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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Ghost - In Stormy Nights

7/10
Drag City
AnAnAnA
2007
www.dragcity.com/
bands/ghost.html



De entre os melómanos que ainda não conhecem os Ghost, poucos adivinhariam as origens nipónicas desta trupe se acaso se limitassem a conjecturar a partir da audição deste In Stormy Nights. A mais primária das impressões do álbum, notória desde os primeiros segundos, é a inclinação instrumental para um estranho folk negro, aqui e ali medieval, seja no recurso a um arsenal sónico apropriado (banjos, flautas, alaúdes e tablas), seja no canto de trovador maníaco-depressivo. A essas substâncias, soma-se a atracção pelo noise exploratório e pelo improviso, usados como o condimento tonificador dos ambientes amplos do disco. Talvez por isso, haja uma envolvência cinematográfica no som do tomo, embora sem orientação definida. Parece que o que importa aos Ghost é construir um todo de peças de medida larga, com evidentes repercussões na propulsão emocional do disco, mas sem importar o dimensionamento certo das partes. É assim que, por vezes, se desproporciona a combinação entre o noise paranóico e o folk deslavado, resvalando o disco para alguma agressividade sonora que, não sendo totalmente descabida, acaba por ofuscar o conceito global e a excelência melódica das peças.

segunda-feira, 7 de março de 2005

Ghost - Hypnotic Underworld

Apreciação final: 7/10
Edição: Drag City, Janeiro 2004
Género: Experimentalismo/Art Rock



Os Ghost são um colectivo nipónico liderado pelo guitarrista Masaki Batoh e cuja sonoridade é vincadamente experimentalista, de raíz psicadélica e com uma intensidade libertina que, de tão orgânica e confiante, faz deles um dos mais desafiantes projectos musicais actuais. Não se trata de uma música imediatamente inteligível, deve ser ruminada com demora e minuciosamente desfiada, até que nela se descortinem os inúmeros mini-corpos que se unem na composição de um elemento maior. O enigma é desvelado lentamente em peças de inspiração: Pink Floyd, Jethro Tull, música celta, ambientes orientais. Os Ghost compõem heterofonias aparentemente discordantes com percussões intermitentes, explosões electrónicas, cordas intervenientes, saxofones, xilofones, violoncelos, contrabaixos, flautas, banjos, harpas celtas, etc, etc, etc... Dessa miríade de ingredientes brotam hinos de som erudito e espírito revolucionário. Os silêncios são permanentemente adiados, os instrumentos vencem-nos com uma precisão científica. O resultado é um trabalho arriscado e conceptual, de art rock de elite.

Hypnotic Underworld é uma experiência deliciosamente caótica, uma pitoresca matiz de matérias diversas que, mais do que hipnotizar, nos rouba qualquer volição. Ouvi-lo é tomar parte de um universo proibido, é invadir um mundo esquisito, de assombrações cativantes, de fantasmas sedutores. Juntemo-nos ao incógnito ritual das almas perdidas e repousemos no submundo convulso que os Ghost genialmente criaram e a que só falta uma brisa para ser uma obra-prima.