
Apreciação final: 6/10
Edição: City Slang/Edel, Março 2006
Género: Country Alternativo/Pop
Sítio Oficial: www.casadecalexico.com
Edição: City Slang/Edel, Março 2006
Género: Country Alternativo/Pop
Sítio Oficial: www.casadecalexico.com
Não é que a voz fique deslocada no universo sonoro dos Calexico, mas é quase intuitivo aprender a gostar mais deles nos registos menos cantados, especialmente pelas particularidades eclécticas das composições, à procura de espaços de convergência entre a musicalidade americana, nas suas várias ramificações, e diversas influências de origem ímpar, como os tons western (a trazer à memória o mestre Morricone), a música nutrida por guitarras acústicas, mesmo o jazz e alguns laivos da América Latina. Foi assim que Joey Burns e John Convertino adubaram as fórmulas do projecto, dando origem a um country árido - não fossem eles do Arizona - muitas vezes instrumental e rico em reproduções de cenários com cowboys, desertos, cactos sedentos e veredas de pó. Garden Ruin aceita isso tudo sem resmungar, mas lança um sopro que embacia algumas dessas substâncias e, por troca, aceita visitas mais prolongadas da voz. As composições adornam-se como canções, com tempos medidos, versos e refrões. Tudo tão certinho que até parece que Burns e Convertino se estão a armar ao pingarelho e trocam a largura de vistas musicais que era expediente costumeiro por um disfarce de songwriter. Mesmo assim, a parte musical das faixas conserva alguns dos ingredientes da quintessência do grupo, ainda que condensados o suficiente para caberem nos manuais pop. Porque pop é o código de Garden Ruin que nem a diversidade instrumental do disco consegue dissimular.
Garden Ruin é o modelo light dos Calexico. Embora tecnicamente irrepreensível, a incursão pelo espaço da pop mais orelhuda hipoteca uma parte significativa da musicalidade e das fantasias do grupo. Dos fragmentos que restam do passado, não se esboçam as mesmas paisagens, antes se decretam pactos com a mediania. Talvez assim, com estas derivações comerciais, os Calexico finalmente venham a colher as honras que fizeram por merecer até aqui. O preço do mediatismo pode ser o adeus às areias do deserto. No caso deles, lamenta-se que a fuga às origens traga atrelada uma reacção alérgica: o ocaso criativo.



















Os Joy Division afirmaram-se no apogeu da era punk britânica, quando a energia irreverente dos niilistas Sex Pistols extasiava os mais jovens e chocava a fleumática sociedade inglesa. Ao invés do vigor e da raiva, o colectivo liderado pelo malogrado Ian Curtis afirmou-se num registo menos explícito, mais fechado e, sobretudo, mais melancólico e reflexivo. A curta carreira discográfica do grupo - apenas editaram dois álbuns de estúdio - deixou um lastro de angústia emocional, ao ponto de, no final da década de 70, os Joy Division se terem tornado os ícones de uma geração desorientada, orfã de gurus e que se revia nas confissões parabólicas de Curtis, com um som quase industrial, tortuoso e profundamente pessoal.

















Foram anunciadas, há poucos minutos, as nomeações para a 78.ª edição dos Óscares.


