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segunda-feira, 24 de março de 2008

The Vicious Five - Sounds Like Trouble

7/10
Edição de autor
Lisboagência
2008



Depois de um início de percurso algo titubeante - dir-se-ia que próprio de quem sorvia com alguma desordem as coordenadas da cartilha punk de predilecção - os The Vicious Five apresentam, ao terceiro disco, uma incontornável maturação de princípios. Desde os primeiros acordes de Sounds Like Trouble se percebe que, sem prejuízo da sua visceralidade intrínseca, o rock destes intrépidos lisboetas desvenda amplitudes diferentes, não só por se pautar por uma estruturação distante da urgência rudimentar do punk, mas sobretudo por arriscar as medidas do rock de massas, necessariamente musculado e com um pendor melódico ligeiramente mais angular. Para o estádio. Isso não quer dizer que a trupe de Joaquim Albergaria faça concessões a qualquer facilitismo; será, antes, evidência do natural crescimento da banda, da consequente depuração do processo criativo, da dispensa de impurezas e, no final, de uma crueza diferente. Até a voz de Albergaria aceitou esse crivo de amadurecimento e, no lugar do desenfreado brado de outrora, surge agora um registo igualmente intenso mas mais seguro e consistente, como quem percebeu que para ser insurgente não tem que se berrar por dá cá aquela palha. E não é por isso que Sounds Like Trouble deixa de ser um frenético (e suado) porta-voz de uma geração desencantada consigo mesma, mas com o sarcástico alento para fazer disso uma festa a resvalar para a imoderação. Com um sorriso de escárnio, o convite fica feito. Requisito único: saltar até moer o esqueleto...

Posto de escuta MySpace

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

10 rapidinhas





John Vanderslice - Pixel Revolt (7/10)
www.johnvanderslice.com/
Senhor de um vocabulário musical essencialmente acústico, o americano John Vanderslice já vai no quinto capítulo de uma discografia plena de subtileza; este é um registo que incorpora guitarras com discrição e aceita o contributo de breves instantes orquestrais, sons ligeiramente manipulados e teclas. Um disco técnico, recheado de boas histórias emolduradas num corpo musical capaz e preenchido com texturas de várias matizes que redundam num discurso profundamente contemplativo.
(Barsuk, Agosto 2005)







Afrirampo - Kora Ga Mayaku Da (7/10)
www.afrirampo.com
Duas irmãs de Osaka juntam-se, pegam na guitarra e amplificador, também na bateria, e fazem um chinfrim imparável, sem afinidades com formalismos. O desfecho é tão libertinamente primário que é quase improvável, tais são os sucessivos picos, a desordem e as viragens inesperadas. Uma excursão ao improviso psicadélico sem bilhete de retorno.
(Tzadik, Junho 2005)







Vashti Bunyan - Lookaftering (8/10)
Dá para acreditar que já lá vão trinta e cinco anos desde a edição do último disco desta senhora? Just Another Diamond Day foi um diamante esquecido na década de 70 (apenas recuperado em 2000) e, desde então, Bunyan retirou-se até ser repescada pelos Animal Collective num EP conjunto (Prospect Hummer (2005)). Neste segundo trabalho mantém-se a toada tímida da folk à descoberta de paisagens sonoras delicadas e de retiro espiritual.
(Fat Cat, Outubro 2005)








The Vicious Five - Up on the Walls (8/10)
http://theviciousfive.com
Se o rock nacional estava refém de um abanão, já temos foras-da-lei para o forçarem. Alma punk, estima pelo motim, doses incontinentes de adrenalina, muito músculo e diversão a rodos são os lemas destes lisboetas. A isso acresce um circo de ângulos rock bem desenhados que, à falta de melhor adjectivo, é nervoso. E quem consegue não bater o pé ao som urgente da juventude eléctrica de Up on the Walls?
(Loop Recordings, Outubro 2005)




Lau Nau - Kuutarha (6/10)
www.locustmusic.com
Álbum de estreia de uma cantora folk finlandesa que subscreve um pacto com a abstracção. E isso, traduzido em linguagem musical, é um som esquivo e meditativo, quase intangível, feito de uma profusão de instrumentos. Contudo, a essa riqueza instrumental não corresponde uma performance vocal ousada, resumindo inevitavelmente as composições a um mero esboço de oração musical padronizada. Ainda assim, uma edição para curiosos.
(Locust, Fevereiro 2005)


Posto de escutaKuulaTulkaa!Hunnun






Buck 65 - Secret House Against the World (6/10)
www.buck65.com
Este canadiano é um daqueles artistas que são difíceis de rotular. É adepto do experimentalismo e é frequentemente associado ao movimento underground rap e parece pouco se importar com isso. Para ele tudo se reduz à autenticidade e isso sente-se neste registo, a despeito de alguns conteúdos líricos menos inspirados. E para o provar está aí esta modesta casinha de segredos contra o mundo e as fronteiras na música.
(Warner International, Julho 2005)








Dakar & Grinser - Triumph of Flesh (7/10)
www.diskob.com
Duo berlinense que alia o charme de vocalizações bem construídas à dinâmica de percussões sintéticas típica da escola da electrónica alemã. A solução é rítmica e luminosa, mesmo nos instantes mais obscuros e envolve o auditor numa atmosfera algures entre o electro-punk, a pop e o house. E o denominador comum é um esqueleto quase rock.
(Disko B, Outubro 2005)






Danae - Condição de Louco (7/10)
Caboverdiana nascida em Cuba, filha de um cubano e de uma caboverdiana, Danae tem uma voz meiga, daquelas que nos afagam no íntimo e não mais nos largam. Depois, canta no cetim açucarado do português do Brasil e escreve porções de um universo que se abeira da moderna música brasileira, temperada por arranjos de excelente nível e que enfeitam canções que se inspiram nos laços musicais mestiços que cruzam o Atlântico e piscam o olho a Cabo Verde.
(Nortesul, Outubro 2005)




Koushik - Be With (5/10)
www.stonesthrow.com
Compilação de três EP's editados em vinil de um produtor musical hábil a fundir um ligeiro sortimento jazz e o rebuliço funk num invólucro pop dançável. Be With é apenas uma razoável audição casual e tem tanto aprazível quanto de enfadonho. Alguns disparos ao lado, outros tantos esboços de composições e, afinal, apenas umas gotinhas de sumo proveitoso.
(Stones Throw, Julho 2005)






Ludovico Einaudi & Ballaké Sissoko - Diario Mali (8/10)
Roteiro musicado da viagem do pianista italiano Ludovico Einaudi ao Mali, acompanhado pelo virtuoso Ballaké Sissoko, tocador do instrumento tradicional da música maliana, a kora. O diálogo entre os instrumentos é sublime, cruzando culturas distintas: o classicismo tonal do piano e o jogo de cores da música africana. Edição imperdível.
(Megamúsica, Setembro 2005)