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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

British Sea Power - Do You Like Rock Music?

7/10
Rough Trade
2008
www.britishseapower.co.uk



Subscritores de um tipo de rock de subliminar excentricidade e, sobretudo, com medidas largas na amplitude, coisa a que as convenções costumam chamar de "orquestral" - não pela dimensão instrumental proposta mas pela projecção que o composto música/arranjos insinua (aí, chegam a merecer comparações distantes com os Arcade Fire) - os ingleses British Sea Power chegam ao terceiro registo da sua carreira seguros dos ensinamentos dos capítulos anteriores. Não é que o som deles seja uma novidade extasiante. Não o é, de facto, mas ressalta de Do You Like Rock Music? uma tendência já conhecida deste intrépido quarteto: a predisposição para cerrar fileiras em volta de um ideário próprio e, ao que parece, cada vez mais imune a modas passageiras e manifestações de conjuntura. Além dessa (muito) salutar vontade de afirmar, aos poucos, um discurso pessoal (e intransmissível), os British Sea Power dão, aqui, uma belíssima demonstração do apuro a que essa linguagem própria chegou em matéria de composição. Se já lhes eram reconhecidos méritos de espontaneidade e melodismo, mesmo que em feições muitas vezes pouco convencionais, parece agora clara a aposta num rock mais pujante e enérgico, a recordar a herança tensa dos Echo & The Bunnymen (talvez a referência mais notória) que, retendo o genoma melódico do grupo, abre espaço para renovar a personalidade das vocalizações (e das canções) e, com isso, erguer peças mais vigorosas e com outra pompa. E, depois de escutar Do You Like Rock Music? não parece apenas retórica a pergunta que os quatro de Brighton escolheram para baptizar o disco. Afinal, o próprio álbum é uma cabal resposta do que pode valer o rock contemporâneo, marcando nítida clivagem com muitas das coisas que se vão fazendo hoje e, com isso, mostrando que é de gente como os British Sea Power que nasce um rock genuíno, sem compromissos de época e talentoso.

quarta-feira, 11 de maio de 2005

British Sea Power - Open Season

Apreciação final: 7/10
Edição: Rough Trade, Abril 2005
Género: Indie Pop-Rock







Oriundos de Brighton, os British Sea Power trazem-nos o segundo longa duração da sua existência, depois do bem sucedido The Decline of British Sea Power (2003). Neste trabalho, a regra é símil: o colectivo britânico já desenhou um estilo próprio, feito de vocalizações diáfanas, arranjos de cordas coadjuvantes e de um pacto sinergético entre as guitarras acústicas e eléctricas. É verdade que os rapazes tocam, aqui e ali, a exuberância dos The Cure e dos Pixies e também visitam as ruínas dos Joy Division, mas é transgressão estimar tão ilustres númenes? A essas referências, os British Sea Power acrescentam o carimbo da sua estética, graças a uma escrita atmosférica, com tiques pop cada vez mais convidativos.

Repleto de urbanidade e de contemplação sombria da vida moderna, Open Season é um corpo vivo de boas canções, inventadas com a probidade das composições despojadas. A junção comedida de texturas sónicas com as guitarras acústicas e o piano compõe uma lição pomposa que ajuda a aprofundar a grandeza conceptual dos British Sea Power, aqui renovada com sensibilidade acrescida. Profusamente emocional e imune a chichés, Open Season é um tomo intrigante e belo, a que só parece faltar um rasgo de imprevisibilidade que lhe rompa a coesão monolítica. Ainda assim, Open Season é uma edição meritória e favorece a promoção dos British Sea Power a um estatuto relevante.