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terça-feira, 3 de maio de 2005

16 rapidinhas



Magnolia Electric Co. - What Comes After The Blues (7/10)
Estreia em estúdio de Jason Molina (ex-Songs:Ohia), o registo invoca a tradição country mais profunda da América e molda-a, em composições harmónicas que a espaços lembram Neil Young, à forma do mais apurado sedativo para um dia de stress.
(Secretly Canadian, Abril 2005)






Corrosion of Conformity - In The Arms of God (6/10)
Rock pesado que não resvala para o facilitismo do nu metal mas cuja fonte inspiradora se resume a colagens mais ou menos assumidas de lugares comuns (leia-se Metallica ou Ozzy) bastante déjá-vu.
(Sanctuary, Abril 2005)






Le Peuple de l' Herbe - Cube (5/10)
Disco fresco e mexido, de ambiente cinematográfico tipo James Bond cruzado com referências hip-hop e tribais, sem espaço para ideias novas.
(PIAS, Fevereiro 2005)




The Presidents of The U.S.A. - Love Everybody (7/10)
Proposta rock descomprometida e viçosa, em homenagem reverente à tradição punk e que assegura, se não algo mais, pelo menos o entretenimento irresistível do auditor.
(Pusa Music, Agosto 2004)






Ted Leo & The Pharmacists - Shake The Sheets (6/10)
Pop alternativa com trejeitos de rock'n' roll entretido, feita de tons apelativos, guitarras angulares e refrões sensíveis que garantem a excitação mínima.
(Lookout, Outubro 2004)






Six Feet Under - 13 (4/10)
Death metal que bebe de influências mais meritórias e que, ainda que descarregue alguns quilos de volts em determinados instantes do disco, não escapa à incómoda sensação de plágio.
(Metal Blade, Março 2005)

Posto de escutaWormfood13This Suicide





Apocalyptica (5/10)
Os finlandeses que se celebrizaram com as versões de Metallica no violoncelo, prosseguem na tentativa de afirmar o seu próprio trabalho, combinando, com sucesso variável, as sonoridades de cordas clássicas com o formato mainstream do metal.
(Universal, Março 2005)






Kick Bong - A Cup Of Tea? (6/10)
Electrónica ambiente e experimental que recorre ao sampling com propriedade e que atinge, sem transcendências, uma solução de dub assinada com algum psicadelismo e uma interessante noção de proporção.
(Ultra Vista, Janeiro 2005)






Meshuggah - Catch Thirty Three (7/10)
Os suecos Meshuggah moldam uma atmosfera metal progressista e com algum experimentalismo (lembra-se dos Isis?).
(Nuclear Blast America, Maio 2005)




Venetian Snares - Winnipeg is a Frozen Shithole (6/10)
Aaron Funk apresenta-se desta vez num registo electrónico mais mecânico, menos melódico, menos acessível, com uma orgânica lustrosa e elaborada a que só falta o toque de genialidade de outros trabalhos.
(Sublight Records, Fevereiro 2005)






Gorillaz - Demon Days (7/10)
Versatilidade a rodos, acento tónico no aligeiramento do preceito hip-hop costumeiro e reforço das texturas indie compõe um registo sólido, coeso e recheado de boas composições.
(Virgin, Maio 2005)




De-Phazz - Natural Fake (6/10)
Os prolíficos De-Phazz regressam na fórmula habitual, os ritmos dançáveis que fundem a electrónica com a sensualidade do chill-out e dos embalos latinos, mas sem fugir à mediania.
(Universal, Abril 2005)






Damon & Naomi - The Earth Is Blue (7/10)
Sexto registo de uma dupla que se move nos terrenos da dream pop e que escreve paisagens sónicas de brilho e candura singulares, com vozes hipnóticas de melancolia. Emocionalmente poderoso.
(20/20/20, Fevereiro 2005)






Dead Meadow - Feathers (7/10)
Rock declaradamente pós-grunge, organicamente preciso e urdido com parcimónia, elevando vozes vagas e ambientes contemplativos a um estatuto merecedor de atenção.
(Matador, Fevereiro 2005)






Dirty Americans - Strange Generation (3/10)
Sugestão pretensamente rock que se limita a copiar os trejeitos das tendências mais ligeiras.
(Roadrunner, Maio 2004)

Posto de escutaDead ManControlNo Rest





Esbjörn Svensson Trio - Viaticum (7/10)
Um dos segredos mais bem guardados do jazz escandinavo, o trio sueco apresenta uma escrita de bom nível, no formato piano/bateria/contrabaixo, permitindo-se o devaneio de algum improviso que, se retira formalismo ao disco, conquista os adeptos do virtuosismo.
(ACT Records, Janeiro 2005)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Magnolia Electric Co. - Trials & Errors

Apreciação final: 6/10
Edição: Janeiro 2005
Género: Indie Rock/Rock Alternativo



Os Magnolia Electric Co foram a invenção independente do guitarrista Jason Molina, depois de ter abandonado os Songs:Ohia. Aliás, o nome do projecto é traslado do último registo daquele colectivo. Neste trabalho gravado ao vivo em 2003 na cidade belga de Bruxelas, percebe-se uma aura frontalmente country, acólita da vibração melódica e da crueza das guitarras de Neil Young (influência ou plágio?). Depois, sente-se o à-vontade do colectivo canadiano em palco, Molina melhorou como cantor, é tangível a afectividade e a empatia com o público. O repertório do disco recupera sete temas dos Songs:Ohia e junta-lhes três canções novas, funcionando como um delicioso aperitivo para a estreia do grupo em estúdio, prevista para a primavera deste ano.

Trials & Errors é um ensaio sem grandes erros, numa abordagem mais rock que não desvirtua o espírito apaixonado e introspectivo das composições, embora o disco se ressinta da excessiva colagem a Young, o que não sendo necessariamente negativo, joga em desfavor do engenho criativo de Molina. Hoje, ele é o mais fiel herdeiro do legado de Young mas não veste essa roupagem em jeito excessivo? Outro senão: no desfile de canções de Trials & Errors dissipa-se gradativamente a chama que se julgava adquirida nas primeiras faixas. Interpretações dilatadas demais? Talvez. Ainda assim, um registo ao vivo meritório. Espera-se What Comes After The Blues, álbum de estúdio com lançamento previsto para a segunda quinzena de Abril.