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terça-feira, 6 de março de 2007

Rjd2 - The Third Man

6/10
XL Recordings
2007
www.rjd2site.com



Depois de terminado o compromisso com o selo Def Jux, uma das primeiras confissões de Jon Krohn (aka Rjd2) remetia para a vontade do músico em redireccionar a sua música e embarcar numa rota pop. Ora, sabendo-se que os códigos pop não rimam especialmente bem com samples nem com electrónica de gueto, o produtor deixou de lado uma parte significativa da sua identidade, apostando, em The Third Man, numa orgânica instrumental menos sintética (com a excepção das batidas) e, outro facto novo, juntando vocais seus às composições. Além disso, a luminária hip hop, sempre presente nos trabalhos anteriores, foi igualmente dispensada, em favor de construções alinhadas com as essências pop mais convencionais e, por inerência, menos flexíveis. Tal perda de elasticidade é empolada pelo registo vocal que, ao somar um espectro tonal estreito, acaba por reduzir a eficácia das melodias, excepção feita à oportunidade de "Beyond the Beyond". O saldo final, ponderados os óbices e as virtudes do disco, suscita uma reflexão: Rjd2 continua a ser, mesmo com um ou outro exagero, um malabarista de sons de escol. E o novo tomo é uma simpática colecção de vestígios para um acontecimento maior que ele terá na forja.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

RJD2 - Since We Last Spoke

Apreciação final: 7/10
Edição: Maio 2004
Género: Underground/Hip-Hop Experimental/Samples




O projecto RJD2 atribui a si mesmo uma consciência de enigma na encenação sónica de paisagens misteriosas, algures entre uma firme asserção experimentalista e uma manifesta aura underground. Definidor de novos padrões musicais e outras tonalidades acústicas, R.J. Krohn - o homem por detrás do nome - tem prazer em vascolejar a cena musical. E fá-lo com a zomba de um excluído. Será pretensioso vender-nos um conceito sónico que confunde as medidas soul com as percussões do funk e que envolve tudo numa atmosfera soul jam session muito retro? Arriscado é, certamente.

Since We Last Spoke não é catalogável numa categoria estanque. A vaga criativa que esquadrinha este título é o mais incontestável indício de que Krohn prossegue no intuito de achar uma personalidade musical própria, demarcada de tradicionalismos, profusamente criadora e exploradora das ressonâncias da emoção. As faixas de Since We Last Spoke seguem variações rítmicas, fazem-se de altos e baixos alternantes, antecipando o clímax incerto.

Reduzir este disco ao universo hip-hop não é fazer-lhe justiça; essas fronteiras são galgadas em marcha lenta, às vezes downtempo, com uma altivez cool, numa inspirada re-intrepretação da soul clássica. Não se trata de um revivalismo vulgar, antes de uma reformulação que, não contestando os rumos de antanho, os reinventa com o jeito inato que só é predicado dos visionários. O traço polido de Krohn e a urbanidade do seu cunho fazem deste Since We Last Spoke um corpo cósmico de um espaço universal virgem. Partamos em busca dessa porção antes que se perca...