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terça-feira, 13 de março de 2007

LCD Soundsystem - Sound of Silver




Ainda sob os efeitos mediáticos da impressiva adesão dos públicos (e de um quinhão muito significativo da massa crítica) ao produto primeiro sob a sigla LCD Soundsystem, James Murphy e Tim Goldsworthy voltam a mostrar-se. Não chegou o fôlego a regular-se, depois da sessão aeróbica de 45:33, lançada no ano transacto, e já o par de músicos recicla os nutrientes sónicos da estreia, dando-nos nova dose da mesma sintaxe sonora que inteligentemente recolhia as modas recentes da dança (e dos incontáveis rótulos pós-qualquer coisa) na cena nova-iorquina - hoje por hoje, a grande maçã é um dos mais inventivos palcos da orbe musical - e as combinava com atenciosas memórias de outras ondas, sejam elas da síntese Kraftwerk ou dos ácidos de pista dos 80's. Sound of Silver é, assim, segunda pescaria num lago de ideias temporalmente extenso e, mesmo não vincando diferenças estruturais para o antecessor, revela uma certa refinação dos códigos LCD Soundsystem, rumo a um registo mais detalhista e que convive melhor com ocasos esporádicos da voz (efeito colateral de 45:33?). E com o desencanto irrequieto do rock. Porque música de dança com mais rock do que isto, não há.

sábado, 13 de janeiro de 2007

LCD Soundsystem - 45:33

8/10
iTunes, Outubro 2006
Electrónica
www.lcdsoundsystem.com
www.nike.com/nikeplus



Falar de 45:33 impõe um esclarecimento prévio. A peça foi encomendada a James Murphy pela Nike, no âmbito de um programa desenvolvido em conjunto com a Apple e que combina o célebre iPod com um sensor devidamente instalado nos ténis, para a monitorização do jogging dos utilizadores. Concebido o interface tecnológico para a transmissão dos dados sobre calorias queimadas, distâncias percorridas e afins, faltava juntar música às corridas. Aí entra 45:33. Música para correr, portanto. Não estranha a afinidade rítmica da sigla LCD Soundsystem com esse propósito. Já se conheciam os meneios estéticos e as cadências de Murphy, coisas utílissimas para musicar a dinâmica de uma corrida, e que se juntam peculiarmente neste mix. E a combinação não podia ser mais sumarenta, em sucessivas mutações entre estilos (house, disco, funk), ao jeito de uma caleidoscópica colecção de sons. O cardápio LCD completo, para ajudar a entender a estoiro mediático recente de Murphy. E 45:33 é música singularmente cinética, o propulsor certo para tornar o jogging menos custoso para o praticante ocasional e, ao mesmo tempo, nos mostrar como se faz um set transversal às várias escolas de música dançante, num único trecho, sem soar pretensioso e sem escorregar para a monotonia. Garantia irrevogável: 45:33 é o melhor acompanhamento para uma corridinha solitária e deixa água na boca para o novo LCD Soundsystem que está aí à porta...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Um olhar rápido sobre três discos

Wolf Eyes - Burned Mind
Apreciação final: 8/10
Edição: Setembro 2004
Género: Metal Experimental/Noise/Electrónica Industrial



Sente-se uma descarga eléctrica, depois outra, uma lágrima de suor frio desliza pelo pómulo, um foco de luz directo cega o olhar, ao fundo um ávido corvo assiste. O corpo espancado acha-se inerte, amarrado à cadeira, apático e indiferente à pungência do estileto que lhe rompe a carne em incisões epidérmicas. O sangue escorre pelo antebraço. O odor a tabaco queimado enche a exígua câmara branca. Na mesa metálica repousam ferragens ensanguentadas. Somos uma peça de carne nua, às mãos de um cruel magarefe. A tosse seca do assombroso carrasco denuncia a retoma do ritual torturador. Burned Mind é o retrato psicadélico deste tortuoso pesadelo, de horrenda beleza negra. Não se trata de um disco violento, antes de um documento esquizofrénico, de singular agonia. Um desafio à face negra da alma...quem aceita?




LCD Soundsystem
Apreciação final: 7/10
Edição: Janeiro 2005
Género: Electrónica Pós-Punk/Dance-Punk/Indie-Rock Alternativo



James Murphy (ex-Pony, ex-Speedking, produtor dos The Rapture, Radio4 e Le Tigre) é o homem por detrás dos LCD Soundsystem. Este projecto é uma irreverente declaração de independência, simultaneamente o ícone mais útil à sua editora, a DFA. A fórmula: junção rock e disco numa trama pós-punk para pistas de dança. Rock cru casado com a elasticidade dos ritmos dançáveis e energia cinética da dance music. Apelativo? Contudo, as passadas firmes do disco não se esgotam nessas peugadas, emancipam-se na admiração de outras famílias musicais, conjugando o ambiente party de algumas faixas com o retraimento compulsivo de outras. LCD Soundsystem é um disco que captura pela diversidade, cria afinidades imediatas. Ponto fraco: é um disco temperamental e engenhoso, mas hipoteca a genialidade criativa à rigidez da escrita.LCD Soundsystem é uma boa fonoteca de estilos, mas é certinho demais...




Fennesz - Venice
Apreciação final: 6/10
Edição: Março 2004
Género: Electrónica Experimental/Música Ambiente



Christian Fennesz é um guitarrista vienense comummente associado à electrónica experimental; é também acérrimo fautor de um estilo que combina um trabalho de sampling elaborado com guitarras densas e ingredientes electrónicos medidos com detalhe. A voz aparece pontualmente, esbraceja como um náufrago perdido na vastidão do oceano, aqui feito de pequenos bulícios dissonantes, entrecortados por breves elegias de exaltação electrónica que alternam com o enigma sónico que insiste em levitar sobre os abismos do silêncio, em instantes de quietude perturbadora. É permanente o apelo a um universo sonicamente livre e sem impurezas. Em Venice o pecado não faz sombra, a virtude é hipnótica, o sonho é o limite. Mas o estro não é evanescente?