sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

apARTES renovado!


Os frequentadores habituais do apARTES já terão percebido que o espaço mereceu uma reformulação gráfica significativa. É minha intenção que as alterações tornem o apARTES mais apelativo, aproximando-o das necessidades dos cibernautas que buscam informação sobre música e outras artes. Nesse intuito, algumas mudanças poderão ainda ser introduzidas nos próximos dias.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os que passaram pelo apARTES desde a sua inauguração e manifestar a esperança de que este blog continue a responder às exigências dos seus utilizadores.

Obrigado por tudo.
Votos de uma feliz época natalícia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

The Gift - AM/FM

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Pop Alternativa/Electro-Pop



Definido pelos elementos da banda como o disco mais ambicioso da sua curta existência, AM/FM apresenta-se no formato duplo, com dezasseis temas distribuídos por dois CD's.

Que dizer sobre este trabalho dos The Gift? O primeiro disco, intitulado Am apresenta um som diferente de Film, mais experimental, com um conteúdo electrónico sólido, numa onda de reinvenção dos conceitos sonoros do grupo. É certo que estas faixas são menos consensuais, mas encerram em si mesmas um potencial criativo superior aos anteriores trabalhos da banda e sugerem pistas para novos trilhos de êxito no futuro. AM aprova definitivamente os The Gift como um seguro projecto na área de electrónica-experimental nacional.

FM é o segundo disco. A sonoridade é mais pop do que em AM. Mantém-se o tom electrónico do registo, mas os refrões são mais orelhudos, como em "Driving You Slow" e "11.33", sem nunca se deixarem seduzir pelo mainstream descabido.

AM/FM é o trabalho mais ambicioso dos The Gift e, porventura, o mais valioso também. As composições podem não ser tão imediatas quanto as dos registos anteriores, mas seguramente constituem pequenos trechos de uma originalidade invulgar e têm uma essência de talento que promete fazer dos The Gift aquilo que eles ainda não são. Mas lá chegarão se mantiverem a tendência de AM/FM. Este trabalho ainda não é a obra-prima que os The Gift fazem prever para si mesmos, mas está muito próximo. Um dos melhores nacionais do ano.

A Paixão de Cristo

Apreciação final: 7/10
Edição: 2004
Género: Drama


O polémico filme de Mel Gibson, é um relato visualmente agressivo das últimas horas de Cristo, da traição de Judas, da prisão, das acusações de blasfémia e da condenação à morte.

O enredo é expressivo, a violência física é explicitada até aos limites do aceitável, formando uma obra pungente, que comove (ou repugna) pela sua agressividade visual, mas que não deixa de ser um testemunho da cruel natureza da humanidade. Cristo é um mártir da civilização cristã, foi negado e violentado sem dó, mesmo pelos seus seguidores e A Paixão de Cristo atira-nos essa verdade à cara. É excessivo? Talvez, mas as consciências só acordam se socadas. E este filme lesa-nos e dá que pensar.

Uma nota para a interpretação sóbria de James Caviezel e para os diálogos realisticamente apresentados em aramaico, hebreu e latim. Se como produto cinematográfico A Paixão de Cristo ficou um pouco aquém do que a história de Cristo impõe, já como dissertação das traições do homem, resulta cruel mas pertinente.

Oneida - Secret Wars

Apreciação final: 7/10
Edição: Janeiro 2004
Género: Rock Complexo/Neo-Psicadélico/Experimental



O som complexo dos Oneida continua a ser a principal referência neste álbum, o sexto de originais do trio de Brooklyn. Já sabemos que a sua música desafia qualquer classificação e abraça sonoridades do mais descontrolado rock de garagem, freneticamente misturadas com um tom 70's e polvilhadas com percussões electro-pop, jazz vanguardista e rock caótico. Os Oneida são isso mesmo: uma mistura quase cacofónica de influências aparentemente inconciliáveis, a debitar quilos de energia e confiança, agressividade q.b. e uma saudável dose de alienação. O som é catártico, muda de humor à velocidade da luz, mais depressa se afunda numa ressaca depressiva e dela se ergue com uma risada tresloucada, de gozo e satisfação.

Se tiver espírito aberto para descobrir novos trilhos para o rock, feitos de recuos que apelam aos final dos anos 80, então Secret Wars pode ser uma proposta tentadora. Complexa e monolítica, quase até ao limite da aceitação, mas tentadora.

Charlie Haden w/ Gonzalo Rubalcaba - Land Of The Sun

Apreciação final: 7/10
Edição: Agosto 2004
Género: Jazz Post-Bop/Latino



Charlie Haden abre-nos outra página de uma pretensa biografia sonora que a sua carreira tem vindo a construir. Neste Land Of The Sun, Haden partiu de uma série de composições do mexicano José Sabre Marroquín e construiu este registo. Na sua companhia, além do pianista Gonzalo Rubalcaba, alguns nomes sonantes do jazz latino como Joe Lovano, Ignacio Berroa, Miguel Zenón, Oriente Lopez, Larry Koonse, Lionel Loueke, Michael Rodriguez e Juan de la Cruz. O resultado é um tomo de faixas temperadas com o requinte do bom gosto, a improvisação melódica, a invenção rítmica e a intersecção serena dos diversos elementos musicais.

Land Of The Sun é um registo profundamente romântico, embora pudesse ter benificiado com a introdução de alguns arranjos upbeat que quebrariam a natureza algo soporífera das baladas. De qualquer forma, a mais recente incursão latina de Haden é bem sucedida no seu intento e deve encontrar uma audiência extensa.

Zita Swoon - A Song About A Girls

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004
Género: Indie Intimista



Os belgas Zita Swoon regressam com A Song About A Girls. O formato é simples: arranjos transparentes e um som quente, maioritariamente acústico. Este trabalho é um disco muito pessoal, sob uma atmosfera de serenidade contagiante, de canções fortes que combinam letras em inglês e em francês.

As canções mostram-se sem qualquer pretensão, são aquilo que é suposto serem, como criações sinceras, actos onde a assinatura é a qualidade. Contudo, a natureza doméstica das gravações, se lhes confere uma maior intimidade, perfeitamente audível, também as faz deslizar para a monotonia de uma produção minimalista, ainda que minuciosamente ponderada. É esse o maior defeito de A Song About A Girls: o disco torna-se algo enfadonho e dificilmente resiste no leitor de cd's até ao fim. De qualquer jeito, é um registo com os seus méritos e merece uma audição, especialmente da parte dos adeptos do som alternativo pouco elaborado e despido de preconceitos. Há aqui laivos de Serge Gainsbourg, ou mesmo Nick Cave, enfeitados com algum exotismo e maturidade.

