sábado, 27 de maio de 2006

Dirty Pretty Things - Waterloo to Anywhere

Apreciação final: 7/10
Edição: Vertigo/Universal, Abril 2006
Género: Rock Revivalista
Sítio Oficial: www.thelibertines.org.uk








Pete Doherty e Carl Barât dividiram o núcleo criativo (e as vozes) dos The Libertines, projecto britânico de rock revivalista que, com dois álbuns pouco mais do que medianos, gerou algum hype na imprensa conterrânea. Depois da ausência de Doherty na última digressão europeia dos londrinos, as sequelas tornaram-se indisfarçáveis: enquanto Doherty se desviou, numa trajectória errante a colidir muitas vezes com a justiça e os media (até chegou a ser dado como morto por overdose), fundando os Babyshambles, o compincha Barât responde agora, com o primeiro álbum dos Dirty Pretty Things. Se os Babyshambles se tornaram um cata-vento ao sabor das derivações babélicas rock de Doherty, livrando-o de quaisquer estorvos, os Dirty Pretty Things abeiram-se mais do ensemble original, pelo menos nas suas horas mais eléctricas, armando o disco da obrigatória teatralização de garagem. Intencional ou não, Waterloo to Anywhere mais do que rivalizar com a oferta de Doherty, acolhe as vistas do Brit rock ondulado dos Franz Ferdinand, dos Futureheads ou dos Maximo Park e, mesmo assim, não chega a distinguir-se claramente onde começam os Dirty Pretty Things e terminam os The Libertines (além de Barât, também o baterista ex-Libertines Gary Powell integra a banda).

Waterloo to Anywhere não é um baú de surpresas. O triunfalismo de algumas composições resume-se a um enxerto bastardo dos The Libertines, pegando na mesma aspereza nostálgica e sentido de urgência, empacotando tudo com menos um ingrediente (Doherty) e fazendo de conta que o ontem não existiu. Sujidade punk, caneta afiada, ângulos precisos, sombras e ambição são os predicados essenciais de um disco que confirma o rasgo de sobrevivência de Barât sem o controverso parceiro de escrita, embora seja coisa custosa entrever os sinais de diversidade. Afinal, escutar Waterloo to Anywhere é pouco mais do que jogar ao "descubra as diferenças" com um dos álbuns dos The Libertines. E Pete Doherty, não estando presente, bem que pode ser imaginado na figura de um Wally invisível. Onde está o Wally?

1 comentário:

Kraak/Peixinho disse...

Exacto! De qualquer forma, na minha modesta opinião, nada que chegue ao primeiro álbum dos Libertines :)

Hugzz