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terça-feira, 17 de abril de 2007

Low - Drums and Guns

8/10
Sub Pop
2007
www.chairkickers.com



Embora sendo reconhecidos essencialmente por uma franja periférica das comunidades melómanas, eles levam já catorze anos no activo (não parece, pois não?) e esse tempo foi o bastante para porem de pé um sólido catálogo de canções e, sobretudo, firmarem um traço inconfundível na forma como elevam a melancolia a estados etéreos. Foi com o soberbo Things We Lost in the Fire (2001) - injustamente ignorado por muitos mortais - que definitivamente se tornaram figuras de proa do movimento a que as convenções chamaram slowcore. Desenganem-se aqueles que procuram neste Drums and Guns um sucessor semelhante ao anterior The Great Destroyer. Com efeito, o novo opus colhe diversas referências estruturais das órbitas pós-rock (coisa mais ou menos recorrente no percurso da banda) mas fá-lo com um sentido minimalista distinto das instrumentalizações luminosas do antecessor e, consequentemente, aponta a um espaço emocional mais negro, fragmentado e fatalista, de resto o habitat natural dos melhores momentos da banda. E Drums and Guns é robustíssimo manifesto das aptidões dos Low, levitando em terna melancolia, como só eles a sabem escrever.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Low - The Great Destroyer

Apreciação final: 7/10
Edição: Janeiro 2005
Género: Indie Rock/Slowcore/Pop-Rock Alternativo/Lo-Fi



A que soam os Low? Em cada registo, a banda de Duluth cria uma atmosfera delicadamente tensa, a deslizar para alguma austeridade melancólica e com um murmurante sentido de dramatismo. Acima disso, os Low assumem de corpo inteiro uma identidade sónica própria, perfeitamente identificável em The Great Destroyer, o primeiro trabalho para a etiqueta Sub Pop. Não é estranho a esse pormenor o detalhe criativo das composições, insinuando uma aura quase tântrica que percorre um caminho intrincado para chegar ao fito: o meigo aconchego dos Low.

The Great Destroyer é profundamente íntimo e revolve, em retoques nocturnos, a sorumbática face da alma, expondo graciosamente as suas amarguradas avantesmas. É um disco meditabundo, no sentido mais poético do termo e resulta liminarmente belo e perturbador. Os Low estão inegavelmente diferentes, já se esperava que as coisas fossem assim depois de Trust, o charme mantém-se mas não se fez tergiversante? Em fórmula, o disco captura o espiritualismo entranhado dos Low e esprai-o nas fronteiras do rock lo-fi. Talvez menos slowcore do que no passado, os Low não perderam a essência, antes se expandiram e, no decurso da evolução, arranjaram tempinho para nos oblatar The Great Destroyer, um disco amplo, esteticamente rico, que se apresenta como uma obra rock. É-o de facto, mas não delega o propósito de anestesiar as consciências mais vivazes, incutindo-lhes o suave e comatoso éter que reside na substância dos Low. Aconselhável.