Ricardo Villalobos - Thé Au Harem d'Archiméde

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Electrónica/Experimental/Techno Minimalista/Club-Dance



O chileno Ricardo Villalobos tem vindo a construir uma discografia extensa de música minimalista, sob as conceituadas etiquetas Playhouse e Perlon. Depois do êxito de Alcachofa (2003), Thé Au Harem d'Archiméde apresenta-se como um disco sem ideias pré-concebidas, um desfile de incessantes jams de electrónica minimalista. As faixas são hipnóticas, esparsas mas unidas numa sensualidade elegante, luxuosas na sua simplicidade, refinadamente nocturnas e suaves. Não se trata de um disco de apreensão imediata, mas a sua textura sonora é apelativa, chama à descoberta e lança pistas para a aurora de um micro-house progressista. Aceitamos o desafio?

Bob Schneider - I'm Good Now

Apreciação final: 6/10
Edição: Abril 2004
Género: Pop-Rock/Cantautor



Bob Schneider é um americano de Austin, praticamente desconhecido no mercado europeu. A sua música vai desde o curioso rock de bar às mais sensíveis composições íntimas, com pitadas de funk, country e folk.

I'm Good Now revela uma razoável bateria de canções, derivando das estruturas simples, das vocalizações atempadas e das letras divertidas. Talvez este registo seja capaz de trazer Bob Schneider a audiências maiores e a um estatuto que o músico ainda não conseguiu atingir. Há neste disco algo de Dave Matthews, dos Counting Crows e, aqui e ali, de Bruce Springsteen.

O segundo registo de estúdio de Bob Schneider tem algumas faixas mainstream, entremeadas com outras mais alternativas. Ainda assim, para um pretendente ao estatuto de cantautor, o disco não apresenta a versatilidade exigível, resvalando displicentemente para o facilitismo pop na maior parte das faixas. E esse é o seu maior pecado.

Elvis Costello - Kojak Variety

Apreciação final: 5/10
Edição: Agosto de 2004 (Re-edição)
Género: Blues/Rock'N'Roll



Originalmente lançado em 1994, Kojak Variety foi re-editado este ano, com o acrescento de vinte temas não incluídos na versão original. Neste trabalho, Elvis Costello escolheu alguns temas do blues e deu-lhes uma nova roupagem, criando um tomo coerente de canções, algures entre o blues mais costumeiro e o rock'n'roll mais mexido. A oferta é honesta, mas o desfecho fica aquém do propósito. Além das boas interpretações, o mérito deste título é apenas um: desperta-nos a curiosidade pelos originais!

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Nirvana - With The Lights Out

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Grunge-Rock/Pop-Rock Alternativo


Antes dos Nirvana, o rock alternativo estava confinado a secções especiais nas lojas de música, distantes da atenção do público. As grandes editoras consideravam-no um género residual. O segundo álbum do trio de Seattle, Nevermind, ainda hoje considerado um dos melhores registos da história, além de trazer os Nirvana ao estrelato mundial, devolveu ao rock o estatuto merecido. Os Nirvana tinham mudado o mundo.

With The Lights Out é a resposta a um anseio antigo dos seguidores da banda. Desde o suicídio de Cobain, em Abril de 1994, os fãs pediam a edição das raridades, B-sides e takes alternativos dos Nirvana. Pois bem, é precisamente isso que esta edição oferece. Dentro da caixa especial, um DVD e três CD, num total de 81 faixas, compostas maioritariamente de material não editado, a não ser em edições bootleg. De qualquer forma, nenhum tema relevante foi deixado fora, o que faz desta edição, a recolha final das raridades e outtakes dos Nirvana.

Este lançamento é uma preciosidade para os admiradores da banda mas, para auditores mais atentos, pode não parecer tão apelativo quanto era suposto. O interesse das faixas seleccionadas resume-se à curiosidade das razões históricas, mais do que à qualidade das gravações, ou à relevância do material. Estão presentes várias gravações quase-domésticas, muitos solos acústicos e versões diferentes de músicas conhecidas dos Nirvana.

With The Lights Out não será uma decepção para ninguém, mas é um presente natalício mais recomendável para os fãs indefectíveis da banda.

Cidade de Deus

Apreciação final: 8/10
Edição: 2002
Género: Drama/Thriller/Policial


Cidade de Deus é uma favela do Rio de Janeiro que, durante os anos 80, se tornou um dos maiores focos de violência do Brasil. O enredo deste filme aborda a vida quotidiana dos delinquentes da Cidade de Deus, cujas vidas de alguma forma se intersectam. O narrador é um jovem aspirante a fotógrafo que tenta fugir ao destino fora-da-lei da favela. Ele é o elemento de humanidade que desponta da violência e da miséria humana da Cidade de Deus.

Cidade de Deus é um excelente documento cinematográfico, com uma realização sublime de Fernando Meirelles, um argumento inteligente e uma montagem perfeita. Sem dúvida, um dos melhores filmes dos últimos anos.

The Czars - Goodbye

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004
Género: Pop-Rock Alternativo



Algures entre a pop mais melosa e a country tradicionalista, está o tom dos The Czars. Este é o terceiro registo da banda de Denver. O pessimismo outunal continua a pautar as estruturas líricas das músicas, John Grant não consegue encontrar optimismos catárticos. E ainda bem, os Czars não ficam bem com outro som. A beleza deste registo está na fina fronteira entre a melancolia e a tristeza. Goodbye não é um disco sombrio, mas é definitivamente um registo melancólico, algo misantropo, fechado sobre si mesmo. A poesia cruza-se com o desapontamento, o remorso e o cinismo, o disco é subtil, não é óbvio mas com alguma persistência percebe-se a medula dos The Czars. E afinal, eles até nem soam nada mal. Gosto especialmente das faixas "Paint The Moon" e "Pain" (faz-me lembrar os Mull Historical Society).

Se o disco resistir à primeira audição, então revelar-se-à a natureza dos The Czars, aparentemente difusos, mas com talento para merecer uma atenção especial.

Gonzales - Solo Piano

Apreciação final: 6/10
Edição: Setembro 2004
Género: Instrumental/Piano



Conceber um disco que se reduz ao som do piano, sem qualquer acompanhamento, não é tarefa a que qualquer músico se entregue. Foi esse o desafio que Gonzales decidiu aceitar. Dezasseis faixas em registo solo de piano é a proposta do último trabalho do canadiano, celebrizado pela sua colaboração com a polémica Peaches.

Neste Solo Piano não há palavras a interromper o curso triunfante da música, as composições de piano desfilam, nuas e puras, absolutamente incorruptas. Surpreendentemente, ou talvez não, as composições não são de digestão difícil, fluem com agilidade e são absorvidas em instantes de prazer espontâneo. A filosofia é bastante díspar de The Presidential Suite mas é amostra do talento de "Chilly" Gonzales no instrumento que lhe ensinou o amor pela música: o piano.

As composições podem não ser excelsas, estão longe de fazer de Solo Piano um clássico; ainda assim, vale a pena satisfazer o desejo de ouvir Gonzales sozinho ao piano.

