Mostrar mensagens com a etiqueta Alasdair Roberts. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alasdair Roberts. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Alasdair Roberts - The Amber Gatherers

7/10
Drag City
AnAnAnA
2007
www.alasdairroberts.com



Além da inconfundível presença vocal de tons altos e afinação extrema, a música do escocês Alasdair Roberts confunde-se com loas de outras eras, como se fora anacrónica, uma espécie de subterfúgio para um trovador deslocado no tempo. The Amber Gatherers não se arreda da costumeira toada arcaica e minimalista de Roberts, embora se perceba, na estrutura melódica das composições, um compromisso renovado com inspirações mais luminosas, depois da negrura de No Earthly Man (2005), colecção de baladas soturnas sobre a morte. O adorno das canções é mínimo e esse é o paradoxo da imponência quase-silente dos trechos, em torno de um núcleo quintessencial (Roberts, a ciência da música tradicional e a guitarra), com ligeiríssimas infiltrações (o banjo, as palmas ou a percussão contingente). O desfecho é uma lição folk que, por despertar das prateleiras de um antiquário erudito nos usos antigos, pode trazer a aparência de soar imprópria para ouvidos hodiernos. Ou pouco esmaltada para os freak folks. E seguir esse impulso instante seria recusar a estas belas canções a oportunidade que merecem. Sem reservas.

terça-feira, 19 de abril de 2005

Alasdair Roberts - No Earthly Man

Apreciação final: 7/10
Edição: Drag City, Março 2005
Género: Tradicional/Cantautor/Indie Rock







O escocês Alasdair Roberts é um protegido de Will Oldham (a.k.a. Bonnie "Prince" Billy), desde que este o descobriu, em 1996, num ensemble folk britânico, os Appendix Out. Neste registo, com produção a cargo de Oldham, Roberts celebra as memórias musicais da Escócia, deixando-se contagiar pelo tom solitário e sombrio dos cantos melancólicos de oito peças tradicionais do seu país natal. Sugeridos na feição de trovas medievas e lamentosas, os relatos cantados de estórias de amor, de traição e de morte assumem uma primorosa simplicidade e percorrem, com lata sensibilidade, o espectro dramático do sentimento humano. A nota de destrinça de No Earthly Man é a autenticidade do registo sónico, com uma produção de fino recorte e composições francas que fazem a ponte entre os recortes lacónicos de um tempo remoto, em que a morte passeava pelas ruas, e a urbanidade das texturas hodiernas, sem macular a herança musical da Escócia.

No Earthly Man é um documento envolvente, dispensa artifícios de estúdio e converte, na candura do som mínimo, com raro tacto, o assombro de cançonetas de estórias cruéis em tocantes peças de embalo.