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segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Franz Ferdinand - You Could Have It So Much Better

Apreciação final: 7/10
Edição: Sony, Outubro 2005
Género: Indie Rock/Pós-Punk
Sítio Oficial: www.franzferdinand.co.uk








Depois de sacudirem fogosamente o mundo no ano transacto com o disco de estreia, os Franz Ferdinand mostram-se dispostos a repetir a façanha, rebuscando o fulgor sexy e desembaraçado do registo pós-punk que fez deste quarteto escocês a voz de comando de uma rebelião pretensamente regeneradora do rock. Ninguém disse que o rock estava falho de uma revolução mas os Ferdinand fizeram questão de a impôr à custa de riffs de guitarra atrevidos e angulares, melodias extasiantes, percussões que impelem ao saracoteio, trejeitos retro, trovões de ritmos vigorosos e, acima disso tudo, doses incontinentes de inovação. Do aluvião de recobramento da alma rock fundado pelos escoceses, emergiram bandas como os Futureheads, os Dogs Die in Hot Cars, os Hot Hot Heat, os Kaiser Chiefs e os Bloc Party. O baluarte e rampa de lançamento foi o álbum Franz Ferdinand (2004). O andamento do primeiro tomo é denominador comum a You Could Have it So Much Better, ainda que esteja dissipada a impressão de novidade do ano anterior. Ainda assim, a banda continua confiante e a debitar cargas rock inevitavelmente dançantes, cheias de convulsões e viragens inopinadas. A antecipação é improvável na música dos Ferdinand porque a matéria musical dos escoceses é deliciosamente volúvel e imprevisivelmente cativante. Mesmo nos registos mais pausados e esotéricos - as baladas "Eleanor Put Your Boots On" e "Fade Together". Depois, a integridade do som do grupo parece ter atingido outro nível, graças à decoração de Rich Costey (produtor dos Mars Volta), elemento alargador da paleta musical dos Ferdinand que trouxe pitadas de outros universos à casa de Kapranos e companhia.

Mesmo que algumas faixas de You Could Have It So Much Better pareçam versões light dos Ferdinand, o disco esgueira-se ao estatuto de segundo-disco-falhado-depois-de-uma-estreia-pomposa. O novo álbum não se desvia consideravelmente do antecessor mas não deixa de ser um registo com aptidões próprias, solidificando o estatuto destes irónicos escoceses e confirmando-os como um dos ensembles mais entusiasmantes da cena rock actual. A vaga de fundo já foi propagada, agora os Franz Ferdinand surfam inabaláveis na onda. Que isso não lhes traga desleixo...Por ora, aceitando a mofa do título do disco, será que podíamos ter muito melhor?

Procure na grafonola as faixas "The Fallen", "Eleanor Put Your Boots On" e "I'm Your Villain"

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Novo single de Franz Ferdinand

A banda revelação do ano 2004 já tem o primeiro single para o novo trabalho a circular na net. Os escoceses Franz Ferdinand deram o conhecer o primeiro avanço para o álbum You Could Have it So Much Better. Chama-se "Do You Want To".

Se a curiosidade aperta, confira aqui se os rapazes não mantêm a mesma energia contagiante do primeiro disco. É possível ouvir isto e não bater o pé?


Agora resta aguardar pelo dia 4 de Outubro.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Franz Ferdinand

Apreciação final: 8/10
Edição: Abril 2004
Género: Indie Rock



Já todos escreveram e falaram sobre os escoceses Franz Ferdinand. Poucos se recordarão do EP Darts Of Pleasure, o primeiro impulso do que havia de tornar-se um dos mais engenhosos projectos musicais do ano transacto e que incluía o single "Take Me Out", granjeador de honras fora do comum no airplay das rádios, um pouco por todo o planeta, catapultando os Franz Ferdinand para o estrelato, bem além daquilo que a própria banda teria alguma vez sonhado. E a que se deve este brusco sucesso de grande escala? Em primeiro lugar, à habilidade quase hedonista dos Franz Ferdinand, perfeitamente audível no disco: o álbum é exactamente aquilo que o grupo queria, com um estilo e energia contagiantes, indiferente aos espartilhos do "parece bem" e à prudência do "deve ser assim". Este é o som deles, de mais ninguém, pode ser teatral, extravagante, alvoroçado, até um pouco volátil, mas é único.

Franz Ferdinand é um desfile de composições com deliciosos tiques revivalistas, a lembrar os tempos oleosos da brilhantina, das camisas de popelina e do sapatinho polido, captando essa atmosfera, colorindo-a com cores recentes em borrifos de urbanidade contemporânea. As canções são versáteis como actos de fruição sem impurezas, devidamente joeirados para se livrarem das contaminações do mainstream e mostrarem a alma e o coração aberto dos Franz Ferdinand. Quase se pode palpar a honestidade desta oferenda que vibra nos tímpanos de jeito atordoante, mas nos subjuga implacavelmente, por força da sedução viciante da música retro e da libertinagem dos contextos líricos. Dificil mesmo é não gostar de Franz Ferdinand, mais árduo ainda é não reputar este registo como um dos melhores de 2004.

Posto de escutaBarnes & Noble