Sigmatropic - Sixteen Haiku & Other Stories

Apreciação final: 5/10
Edição: Janeiro 2004
Género: Experimental/Indie-Rock



O projecto experimental do grego Akis Boyatzis fez a adaptação da poesia de George Seferis para o tecido lírico das composições deste registo. Vinte e duas faixas sem nome, tipicamente Sigmatropic, interpretadas com o cunho pessoal de cada um dos vários convidados ilustres: Robert Wyatt, Laetitia Sadier (Stereolab), Martine Roberts (Broken Dog) Alejandro Escovedo, Edith Frost, Cat Power, Chan Marshall, Mark Eitzel, Howe Gelb e Steve Wynn. Contudo, apesar do desempenho honesto de cada um dos participantes, nenhuma das faixas se afirma definitivamente, parece faltar-lhes uma noção de compromisso superior. É verdade que são faixas algo excêntricas, íntimas, relaxantes e sensuais, mas os cristais luzidios que as compoêm não chegam para afastar irremediavelmente os espectros sombrios do silêncio.

A poesia de Seferis, laureado com o Nobel, merecia uma melhor homenagem musical.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Talib Kweli - The Beautiful Struggle

Apreciação final: 6/10
Edição: Setembro 2004
Género: Hip-Hop/ Rap Underground



O talento de Talib Kweli é distinguido há alguns anos no seio da esfera hip-hop, especialmente desde a participação no projecto Black Star, na companhia de Mos Def e do DJ Hi-Tek. Desde então, Talib conquistou o respeito dos seus pares e da crítica, tornando-se um dos rappers mais elogiados à escala planetária. Os elogios públicos do consagrado Jay-Z ajudaram à consolidação dessa imagem. Contudo, Talib Kweli não foi capaz, de explodir comercialmente e The Beautiful Struggle é a primeira tentativa assumida de aproximar o registo underground que caracterizava os seus trabalhos anteriores, do exigente crivo do comercial mainstream. O resultado é um pouco confuso, não se chega a perceber o que mais pesa nas criações deste álbum, se a natureza irreverente da afirmação do discurso ou se a tentativa de alargar esse discurso a outros públicos. O desfecho: não é um disco underground, tampouco será um retumbante êxito comercial. Ainda assim, não restem dúvidas, há algumas boas faixas de hip-hop mas não chegam para fazer deste A Beautiful Struggle aquilo que ele deveria ter sido.

Jello Biafra & The Melvins - Never Breathe What You Can't See

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Punk Revivalista



O antigo frontman dos Dead Kennedys regressa, na companhia dos Melvins, em Never Breathe What You Can't See. O cinismo corrosivo e o intervencionismo político de Biafra não foram minorados neste registo, antes parecem ter ganho um novo fôlego. O suporte musical dos Melvins é um precioso ajutório para a construção de uma sonoridade híbrida, algures entre uma recriação dos defuntos Dead Kennedys e o metal sujo e afirmativo dos Melvins. É curiosa a fusão entre estes veteranos iconoclastas, a berraria estridente de Biafra e a electrizante interjeição das guitarras de Buzz Osborne.

O registo é acerbo, sarcástico q.b., tenso e modernamente punk.

Cold Mountain

Apreciação final: 5/10
Edição: 2003
Género: Drama/Romance


Nos vagos dias da Guerra Civil Americana, o soldado desertor Inman (Jude Law) enceta um atribulado regresso a Cold Mountain, sua terra natal, esperando encontrar a amada Ada (Nicole Kidman), por quem se havia apaixonado antes da partida para a guerra. Pelo caminho, Inman cruza-se com um punhado de personagens pitorescas, enquanto Ada tenta gerir a quinta do seu falecido pai com a ajuda da grosseira camponesa Ruby (Renée Zellweger).

Este é o mote para Cold Mountain, um razoável exercício de reflexão sobre a tenacidade do amor e as adversidades que se lhe opõem pelas circunstâncias da vida. E como a guerra pode ser um terrível destruidor de utopias.

Uma nota para a interpretação de Zellweger, oscarizada pela Academia, num registo consideravelmente distante da imagem a la Bridget Jones que lhe está colada. O resto é uma promessa de filme interessante, que sacrifica a exploração da história à xaroposa história de amor. Negócio oblige...

Kathryn Williams - Relations

Apreciação final: 6/10
Edição: Maio 2004
Género: Folk/Indie/Cantautor



Kathryn Williams é há muito comentada como uma das vozes liderantes da cena folk. A cantora conquistou uma reputação considerável muito à custa do registo Little Black Numbers, caracterizado por um som tipicamente lo-fi, íntimo e profundo. Este Relations é um álbum de versões que a própria Williams define como uma reconciliação com a música. É sabido que um álbum exclusivamente feito de covers é empreita arriscada; esse risco é assumido pela cantora e o resultado, não sendo excelente, é de bom nível. Do alinhamento fazem parte temas de Neil Young ("Birds"), Leonard Cohen ("Hallelujah"), The Byrds ("The Ballad Of Easy Rider"), Velvet Underground ("Candy Says"), Bee Gees ("I Started A Joke"), Lee Hazlewood ("Easy And Me"), Nirvana ("All Apologies"), entre outros.

Como sempre num álbum deste género, algumas versões funcionam melhor do que outras. Não gosto de "All Apologies", parece-me uma distorção turtuosa dos princípios básicos da canção de Cobain. Por outro lado, a versão de "Hallelujah" está próxima da que já havia sido feita por Jeff Buckley e constitui um dos pontos altos do registo. "Spit On A Stranger" e "Candy Says" também são interessantes.

Relations não é um trabalho generalista, mas merece uma visita curiosa. Deixe-se seduzir pela música.

Young Gods - Music For Artificial Clouds

preciação final: 5/10
Edição: Abril 2004
Género: Ambiental/Minimalista



Formados em 1985, na cidade suiça de Genebra, os Young Gods deixaram o seu cunho pela limpidez da sua música, pela beleza poética dos seus registos, feita de impulsos induzidos pela adrenalina, como que cruzando com perícia, flores e serras eléctricas, em cima de uma mesa de misturas. Quatro anos após a última edição em disco, Music For Artificial Clouds assinala o regresso da banda suiça. O álbum assenta no formato ambiental-minimalista, a música reduz-se à sua natureza mais ínfima, debitam-se sons esparsos.

Esperar quatro anos por um novo álbum dos Gods e receber este Music For Artificial Clouds, não pode deixar de ser considerado, por injusto que tal possa soar, um frustrante anticlímax, uma espécie de traição aos admiradores do trio suíço.

Fãs dos Young Gods, esqueçam este disco! Admiradores da música experimental, ouçam...sem esperar nada especialmente inovador. Music For Artificial Clouds assemelha-se mais a uma banda sonora de um sinistro filme de ficção científica do que a um desenredado exercício de puro relaxe.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Janela Secreta

Apreciação final: 5/10
Edição: 2004
Género: Drama/Thriller/Suspense


Realizado por David Koepp (argumentista de Homem Aranha e Sala de Pânico) e protagonizado por Johnny Depp e John Turturro, foi recentemente lançado em DVD no mercado nacional este Janela Secreta.

