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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Aimee Mann - @#%&*! Smilers

7/10
SuperEgo
2008
www.aimeemann.com



Já lá vão mais de oito anos desde que o soberbo documento de contrastes humanos que é Magnolia somou ao intimismo e despojo da música de Aimee Mann um valiosíssimo complemento cénico. Mais do que meramente oferecer às canções da americana o protagonismo de levarem o filme pela mão, embalando-o no equivalente musical da triste redenção das personagens da narrativa, Paul Thomas Anderson soube inteligentemente encontrar enlaces emocionais certeiros entre história filmada e canção, sem se perceberem hierarquias de causa e efeito. Assim aconteceu a Aimee Mann, depois de um quarteto de álbuns nos discretos 'Til Tuesday, o raro privilégio de afirmar-se, não só pela singeleza da música, mas sobretudo pela fortíssima impressão de ver as canções projectadas na tela e, assim, assumirem-se como metáfora com dimensão "física" e realismo. São, aliás, o realismo, o espírito crítico e o resvalo do bicho humano para os abismos da emoção as substâncias que inspiram a sagacidade de Aimee Mann, como volta a acontecer neste @#%&*! Smilers, o séptimo capítulo do percurso individual.

Abandonadas as equívocas premissas conceptuais do antecessor The Forgotten Arm (se deixarmos de lado o disco de Natal que foi One More Drifter in the Snow), o novo álbum não monopoliza o espaço narrativo do disco num enredo único, antes se subdivide - como de resto aconteceu nos melhores momentos da carreira de Mann - em lacónicos retratos das frestas do espírito humano, como nos amores descrentes de "Phoenix", no desalento de "Freeway", nos lamentos "trintões" de "31 Today", nas confissões de "Medicine Wheel" e nas onerosas despedidas de "It's Over". É precisamente aí, nos motins da emoção, que Aimee Mann tão bem passa à forma de música, que as canções de @#%&*! Smilers herdam com mais propriedade a tangibilidade da banda sonora de Magnolia. Em rigor, embora merecendo pontualmente uma produção mais expansiva e com detalhes mais rebuscados do que as que musicaram o filme, estas canções convocam o mesmo imaginário e juntam-se para o momento mais inspirado de Aimee Mann desde Bachelor N.º 2. E isso são boas notícias, mesmo que alguns trechos puxem o registo para baixo, ao acusarem subliminarmente o estafamento de uma fórmula que Aimee Mann vem tentando regenerar a cada capítulo.

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Aimee Mann - The Forgotten Arm

Apreciação final: 7/10
Edição: Superego, Maio 2005
Género: Cantautor/Pop-Rock Alternativo







Aimee Mann dispensa apresentações, especialmente desde que musicou o filme Magnolia (1999) de Paul Thomas Anderson. Depois disso, o belíssimo Bachelor N.º 2 (2000) lançou-a definitivamente para o estrelato. The Forgotten Arm é o quinto álbum de estúdio e avoca a fórmula típica da autora: uma voz inconfundível e composições pop-rock adultas. Neste trabalho, a cantora esquadrinha a vulnerabilidade e a insignificância do ser humano, incorporadas habilmente no relato (numa dúzia de composições) da relação ambígua entre o boxeur John (um ex-combatente do Vietname) e a sua amada Caroline. As utopias do casal desmoronam-se na acareação com a realidade, as promessas sumem-se no tempo e as drogas são o veículo catártico das frustrações.

The Forgotten Arm é um álbum conceptual, também o mais complexo de Mann. A coesão do registo é assegurada pelas sinergias entre canções, pequenos quinhões de uma história comum cujo significado primaz só pode ser entendido no todo monolítico. Depois, as melodias cativantes e a voz doce engalanam o desastre da narrativa, compondo um paradoxo de beleza única. A futilidade das adições e as cicatrizes da desilusão são expostas com franqueza e com o toque subtil das grandes obras. The Forgotten Arm embevece pelo realismo do enredo e pela tangibilidade da mágoa através dos acordes do piano ou da guitarra. Escutar o mais recente trabalho de Aimee Mann é perscrutar a essência da vida humana e o insustentável ónus do sonho. Tocante.