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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sleater-Kinney - No Cities to Love

7,7/10
Sub Pop Records, 2015

Tendo sido parte nuclear dos motins femininos que emergiram do rock americano em meados da década de noventa, o trio Sleater-Kinney veio a estabelecer-se como uma das mais firmes descendências do punk durante cerca de uma década, galgando as fronteiras do underground com linguagens estéticas simples mas assertivas, em suporte de um discurso de emancipação da mulher e de uma certa libertinagem sócio-política. Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss rapidamente se tornaram favoritas de certas facções da crítica especializada, em razão de uma discografia consequente e que, a despeito de não brotar um grande êxito (comercial, bem entendido), ergueu um catálogo de canções cheias de intenção, num registo panfletário muito ao jeito do sentido de urgência insurrecta da época. O fenómeno foi crescendo, talvez até mais do que lhe estava destinado, tocando gradualmente públicos maiores, sobretudo a partir da viragem do século e até à dissolução (inesperada e inexplicada) do trio, já em 2006. Alguns projectos paralelos depois e uma década volvida desde The Woods, anterior registo de estúdio, as Sleater-Kinney reaparecem como tinham ido: envoltas na mesmíssima enigmática surpresa que as empurrou para o hiato de dez anos.

E que dizer deste No Cities to Love? O orbe rock é hoje um leito de acomodação que tem pouco que ver com o ADN das Sleater-Kinney. O espírito insurgente delas não é senão um oásis num mundo musical em que o idealismo é mandado às malvas e trocado pelo experimentalismo sónico e a lírica certinha. Talvez por isso, a primeira impressão (ilusória) é de que No Cities to Love é um erro cronológico que não encaixa neste tempo. E esse é, em boa verdade, o melhor elogio que pode fazer-se ao oitavo disco do trio e à oportunidade do seu regresso. Continua a fazer todo o sentido este rock que, em galope urgente, se perfila para tomar posição face ao conformismo geral. E fá-lo à custa de construções melódicas muito precisas, apuradas até ao tutano, sem artifícios e fintas, e tremendamente eficazes a chegar onde querem. Tal como as Sleater-Kinney obravam há dez anos.

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segunda-feira, 30 de maio de 2005

Sleater-Kinney - The Woods

Apreciação final: 8/10
Edição: Sub Pop, Maio 2005
Género: Indie Rock







Trio feminino natural de Washington, as Sleater-Kinney são fidedignas especuladoras rock, não porque a sua música soe a ardil mas porque se aventuram arrojadamente a refinar repetidamente o seu traço distintivo. The Woods é o mais recente trabalho das irreverentes americanas e se aparenta atributos mais experimentais do que os registos anteriores, não deixa de fazer justiça ao património rock do grupo: é acérbico q.b. e assaz ruidoso - as guitarras são graves e as percussões jactantes. O resto é uma demonstração inequívoca da maturidade criativa da banda, talvez aqui elevada ao ponto mais alto do seu percurso, a que acresce a captação em disco da esfuziante e ígnea energia das actuações em palco. Assim, The Woods é uma vigorosa injecção de adrenalina que, além de marcar uma etapa inédita no grupo (é o primeiro disco gravado para a Sub Pop), se revela um tomo irresistível do melhor rock que se produz hoje em dia. Além disso, o disco encerra um compromisso de coesão que não era notado em outros trabalhos das Sleater-Kinney, amparado numa produção de eleição e em composições que interceptam o espírito nostálgico dos tumultuosos 70's e o esmero diabólico de renovação das medidas do rock.

The Woods pode não ser um álbum de consumo imediato mas, com audições repetidas, torna-se um cerimonial rock purificado, uma massa sónica improvável e paradoxalmente urdida numa teia de caos e elegância, afinal, o axioma máximo das Sleater-Kinney. Um disco imperdível que cruza a ambiguidade do suicídio, das relações humanas e da política com a rectidão assertiva do rock. Uma excursão open-minded a estes fecundos bosques das Sleater-Kinney pode muito bem vir a ser uma viagem para não mais voltar.