O bem sucedido escritor Mort Rainey (Depp), refugia-se numa casa isolada na floresta, depois de descobrir o adultério da sua mulher. Enquanto decorre o processo de divórcio e à medida que a sua vida se torna cada vez mais asceta, Mort é acusado de plágio por um enigmático psicopata (Turturro), que reclama a autoria de um dos seus textos. O enigma da identidade do psicopata e a necessidade de provar a autoria da história é o elo dinamizador do enredo.

Depp e Turturro estão excelentes, a realização é boa. O que falha mesmo é o epílogo do filme, uma verdadeira decepção, sem uma ponta de originalidade, em plágio evidente de outras propostas no género. Num filme sobre plágio, para quê copiar?

To Rococo Rot - Hotel Morgen

Apreciação final: 6/10
Edição: Maio 2004
Género: Electrónica/Experimental


O trio berlinense To Rococo Rot, fundado em 1994, inspira-se no pós-rock, combinando a electrónica com pequenos elementos acústicos, na mesma linha dos Tortoise ou dos Stereolab. O experimentalismo é a filosofia basilar deste conceito, partindo de um tecnho simples, enriquecido por complexos ambientes de hipnose sonora. O conceito é operado engenhosamente neste registo, fazendo de Hotel Morgen uma inspirada combinação de faixas suficientemente criativas para convencerem os mais cépticos, num estilo único, aqui elevado a uma completude não existente nos registos anteriores dos To Rococo Rot. Ainda assim, a sensação do ouvinte perante o desfile das faixas é de que falta algo. As composições não atingem um nível superior: são agradáveis, demonstram o talento do grupo, mas ficam aquém de um integral compromisso de excelência. Tornam-se reféns de si mesmas.

Hotel Morgen é um manifesto de afirmação de um estilo, mais um contributo irónico para proclamar os To Rococo Rot como representantes máximos de um género musical quase único: o seu!

Apesar de não ser um disco excepcional, é recomendável aos adeptos da electrónica experimentalista.

Badly Drawn Boy - One Plus One Is One

Apreciação final: 6/10
Edição: Julho 2004
Género: Rock Elaborado/Alternativo/Indie


Os álbuns anteriores de Damon Gough (conhecido como Badly Drawn Boy) mostravam um músico incansável e intensamente criativo que rapidamente ascendeu ao estatuto de ícone indie, especialmente após a produção da banda sonora original do filme About A Boy e do álbum Have You Fed The Fish?.

Este é o seu quarto registo e faz uma abordagem singela, ainda que em permanente peleja entre a simplicidade e a complexidade, algures entre um Jim O'Rourke ou Elliot Smith e os Jethro Tull. À medida que o ouvinte pula as faixas de One Plus One Is One, é-lhe induzida uma introspecção agridoce, uma jornada ampla pelas adversidades do amor. As músicas? Dão um toque artesanal quase barroco, numa produção minuciosa, simultaneamente imponente. Mas será que estas canções mais elaboradas terão mais êxito do que as mais simples?

One Plus One Is One atesta um refinamento de Damon Gough nos terrenos já conquistados, ao invés da procura de novos espaços. É essa a limitação maior do disco, mas não o impede de ser um exercício de audição valioso, embora a exuberância da roupagem dos temas possa ofuscar a sua verdadeira essência.

A Minha Namorada Tem Amnésia

Apreciação final: 6/10
Edição: 2004
Género: Comédia/Romance


Do realizador de Terapia de Choque(2003), chega agora ao mercado DVD português, A Minha Namorada Tem Amnésia, com Adam Sandler, Drew Barrymore e Rob Schneider nos principais desempenhos.

Henry Roth (Sandler) é um veterinário que vive no Havai e que faz de playboy junto das frequentadoras passageiras daquela ilha paradisíaca. Um dia, apaixona-se ocasionalmente por Lucy (Barrymore), uma jovem que sofre de amnésia de curto prazo. Uma vez que ela jamais se lembrará de o conhecer, Henry vai tentar conquistá-la todos os dias, na esperança de que ela acabe por se recordar de si.

A Minha Namorada Tem Amnésia é uma comédia simples, com alguns gags divertidos, enquadrados por personagens caricatas: um bodybuilder sexualmente frustrado, uma mulher que se confunde com um homem e Ula, um havaino barrigudo e indolente (Schneider).

Saint Germain des Prés Café vol. 5

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Electro-jazz/Chill-Out/Nu-jazz


A colecção Saint Germain des Prés Café dispensa apresentações. De Paris a Tóquio, passando por Londres e Nova Iorque, trata-se da mais famosa compilação de electro-jazz. A evocação da zona de Saint Germain remete-nos para a atmosfera fumosa dos pequenos clubes de jazz de Paris, onde tocaram Dizzy Gillespie, Miles Davis ou Duke Ellington.

Neste quinto volume da série destaca-se o novo conceito gráfico da capa. Em termos sonoros, mantém-se a aposta nas novas tendências do jazz electrónico, um estilo musical que desagrada aos mais indefectíveis seguidores do jazz tradicional. Ainda assim, para quem aprecia este género, a colecção é interessante. O volume 5 é um bom exemplo do que vale actualmente o nu jazz.

A título de exemplo, refira-se que fazem parte do alinhamento faixas de Slow Train, De-Phazz, Stacey Kent, Koop, dZihan & Kamien e Gotan Project, entre outros.

Death In Vegas - Satan's Circus

Apreciação final: 4/10
Edição: Outubro 2004
Género: Electrónica/Dub/Club/Pós-Rock


Projecto britânico que vingou nos anos 90, os Death In Vegas são Richard Fearless e Tim Holmes. Os registos anteriores envolviam uma série de vocalistas convidados, guitarristas também, e daí resultavam trabalhos interessantes, especialmente The Contino Sessions. Neste Satan's Circus o duo abandonou esse formato, partiu para a composição assumindo uma maior liberdade criativa, com um risco proporcionalmente acrescido, deixando de parte a voz e concebendo um registo meramente instrumental. A audição do disco sugere algumas conclusões: o material reproduzido é obscuro, desponta alguma desordem e atrapalhação.

As melodias soam excessivamente depressivas, não há uma linha de equilíbrio no alinhamento, o ouvinte perde-se e rejeita o conceito. Não há um climax. E sem ele, não vale a pena escutar as onze faixas do disco.

Uma desilusão para quem conhece o passado dos Death In Vegas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Willard Grant Conspiracy - Regard The End

Apreciação final: 7/10
Edição: Maio 2003


Quando ouvi este disco, a primeira ideia que abordou a caneta indecisa foi escrever simplesmente: Robert Fisher é o Stuart Staples (Tindersticks) da folk. Pois bem, Robert Fisher, o vocalista dos Willard Grant Conspiracy, encaixa a sua voz grave e elegante, num folk-rock quase negro, adulto e enraízado no country.

