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quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Comets on Fire - Avatar

Apreciação final: 8/10
Edição: Sub Pop, Agosto 2006
Género: Rock Progressivo/Noise Rock/Rock Psicadélico
Sítio Oficial: www.cometsonfire.com








Aviso prévio à audição: é pouco provável que se saia ileso do contacto com um disco dos Comets on Fire. A civilidade é para eles um dogma estéril, a música não tem que ser portadora de mesuras, antes se presume a metáfora de um mundo urgente, povoado por seres em eminente colapso, imersos numa roda-viva de alvoroço e stress. E esse frenesi, deformação colateral decorrente da vida em sociedade, é um paradigma sensível na música dos Comets on Fire, particularmente neste Avatar, tomo pejado de sinais da instrução pós-punk, pelo menos nas voltas mais vanguardistas das distorções, coisa farta na nova edição e que, em adultério manhoso, até chega a namoriscar com o hard rock clássico (ouça-se "The Swallow's Eye"). Tudo sublimado e estrepitoso, na extensão esperada dos registos anteriores, mas nos antípodas de outras lembranças de Ben Chasny (esse mesmo, do plácido juízo de Six Organs of Admittance). Aqui, há suspeitas (confirmadas) de ácidos na mistura de sons, com a porção infalível de psicadelismo e a teima no esboço de novos extremos. Não é à toa que os Comets on Fire se converteram em ícones do underground, primeira voz no saque do património rock americano, algo que o seminal Blue Cathedral bradou aos quatro cantos do mundo. Avatar recoloca-os nesse estrato de roubo e amplificação, de volumes incrivelmente altos, com vocalizações mais limpas (a voz de Ehtan Miller já não traz tantas afectações de estúdio) e imoderação no ruído. Outra vez a esquizofrenia de Blue Cathedral? Na composição faz-se inteligível a segurança harmónica das faixas, com alguns tiques maquinais, é certo, mas onde cada fragmento supre um espaço só seu, em abono do refinamento da tensão e da integridade da soma. Nem os dilatados solos perdem o norte.

Se à primeira escuta Avatar parece mais sereno (ou na acepção negativa, mais conservador) do que o antecessor, as audições sucessivas do disco respondem às cobranças mais exigentes e revelam, em lentos avanços, que a alma desobediente dos Comets on Fire está cá toda. Mesmo os instantes mais brandos, como na afinidade Pink Floyd de "Lucifer's Memory", servem à subsistência do disco, impondo variações temporais e cadências distintas, o justo complemento da matriz yin-yang do álbum. Afinal, o psicadelismo também pode ser aviado sem as distorções e os galopes desenfreados de "Holy Teeth". Talvez os entusiastas mais intransigentes do som de Blue Cathedral não achem esta (re)perspectivação fortificante mas o que ela representa, em última análise, é uma expansão da consciência especulativa dos Comets on Fire e um redimensionamento das escalas experimentais do psicadelismo. E Avatar é a etapa mais recente desse maníaco crescimento.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

4 discos em 4 parágrafos

Apreciação final: 7/10
Edição: Julho 2004
Género: Indie Rock/Neo-Psicadélico



Les Savy Fav - Inches

Bramidos ecoantes, espíritos psicadélicos, guitarras, pianos, orgãos, saxofones, escrita inspirada, raiva visceral, reinvenção, rudeza, Melvins, Stooges, Zappa, bulício, distorção, enigma, ameaça, sem fronteiras, sem limites, reinvenção do rock, cores caleidoscópicas, alucinações, paranóia, excelência. Sinónimos de Blue Cathedral. O disco traz os artigos, verbos e advérbios.


Apreciação final: 8/10
Edição: Abril 2004
Género: Indie Rock/Emo



Comets On Fire - Blue Cathedral

Quando o caos é a mais apurada forma de criação, a tensão irreverente, a asserção enérgica e o entretenimento catártico são as armas de arremesso. O projecto Les Savy Fav é mensageiro dessa doutrina, assume-se como portador privilegiado de uma força de alma irradiante, um vírus que nos toma os tímpanos com pungência, que nos adoenta, primeiro, e nos apaixona depois. O confronto com a emoção, a delirante nostalgia do electro-clash, a precisão matemática dos instrumentos, a libertinagem íntima, a agressividade amistosa, o desafio sentimental, a urgência literada, são os denominadores comuns dos Les Savy Fav. Um pequeno senão: dezoito faixas não hipotecam a densidade do tomo? Grande disco.


Apreciação final: 6/10
Edição: Setembro 2004
Género: Electrónica Experimental/Downtempo



Micro Audio Waves - No Waves

Os Micro Audio Waves nasceram da vontade de Flak (Rádio Macau) e Carlos Morgado expressarem os seus devaneios experimentais. Depois do álbum homónimo lançado em 2002, juntou-se a eles Cláudia Ribeiro e o trio gravou este No Waves. Boas composições, texturas sónicas avant-garde, minimalismo instrumental e uma boa dose de spoken word preenchem o espaço sónico do colectivo nacional. Uma lufada de ar fresco na música nacional, tão raros são os bons projectos de música experimental cá no burgo. Pena é que nem todos os temas do disco tenham a mesma chispa. Fosse esse o caso e No Waves seria um dos melhores discos nacionais dos últimos tempos. Ainda assim, vale a pena uma escutadela.


Apreciação final: 6/10
Edição: Maio 2004
Género: Indie Rock



The Secret Machines - Now Here Is Nowhere

Os texanos The Secret Machines abordam o rock com uma visão distorcida, através da construção de cenários musicais invulgares, pautados pelo cruzamento entre o psicadelismo pontual de guitarras corrosivas, em toadas pós-punk, e um certo experimentalismo slowcore. Em "Now Here Is Nowhere", as composições são eruditas e revelam uma versatilidade demonstrativa da maturidade do grupo. Os The Secret Machines são enérgicos e exuberantes, o seu som tem qualquer coisa de etéreo mas fica aquém da vastidão que a primeira audição promete. Mas o ténue melindre dessa conclusão não belisca os méritos de uma banda promissora e de um disco interessante.