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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Portishead - Third

9/10
Mercury
2008
www.portishead.co.uk



Quando o maquinal single de apresentação do novo opus dos Portishead ("Machine Gun") começou a atrair o mediatismo próprio do saudado reaparecimento de um dos projectos musicais mais aliciantes dos anos noventa, volvida quase uma prolongadíssima década de silêncio, suspeitou-se instantaneamente que Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley se proporiam actualizar o especulativo ideário de sons com que fizeram história. Muitas vezes canonizado como o progenitor maior do género trip-hop - muito por culpa do incontornável Dummy (1994) - o trio britânico tornou-se, então, ícone de uma forma de musicar a melancolia que assentava, sobretudo, no experimentalismo nas texturas para construir canções tendencialmente informes, de cadência lenta e expressão negra e ambiental, algures entre o pós-modernismo jazz, os mandamentos de pulso do hip hop e o melodismo distorcido, narcótico e claustrofóbico de música cosmopolita na essência. Esse traço de conexão com a metrópole e as suas inquietudes é, de resto, uma substância inseparável do tutano da música dos Portishead, hoje como ontem vinculada a uma permanente contestação das convenções estéticas que é, em última instância, o derradeiro panfleto do homem urbano deste século, o eterno inconformado.

A semente desse inconformismo incurável é, do mesmo modo, crucial a Third enquanto documento regenerador de causas dos Portishead. Como o tempo que entretanto se situou entre o último disco e o actual mudou os paradigmas de expressão da melancolia, também eles sentiram a invalidade do discurso "antigo" para debelar as novas chagas dos espíritos introrsos. E, ao voltarem-se para dentro, ao introspectivamente demandarem por respostas para ânsias e opressões modernas, Gibbons, Barrow e Utley encontraram uma verve mais fracturada do que antes, no limite da incoerência carnal e com a vertigem da falência. Assim são também as canções de Third, errantes e não sistémicas, despidas do prescindível, nervosas e ofegantes como confusas crias do medo, desconfortáveis nos calafrios da sua pele. Entre a surpresa do minimalismo cortante ou do ruído casual, a improvável cenografia de um ou outro instante e a aquietação de uma melodia cifrada, a "nova" roupagem dos Portishead é psicadélica, abstracta, sinuosa e cheia de interstícios e escapatórias. O que, no caso deles, não é mais do que o retrato musical dos motins mentais e incongruências do sujeito contemporâneo, na forma da redentora redescoberta de si mesmo. Que descanse o espírito da busca de palavras, a música dos Portishead discursa belissimamente por ele...

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quarta-feira, 26 de março de 2008

Suspiros de metralhadora...

Em dia de regresso a Portugal - estão hoje no Porto e amanhã em Lisboa - aqui fica a apresentação do novo álbum dos britânicos Portishead, Third, a pouco mais de meio mês da sua chegada aos escaparates. Chama-se "Machine Gun" e desvenda o mesmo fôlego claustrofóbico e angustiado que celebrizou Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley, aqui servido num interessantíssimo pendor minimalista e sem elementos acústicos. E o resto do álbum - que terá nota de destaque proximamente no apARTES - não deve nada a este primeiro avanço. Suculento...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Postal Musicado: Portishead

Hoje trago aos frequentadores do apARTES a memória de uma canção que me ecoa na mente desde a ocasião da sua publicação. Trata-se, sem dúvida, de uma das canções da minha vida e está integrada num dos grandes álbuns da década de 90, o disco Dummy, primeiro álbum dos britânicos Portishead, chegado às lojas em 1994.

A canção chama-se "Glory Box" e embrulha-se num embalo docemente negro. Os diálogos inquietantes entre a voz trémula de Beth Gibbons e a guitarra caústica de Geoff Barrow desenham ambientes de densidade claustrofóbica, numa musicalidade confessional que rende uma das mais bem conseguidas odes à melancolia.

Uma canção para sempre. Para escutar, clique aqui.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Dois regressos muito esperados...

1. Oito anos depois, os Portishead trabalham num novo disco. Geoff Barrow e Beth Gibbons estão novamente juntos em estúdio, em preparação do terceiro longa duração da banda que criou Dummy. Espera-se que o trabalho esteja pronto antes do final do ano.


2. Transistor Radio será o título do mais recente trabalho de M. Ward, o quarto registo da sua carreira. O regresso é muito aguardado, depois do aclamado Transfiguration of Vincent (2003). 22 de Fevereiro é a data anunciado para o lançamento. I can't wait...