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quinta-feira, 10 de maio de 2007

Electrelane - No Shouts, No Calls

6/10
Too Pure
Popstock
2007
www.electrelane.com



O percurso das inglesas Electrelane, com um quarteto de álbuns no histórico, é prova plausível de que não é preciso ser-se um artífice com competência técnica superlativa para merecer a atenção do orbe melómano. Escrutinada sob um ponto de vista meramente técnico, a obra das quatro raparigas de Brighton desvenda, aqui e ali, algumas minudências de tosca execução instrumental e isso é, como nos tomos anteriores, particularmente sensível neste No Shouts, No Calls. Não obstante o inevitável embaraço estrutural que tal facto projecta nas composições, sobrando a sensação de que, de certa forma as Electrelane ainda andam a apalpar terreno à procura de poiso estável, a verdade é que é precisamente essa rusticidade uma das mais-valias do quarteto e um dos seus traços identitários mais proveitosos. Ao mesmo tempo, neste quarto trabalho, as meninas devolvem-se ao formato pop mais convencional (sem renunciarem à luminária decisiva do krautrock), resgatando uma presença (muito) mais efectiva da voz de Verity Susman (em comparação com o laboratório de sons de Axes) e, sobretudo, usando o experimentalismo e abstracção apenas como matéria colateral (mais sentida na segunda metade do disco). Nesse sentido, No Shouts, No Calls é um dos mais acessíveis exercícios das Electrelane mas, ainda assim, mesmo dando provas de uma delimitação mais concreta da estética predilecta do quarteto, não passa despercebida a inconsistência de uma escrita capaz de produzir momentos altos ("The Greater Times" ou a instrumental "Tram 21") e de, com a mesma presteza, resvalar para a vulgaridade.

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Electrelane - Axes

Apreciação final: 7/10
Edição: Too Pure, Maio 2005
Género: Pós-Rock/Indie Rock/Rock Experimental








Elas são quatro raparigas de Brighton, juntaram-se em 1998 e saltaram para a ribalta com o luminoso The Power Out (2004), um álbum que sublinhava o seu conceito sonoro de caos arrumado, embora num registo substancialmente mais pop do que o primeiro disco. Axes, o terceiro trabalho das Electrelane, marca uma reaproximação à matriz de quase-improviso, pontuada essencialmente pelas extensas composições instrumentais e esparsas aparições das vozes. A proposta subjacente à música das Electrelane capta a força motriz das teclas, as mais das vezes do piano, e usa-a como fio condutor do disco. Nesse tom, o ensemble inglês afirma-se destemidamente como uma das sumidades do pós-rock instrumental, capaz de gerar sinergias imparáveis e harmonias de excepção e de, com semelhante valimento, integrar o improviso e a melodia apelativa. Todavia, em Axes esse balanço não tem equilibrío: a banda esticou a ventura do improviso, prescindindo da deliciosa fusão com a pop que tão bem havia feito no disco anterior. Também por isso, o som é um pouco mais negro, tem feições mais opacas sem melindrar a assinatura costumeira do grupo. A complexidade da escrita evoca cenários auditivos variegados e reclama um imaginário consistente de mistério, mesmerismo e catarse. E isso as Electrelane fazem como poucos.

Axes é um mundo imaterial de divagações sem bússola pela intemporalidade da música. Cativante e desafiador, especialmente no último quarto do alinhamento, o disco apenas é penalizado pelo cotejo com o seu antecessor. Da comparação, sobressai o laconismo de Axes que disfarça o paradoxo de uma certa dispersão criativa com um incómodo formulismo. Sintomas de conformismo? Ainda assim, o disco é viciante e, não sendo o passo em frente que se esperava, merece encómios largos e vem provar que a corrente criativa das Electrelane segue no leito certo. Mas produz uma objecção inquietante: qual é a excepção e qual faz regra na idiossincrasia do grupo - a eminência criativa de The Power Out ou a indagação suavemente excêntrica de Axes? Independentemente disso, Axes simboliza o hábil bosquejar de uma banda à procura do magno produto artístico. E as Electrelane estão lá perto.