A gravura que ilustra o disco, sugestivamente matizada a sépia, é uma figuração de um universo alternativo, nascido de coisa nenhuma, feito de um sossego que o stress esconjurou da mente e que resgatamos na sala de estar, por força do som sereno dos Willard Grant Conspiracy.

As instrumentalizações são cristalinas, as guitarras parecem toques mágicos, as orquestrações de cordas completam as canções, numa simbiose que roça a perfeição. Mark Lanegan deve apreciar este registo. E quem não gosta do tom próximo e único dos Willard Grant Conspiracy? Se os Tindersticks fossem americanos, talvez soassem assim...

Ian Brown - Solarized

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004


Ex-vocalista dos Stone Roses, Ian Brown mantém uma imagem de arrogância espaventosa, muito por culpa do simbolismo associado à sua antiga banda. Após a dissolução desse projecto, Brown seguiu uma carreira a solo, sendo Solarized o seu quarto registo individual.

O disco manifesta iniludíveis influências do emblemático som Madchester e torna-se um curioso exercício de auto-indulgência, ornado por batidas com um bom gosto excêntrico, quase kitsch, uma voz luminosa e a vibração característica de Brown. Além disso, este longa-duração invoca a exploração de outros caminhos musicais, sem perturbar uma fidelidade inabalável às doutrinas do passado. A faixa "Keep What Ya Got" contou com a colaboração de Noel Gallagher (Oasis).

Solarized é um álbum agradável e sadio mas revela um Ian Brown a tentar lavar-se de um rótulo que é indelével: ele continua a ser "aquele tipo" dos Stone Roses.

Nina Nastasia - Dogs

Apreciação final: 6/10
Edição: Junho 2004 (re-edição)


A nova-iorquina Nina Nastasia cria música intimista, de evocação do sentido da perda, delimitada por horizontes de guitarra, em tons leais, numa confissão de utopias quebradas. Dogs foi originalmente editado em 1999, pela mão de uma pequena editora e é agora recuperado.

Já neste primeiro tomo de canções, era exemplarmente identificável o toque prostrado, mesmo gentilmente austero e intimamente sombrio e delicado de Nina Nastasia. Quinze faixas, voz refinada e frágil (lembram-se de Aimee Mann ou Rosie Thomas?) e guitarra em tons outonais, de apelo irresistível à recolha nos recantos de serenidade que se escondem em nós.

Dogs é um íntegro convite a descobrir Nina Nastasia. E a dela gostar.

U2 - How To Dismantle An Atomic Bomb

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004


Cada lançamento dos irlandeses U2 é um acontecimento mundial, sempre escoltado por uma exaustiva campanha de promoção e por uma considerável conquista de airplay nas rádios nacionais. O single de apresentação, "Vertigo", fazia adivinhar um registo mais rock da banda, mas à excepção de uma ou duas faixas, o disco não faz essa abordagem. Do alinhamento constam onze temas de pop U2 não contaminado, revelando a maturidade da banda, bem suportada por uma produção de grande nível.

How To Dismantle An Atomic Bomb vem provar que os U2 continuam a ser artesãos capazes de arquitectar um disco melódico e cativante e que não frustrará os imensos seguidores do grupo. Contudo, o registo não é destemido, os U2 seguem com cautelas o curso da composição, dando primazia ao estilo que os celebrizou no passado, em detrimento da procura de sonoridades inovadoras. Certamente, o fracasso de Pop (1997) continua a envergonhá-los. O conservadorismo do álbum não incomodará os apreciadores mas impede o registo de atingir degraus mais altos de brilhantismo, ficando aquém de Joshua Tree ou Achtung Baby.

Uma ode às raízes musicais dos U2, mais do que um passo em diante, How To Dismantle An Atomic Bomb é um disco fiel à doutrina dos U2. A abantesma do epíteto de maior banda rock do planeta assombra os próprios U2; eles são incapazes de vencer o monstro, evitam-no, e seguem. Ainda assim, goste-se ou não, How To Dismantle An Atomic Bomb é um bom disco dos U2.

terça-feira, 30 de novembro de 2004

!!! - Louden Up Now

Apreciação final: 7/10
Edição: Junho 2004


Louden Up Now é o novo projecto do octeto !!! (supostamente o nome da banda pronuncia-se chk chk chk). Os !!! nasceram do desmembramento dos Yah Mos e, ao invés de seguirem o mesmo enquadramento sonoro, viraram-se para música mais dançável, com batidas apelativas e estruturas melódicas exuberantes e energéticas.

Frequentemente associados ao mesmo movimento dos Radio 4 ou dos Rapture, os !!! partilham a mesma doutrina, colhem as influências do funky-punk dos anos 80 (os sinais de Clash e os Talking Heads pululam por aqui) e convertem-nas num dance-punk revivalista. Além disso, o discurso é político, orgulhosamente anti-Giuliani, anti-Bush e anti-Blair.

O resultado é um registo valioso, sofisticado, recheado de raivas moderadas, com imensa criatividade, disseminada pelas faixas do disco. Um autêntico clássico da mais hodierna música independente, verdadeiramente único, de excelência na produção e altamente aconselhável. A ouvir com muita insistência.

Johnny Cash - My Mother's Hymn Book

Apreciação final: 7/10
Edição: Abril 2004


Mais uma das edições póstumas da obra de Johnny Cash, My Mother's Hymn Book é exactamente aquilo que o título anuncia: uma colecção de canções que a sua mãe cantava.

O formato é simples: a voz barítona e profunda de Cash, a guitarra acústica em fundo e canções desataviadas e melancolicamente belas. Nas notas do próprio autor para o disco, Cash afirma ser este o seu registo preferido. Do alinhamento não constam temas originais mas as canções escolhidas marcaram decisivamente o cantor e são aqui apresentadas de forma sentida, numa veneração honesta. Apesar de não ser o último disco editado de Johnny Cash, My Mother's Hymn Book apresenta, com uma singeleza enternecedora, as raízes que levaram Cash a interessar-se pela música e perfaz, em simultâneo, o requiem mais justo a um dos grandes músicos do nosso tempo.

Le Tigre - This Island

Apreciação final:6/10
Edição: Outubro 2004


O trio feminista Le Tigre move-se nas directrizes do pós-punk, com imenso glamour, envolvido em tons eclécticos e uma saudável dose de electrónica. Quando This Island foi lançado pela major Universal, editora que é a antítese do movimento riot-girls, a surpresa instalou-se. Seriam os Le Tigre capazes de manter a irreverência dos trabalhos anteriores? A resposta não podia ser mais inequívoca: estes sobreviventes do electroclash construiram o álbum que já queriam ter feito, um registo que esmurraça consciências, mantendo as preferências estéticas dos seus antecessores.

O álbum é irreverente, divertido e honesto, mostrando-nos uma banda que promete feitos maiores para o futuro e que, definitivamente, é uma das surpresas para o ano de 2004. Uma nota de destaque para a lunática versão de "I'm So Excited" das Pointer Sisters.

