoberto pausadamente, até se lhe perceberem os distintos méritos que se ocultam na intrincada matiz das composições.