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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Panda Bear - Meets the Grim Reaper

7,8/10
Domino, 2015

Já não há dúvidas: cada disco que Noah Lennox faz nascer é um acto de atrevimento. Parece fervilhar nas veias do americano, tornado célebre como quinhão importante dos seminais Animal Collective, uma bizarra excitação com a anormalidade pop. Ao quarto registo individual, pode dizer-se que já passou o ponto de não retorno e não se tem dado mal com o propósito de desmontar convenções e de as virar do avesso, no devaneio individual que começou, há onze anos, com o despojo fracturado do quase-acústico Young Prayer, até chegar ao delírio electrónico deste Meets the Grim Reaper. Nesse percurso, a música de Lennox mudou de traje algumas vezes, é certo, também conheceu amplitudes diferentes, mas conservou sempre o experimentalismo e levou-o a limites de excentricidade que nunca poderiam caber em canções convencionais. Panda Bear é, afinal, uma marca musical de impulsos e isso é particularmente evidente neste novo disco. De um lado, está o ímpeto (incontinente?) de saturar as canções com tudo e mais alguma coisa que seja electrónica e, ao mesmo tempo, conseguir mantê-las leves, melódicas e, no final, atraentes como um sonho.

Quando acontece, como neste Meets the Grim Reaper, que Noah Lennox encontra os caminhos melódicos para escapar dos seus próprios delírios, o universo Panda Bear ganha improvável verosimilhança e é precisamente aí que nos cativa. E este talvez até seja o exercício mais gracioso de Lennox, pelo menos tanto quanto pode sê-lo um disco forjado pela sua mente efervescente, provando-nos que a jornada em desafio do som (e da canção) está longe da meta e, ainda assim, pode dar-nos cândidos momentos de música.

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sexta-feira, 16 de março de 2007

Panda Bear - Person Pitch




Ao que parece o rapaz encantou-se por Portugal e, segundo rezam as crónicas, comprou uma casinha na capital cá do burgo, para os lados do Bairro Alto. Foi lá que, aproveitando um hiato na actividade dos Animal Collective, o baterista do ensemble americano, Noah Lennox, gravou o mais recente produto do alter-ego artístico, Panda Bear. Person Pitch é, por isso mesmo, o desfecho de um processo de criação pessoal, mas esse individualismo, contrariando todas as teses conhecidas, não se cinge à introspecção, pelo menos na acepção mais egocêntrica da expressão. Pelo contrário, a música de Lennox, neste disco, desvenda um mundo sonoro peculiar, temperado com curiosidades técnicas de deliciosa extravagância (estupenda manipulação de samplers!) e alimentado pela bizarra verve do músico, afinal o reflexo imaginário de um denominador comum entre a matriz melódica do vanguardista Scott Walker e a comunidade vocal dos Beach Boys. E, de permeio, o experimentalismo com o ruído e as matérias de síntese ou o detalhismo na construção, não são menos do que arestas alternadas de um entendimento único de como fazer música jovial (bem açucarada) e tremendamente contagiante, com inovação, frescura de conceitos e credibilidade. Tudo numa série de canções do melhor que se ouviu neste ano.

Posto de escuta Sítio da Boomkat

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Panda Bear - Young Prayer

Apreciação final: 4/10
Edição: Setembro 2004
Género: Espiritual/Minimalista



Young Prayer não é um disco. Dito assim, parece estranho quando se fala de uma edição discográfica. A verdade é que este trabalho de Panda Bear, membro dos Animal Collective, se aproxima mais de uma bizarra eulógia do que de um registo musical. A isso não será estranho o facto de o trabalho em questão ter sido escrito no seguimento do falecimento do pai do autor.

Young Prayer é uma elegia de meditação sobre a morte, marcada pelas vocalizações em falsete, sem palavras e erraticamente afagadas por mimos de guitarra acústica. Há aqui um apelo comovente à espiritualidade, quase renascentista, tão incorpóreo quanto a música pode ser e devoto a um misticismo etéreo. Não se trata de um registo mórbido, tampouco de um rito funéreo, antes uma lamentosa prostração perante a fragilidade da vida. Como produto musical, ainda que honesto, está longe de ser um tomo desejável.