This Island não é o melhor disco do ano, longe disso, mas é um registo entretido, com bom ritmo, um desatino permanente, em prol da afirmação de um estilo. E os Le Tigre têm muito estilo.

Maria Rita

Apreciação final: 8/10
Edição: Outubro 2003


Maria Rita é filha de Elis Regina e herdou da mãe os gestos, o olhar, o balanço do corpo e o ritmo quente do timbre da voz. Durante o ano de 2004, Maria Rita tornou-se uma das vozes mais populares do Brasil, um dos principais talentos da MPB, temperada com o bom gosto do jazz. Piano, contrabaixo e bateriam juntam-se à voz de Maria Rita, convidam as violas, os violinos e os violoncelos, em alguns temas, na construção de um tomo impressionante, um desfile de canções brilhantes, a maior revelação da música brasileira dos tempos mais recentes. Os parceiros na composição são ilustres: Cláudio Lins, Milton Nascimento, Rita Lee, Zélia Duncan, Lenine, entre outros.

Gosto especialmente do tema "Pagu" (composto por Zélia Duncan e Rita Lee - excelente letra e música).

Recentemente, a cantora foi galardoada com os Grammys latinos para as categorias de revelação do ano, melhor disco de MPB e melhor música brasileira. É preciso dizer mais?

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Jorge Palma - Norte

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004


Três anos depois do lançamento do último trabalho de originais, Jorge Palma está de regresso. Norte é um disco versátil, mostra um Jorge Palma desdobrado em diversos estilos musicais, colhendo influências da pop, do jazz e mesmo dos blues.

Goste-se ou não, um novo disco de Palma é sempre um momento especial na música nacional, não fosse ele um dos seus principais dinamizadores, com letras irónicas e acutilantes e composições musicais elaboradas e atraentes. Neste trabalho, Jorge Palma parece à procura de novos trilhos para percorrer, de bússola na mão, buscando o Norte no horizonte; a liberdade criativa de Jorge Palma atinge níveis elevados, sem pretensões, o disco assume uma frontal demissão do crivo da crítica, a sua fronteira apenas uma : a música. Ao longo de treze faixas (mais duas escondidas "com rabo de fora", como Palma lhes gosta de chamar) produzidas por Mário Barreiros, o formato a la Jorge Palma é perfeitamente identificável, o piano é o pano de fundo, aceitando a companhia de outras instrumentalizações subtis, sejam elas cordas ou sopros. Ainda assim, não deixa de se instalar algum desapontamento...as canções são boas, mas não tão boas assim! O desfile dos temas do disco assemelha-se a uma lista de promessas por cumprir, a frases sem o remate final. Em tempos idos, ao corpo da música, Palma juntava uma alma própria. Neste Norte as canções mantêm as curvas sedutoras, ostentam-se vaidosamente, mas preguiçam, vagas e sem rumo.

Norte é um teste. Ouvi-lo é perceber os caminhos errantes de Palma. E perceber que para alguém como Jorge Palma o Norte não estava por descobrir, procurá-lo de novo é um desnorte.

Depeche Mode - Remixes 81-04

Apreciação final: 7/10
Edição: Outubro 2004


Lançado em formato triplo, este Remixes 81-04 pretende ser uma recolha extensa das inúmeras versões e remixes da obra dos britânicos Depeche Mode. O registo é bem conseguido, embora fosse preferível reduzi-lo ao formato duplo. Uma prova da influência que os Depeche Mode tiveram está na lista de participantes: François Kevorkian, DJ Shadow, Underworld, Goldfrapp, Kruder & Dorfmeister, Timo Maas, Air, Colder, Adrian Sherwood e Danny Tenaglia, entre muitos outros.

O alinhamento é demasiado extenso para manter a coesão que se exigia, definitivamente algumas faixas não deveriam ter sido incluídas neste trabalho. Ainda assim, merecem ser destacadas as versões de "Policy Of Truth" (Kevorkian), "Home" (Air), "Personal Jesus" (Kevorkian), "Useless" (Kruder & Dorfmeister), "In Your Room" (Jonny Dollar) e "Dream On" (Dave Clarke).

Remixes 81-04 é um testemunho inequívoco da modernidade dos Depeche Mode e vai trazer o som do grupo aos frequentadores das discotecas e clubes.

Spiderbait - Tonight Alright

Apreciação final: 5/10
Edição: Agosto 2004


O trio australiano Spiderbait tornou-se uma das mais emblemáticas bandas dos anos 90, graças ao seu caótico rock revivalista, com injecções do mais puro punk de garagem.

É verdade que o seu som não é muito inovador, segue pistas valiosas de outros projectos do género mas Tonight Alright consegue ser um registo meritório. Uma nota de destaque para a improvável cover de "Black Betty", um original de Leadbelly.

Provavelmente os Spiderbait não atingirão o estatuto dos seus compatriotas The Vines ou Jet, mas merecem seguramente ser ouvidos. A fusão da estrutura melódica do punk com batidas mais eletro, acordes decididamente retro e irreverência q.b. pode não ser brilhante mas Tonight Alright é um disco que vale a pena ouvir.

domingo, 28 de novembro de 2004

Monty Python - E Agora, Algo Completamente Diferente! (Filme, 1971)

Apreciação final: 7/10

Os Monty Python foram a mais franca evidência de que a demência anda de mãos dadas com o génio. Durante anos, a famosa série televisiva Monty Python's Flying Circus cativou gerações de públicos diferentes, de todas as faixas etárias, raças, religiões ou sexos. Os Monty Python personificavam um supremo exercício de humor excêntrico, deliciosamente libertino e sem limites à invenção que marcou uma época na televisão, primeiro, no cinema, depois. Este registo em DVD, lançado recentemente no mercado nacional, é uma recolha dos momentos mais especiais dos dois primeiros tomos da série Flying Circus, gravados em 1971, e onde podemos ver no seu melhor os consagrados John Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Terry Jones e Michael Palin.

Do versátil rol de sketches fazem parte excertos tão lunáticos quanto as aulas de auto-defesa contra ataques com peças de fruta, o bando de velhotas delinquentes, a delirante expedição ao Kilimanjaro, um papagaio morto, o sádico tocador de órgão de ratos, o escritor de anedotas que morre com a sua melhor criação (que há-de servir como arma na Segunda Guerra Mundial!), os carros assassinos que pretendem "limpar" a cidade de Londres dos peões, o garfo sujo no restaurante de luxo que leva à loucura o seu staff, o ladrão de bancos que assalta uma loja de lingerie, o enfadonho contabilista que quer ser domador de leões, o programa de T.V. que chantageia os espectadores a troco da não revelação de factos comprometedores da sua vida pessoal, a indescritível competição desportiva de eleição do idiota do ano, entre outros, sempre apimentados por originais momentos animados de arte pop, uma das imagens de marca dos Monty Python.

O desfile de talento do quinteto de cómicos britânicos é imparável, o entretenimento está assegurado. Vale sempre a pena recordar os Monty Python, os reis do nonsense. E agora, algo completamente diferente...

