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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Of Montreal - Hissing Fauna, Are You the Destroyer?


8/10
Polyvynil
2007



Discursar sobre Of Montreal e reduzir o conceito à persona de Kevin Barnes é uma inevitabilidade. Projecto pós-extinção dos Elephant 6, de cujas mesmíssimas ruínas surgiram outros colectivos importantes como os Neutral Milk Hotel, os Beulah ou os Apples in Stereo, só para citar alguns, a sigla Of Montreal é o abrigo da verve de Barnes. Integralmente escrito por ele, Hissing Fauna, Are You the Destroyer? vem na esteira do seminal Satanic Panic in the Attic (2004), obra maior do catálogo de Barnes, e do seu sucessor (Sunlandic Twins, de 2005), na construção daquilo a que o autor chama uma "electro-cinematic avant disco". Psicadélico, é certamente. Os sintetizadores tentam o fausto de uma mistura de sons cheia de sabores, a raiar o surrealismo, o sustentáculo mais oportuno para as melodias. Aí, não há lugar para convenções, Barnes é um rebelde e não perfilha regras, prefere dar corpo a uma pop de doces dislates e mantimentos sintéticos, num galanteio destapado com o legado disco dos oitentas e, porque não dizê-lo, com as luminárias de Bowie (é fantasma repetente no percurso de Barnes), dos Beatles, de Beck ou de Brian Wilson. Com um imaculado gosto a concentrado.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Of Montreal - The Sunlandic Twins

Apreciação final: 8/10
Edição: Polyvinyl, Abril 2005
Género: Indie Pop-Rock







O sétimo disco dos americanos Of Montreal (não, não são oriundos dessa cidade canadiana!) adopta as máximas habituais do grupo, com acento tónico em melodias pop exuberantes, feitas de ritmos invulgares (com recurso a elementos electrónicos e guitarras) e vocalizações de amenidade onírica. A riqueza orgânica da escrita de Kevin Barnes (voz) ajuda ao devaneio sonhador do auditor que, suportado no fulgor magnético das treze composições que fazem o alinhamento do disco, é indício vincado da propensão viciadora de The Sunlandic Twins. A estrutura fantasiosa deste trabalho promove uma infalível e divertida catarse, uma purificação emocional imparável, pela regeneração de um universo de inocência que, não sendo frívolo, incita ao encantamento.

The Sunlandic Twins é uma edição caleidoscópica que nos povoa o imaginário com melodias apelativas e multidimensionais que fazem a prova derradeira da elasticidade do som do colectivo norte-americano. Às composições não faltam preciosos interlúdios instrumentais que lhes conferem uma grandeza extra, bem como as vozes em coros uníssonos, umas vezes apaixonantes, em outros instantes mais próximas do assombro, sem perderem o sentido de coesão. O desfecho é um disco versátil, não volúvel, com intervalos de criatividade suficientemente latos para o consagrarem como uma das experiências musicais deste ano. The Sunlandic Twins não é um disco genial mas tem substância q.b. para assumir a serventia de acompanhamento musical numa tarde primaveril.