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Ed Harcourt - Strangers (CD, 2004)

Apreciação final: 8/10

Depois de ser promovido ao estrelato com From Every Sphere, o ex-líder dos extintos Snug regressou este ano, com novo álbum de originais. Se aquele trabalho tinha consagrado um género musical multi-instrumental de indie-pop madura, este Strangers dá continuidade a essa configuração, alastrando-a em doze canções de nível seguro. O disco manifesta uma linha exímia de criatividade, com espaço para faixas tão desiguais quanto autênticas, cada qual com um intento peculiar, feito de composições altivas, de som limpo e acolhedor, trazendo o talento de Ed Harcourt a degraus superiores.

Falar de Ed Harcourt é mencionar um dos melhores compositores do nosso tempo. Esse estatuto deriva directamente das canções simples mas brilhantes, com influências de Nick Drake, Tom Waits, Ryan Adams, aqui e ali Neil Young ou Radiohead, e um cunho pessoal original. Da lista de ingredientes do registo constam guitarras inspiradas, pianos q.b., batidas que serenamente se fazem convidadas e o virtuosismo de um compositor adulto, capaz de fundir a intimidade das suas letras com uma ambiência rock gentilmente construída. Adoro "Something To Live For" (Tom Waits deve apreciá-la), "Strangers", "Born In The 70's", "Trapdoor" e "The Music Box".

Strangers é a cabal demonstração de um engenho genuíno, um tomo consistente de grandes canções, suficientemente versáteis para ornarem este título com a justa distinção de um dos melhores do ano.

The Great Lesbian Show - Psykitsch Kaleidoscope (CD, 2004)

Apreciação final: 6/10

Os The Great Lesbian Show são um excêntrico projecto musical nacional, liderado pela ex-Pop Dell'Arte Ondina Pires. Definir o seu som não é tarefa simples; é um cocktail explosivo de rock'n'roll, de música experimental, de onomatopeias e grunhidos com o propósito da dissonância, de sons cabaret, de ambientes Hollywood, de ruídos indecifráveis e um contida dose de saudável loucura. Pskykitsch Kaleidoscope é um apanhado disso, assume uma estética libertina, uma miscelânea desconcertante, em equilíbrio desafiado teimosamente pela gravidade, numa corda bamba que é um turbilhão de energias vorazes e criatividade insaciável.

O objectivo? Não há pretensões, apenas o saboroso gosto da descoberta. O disco? Estranho, invulgar, insano. Afinal, também se inventa música em Portugal.

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Fantômas - Delirium Corda (CD, 2004)

Apreciação final: 8/10

Estamos acostumados aos reptos ambíguos dos Fantômas. A sua música é criativa, procura novos trilhos sonoros, percorre mares nunca dantes navegados. Desta vez, a proposta é um disco com apenas uma faixa, cerca de setenta e cinco minutos contínuos no mesmo tema! O inédito é também maravilhosamente excêntrico: de loucura ou genialidade?

Antes de escutar o disco, perscrutei o booklet e avistei inúmeras imagens de actos médico-cirúrgicos. Qual o sentido? Com o disco a rodar, sente-se a agitação convulsiva de uma atmosfera cinematográfica que nos remete para o imaginário dos filmes de terror. Aqui, ficamos rendidos por setenta e cinco minutos, não há escapatória possível, a redenção passa pela afronta ao medo. O assomo é demais veemente, aprisiona-nos em feitiços encantatórios, o fascínio do oculto seduz-nos a seguir o escuro. E os Fantômas levam-nos numa incursão por mundos ignotos, perdidos nos esconsos do sonho, feitos realidade em sequências melódicas coesas, que integram com apuro os dislates geniais do grupo. A tensão é permanente, o arrebatamento atroz reside até ao fim do disco e fica em suspenso, em espasmos maravilhados, sem destino definido. Tudo termina numa hesitante agulha, pousada num vinil, incessantemente debitando a ânsia de continuar.

Além das instrumentalizações normais de uma banda de metal, os Fantômas recorrem a pitadas esparsas de sons dissimulados, a correrem no fundo, como demónios observadores.

O disco é mais um excelso trabalho do quarteto Fantômas. Mike Patton (ex-Faith No More), Buzz Osborne (Melvins), Dave Lombardo (Slayer) e Trevor Dunn (Mr. Bungle) volam a traçar rumos distintos: Delirium Corda é a pintura musical dos medos ansiosos e dos suores frios da alma. E toca-nos profundamente. Delirium Corda é um tomo fundamental do experimentalismo sinistro e funéreo dos Fantômas.

Q And Not U - Power (CD, 2004)

Apreciação final: 7/10

Classificar a música dos americanos Q And Not U é falar de construções com um sistema complexo, entre o indie-rock e o pós-punk, com batidas dançáveis. Alguns preferem pôr-lhe o rótulo de dance-punk. Esquecendo essas minudências de seriação, a música deste grupo aceita as influências da disco sound dos anos 80, consentindo-lhe uma abordagem diversa, rica de versatilidade, em permanente renovação.

Power é o terceiro álbum de estúdio dos Q And Not U e revela nova fase de maturação da banda, manifestada num alinhamento ecléctico, de rotulação controversa, na linha evoluída dos Radio 4 ou dos !!!. Se a aposta nos elementos electrónicos tem sido mais robusta, o disco seria dos melhores deste ano. Ainda assim, a solidez do som deste projecto é evidente, deles se espera sempre a suprema qualidade, com entretenimento garantido. O registo transborda uma onda positiva contagiante e reflecte a energia esfuziante da banda, especialmente vertida nos temas "Wonderful People" e "Collect the Diamonds".

Não sendo um disco genial, Power é um trabalho que merece uma escuta atenta. Passo a passo, os Q And Not U continuam a cimentar a sua posição como um dos mais promissores conceitos da música americana.

Monstro (Filme, 2003)

Apreciação final: 7/10

Baseado na biografia dramática da prostituta Aileen Wuornos, uma das primeiras mulheres serial killers dos EUA, este Monstro é uma fita intensa, uma meditação aguda sobre os abusos físicos, a violência, o sofrimento. É também, em jeito subliminar, um toque ao reunir de consciências sobre a legitimidade da pena de morte.

O argumento invade a mente da homicida, conta-nos a sua história na primeira pessoa e, sem aligeirar culpas pelos delitos, exibe a desumanização na génese de uma assassina cruel.

Aileen Wuornos teve uma infância marcada pelos abusos e pela droga. Começou a prostituir-se aos treze anos. O enredo do filme centra-se no período de nove meses em que Aileen manteve uma relação lésbica com uma jovem.

A interpretação de Charlize Theron é do melhor que se viu na história da sétima arte (Óscar justíssimo!), bem secundada por Christina Ricci. A realização é de bom nível, suportada por um argumento hábil.

Monstro é uma reflexão sobre a frágil natureza da humanidade. E essa debilidade, mostrada aqui com uma aparente desfaçatez, deixa-nos atordoados. O mundo real, às vezes, é assim...

The Paper Chase - God Bless Your Black Heart (CD, 2004)

Apreciação final: 6/10

O trio texano The Paper Chase oferece-nos um som único, dissipado entre um jazz vanguardista, acolhendo o imo do indie, em fusão com um rock sujo e tétrico, onde se saracoteia uma voz elástica, em catarse de desejos de vingança frustrados. O que sobeja são bramidos hostis, cordas exuberantes, pianos de cabaret, alguns samples e interjeições precisas de guitarra. O disco torna-se uma terapia estranha, angustiada e alucinada para as depressões.

Este trabalho não é imediatamente apreensível, as virtudes estão escondidas atrás do manto da perseverança; só resistindo se descobre a essência dos The Paper Chase: não é o sétimo céu, mas também não é o inferno. Se é open minded gostará de apreciar, no tardo passar dos minutos, o talento não ortodoxo, verdadeiramente emo, deste grupo.

Mata Ratos - És Um Homem Ou És Um Rato? (CD, 2004)

Apreciação final: 3/10

Mata Ratos é Mata Ratos. Punk rudimentar, pretensamente divertido, sarcasmo q.b. e uma dose generosa de insurreição, muitas vezes a descambar para um mau gosto descabido. É preciso dizer mais?

Clinic - Winchester Cathedral (CD, 2004)

Apreciação final: 5/10

Os Clinic são um quarteto de Liverpool caracterizado por um som alternativo, na linha do pós-punk de garagem, com alguns traços de dub e pop . Winchester Cathedral é o seu terceiro registo e talvez o menos bem conseguido da sua carreira. Além de errarem a captação das glórias passadas, os Clinic parecem ter corrompido a chama que tornava o seu trabalho interessante. A banda perdeu a face negra, a introspecção criativa, a inventiva amamentação da criação. Aqui, soam a degenerescência, apesar de algumas faixas serem regulares ("Home" e "The Magician" honram o nome dos Clinic), salvando o disco do fracasso inteiro.

Winchester Cathedral não é mau, está longe de ser bom, é enfadonho. E quando um disco aborrece, não resiste muito tempo no leitor de cd's...

Steve Earle - The Revolution Starts...Now (CD, 2004)

Apreciação final: 6/10

Depois de uma fase mortificante, manchada pela adição às drogas ilícitas e por uma estadia na prisão, Steve Earle retorna com The Revolution Starts...Now, um prolífico e eficiente manifesto de puro activismo político. O disco é profundamente dominado pelas circunstâncias da política internacional, pela guerra no Iraque e pelas incursões militares do regime de Bush.

As canções são histórias curtas, relatos escritos com mestria, versando a insignificância do indivíduo, face aos senhores da guerra. Além da política, o registo é um tomo de composições irreverentes, vogando em parte incerta, entre Petty, Rouse, Springsteen, Lanegan e Young, com uma dose de zombaria oportuna e sarcasmo provocador. O resto é feito pela argúcia de um artista consagrado, um músico experimentado e um escritor de canções de méritos reconhecidos. Chama-se Steve Earle. A gama sonora varia do country puro ("Home To Houston"), ao rock e ao reggae ("Condi, Condi", dedicada a Condoleeza Rice).

Os destinatários do álbum: apreciadores de boa música e...George W. Bush!

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Eagles Of Death Metal - Peace Love Death Metal (CD, 2004)

Apreciação final: 8/10

Os Eagles of Death Metal são mais um projecto paralelo de um dos membros dos Queens of The Stone Age., neste caso o vocalista Josh Homme, aqui na bateria, apresentado no disco pelo alter-ego Carlo Von Sexron. A curiosidade em torno deste grupo começou no festival Lolapalooza de 2003, quando Homme,durante uma actuação dos Queens, utilizou uma t-shirt dos Eagles Of Death Metal. Aproveitando uma pausa na actividade dos Queens Of The Stone Age, na ressaca do enorme sucesso de Songs For The Deaf, foi lançado este Peace Love Death Metal.

Não se deixem iludir pelo nome, nada nesta banda é death metal. O rock'n'roll dita as leis, as composições baseiam-se em riffs de guitarra cativantes, com batidas ritmadas que obrigam os ossos a mexer. Há aqui inspirações óbvias nos Stones, em Iggy Pop e Stealer's Wheel (ouvir a versão de "Stuck In The Middle With You" re-baptizada "Stuck In The Metal"). Basicamente, os Eagles Of Death Metal soam a puro entretenimento, têm talento a rodos e são uma agradável surpresa para o panorama do rock, permanentemente carenciado de novas referências e edições com mérito. Peace Love Death Metal é uma delas.

Audição durante horas a fio é o que se recomenda... Um dos melhores discos deste ano.

A Perfect Circle - Emotive (CD, 2004)

Apreciação final: 5/10

O projecto A Perfect Circle derivou da experiência conjunta de James Maynard Keenan e Billy Howerdel nos Tool. Se estes marcaram os anos 90 com o seu art-rock único, bordado pela desconstrução dos temas, sem um tecido rígido, os A Perfect Circle registam uma fórmula diferente, embora com idênticas regras de composição. Ainda assim, as canções são mais precisas e na estrutura tradicional de verso-refrão-verso-refrão, o que não acontece nos registos dos Tool.

Este Emotive é um disco de versões, uma colheita de temas de protesto político travestidos pelo formato dos A Perfect Circle. E aqui reside o problema essencial do disco, uma vez que as faixas eleitas têm origens dissímeis do grupo de Keenan. Disso resulta o facto de que as doze canções do alinhamento são praticamente irreconhecíveis, não fossem por demais conhecidas as versões originais. A título de exemplo, o tema "Imagine", de John Lennon, toma aqui uma afinação lúgubre, num tom funéreo, desajustado do fito primaz da canção.Também a famosa "What's Going On", de Marvin Gaye, é transfigurada num psicadélico exercício de puro rock industrial. As faixas mais aceitáveis são "When The Levee Breaks" (Led Zeppelin) e "Fiddle And The Drum" (Joni Mitchell). Uma nota para mencionar a presença de dois originais, "Passive" e "Counting Bodies Like Sheep To The Rhythm Of War Drums" (uma fusão de Pink Floyd com Marilyn Manson - interessante!).

Emotive é definitivamente um retrocesso no percurso dos A Perfect Circle, apesar da honestidade da proposta. O trabalho pode revelar-se curioso, para quem deseja apreciar a agilidade das covers, mas é um produto musical secundário.

Scarface - A Força do Poder (Filme, 1983)

Apreciação final: 5/10

Realizado por Brian de Palma em 1983, Scarface relata a ascensão do emigrante cubano Tony Montana (Al Pacino) no submundo do crime de Miami. À medida que o negócio da droga cresce, as inimizades, as megalomanias e as inseguranças do gangster começam a minar fatalmente o seu império.

A nota mais convincente deste filme é a interpretação de Al Pacino, irrepreensível como sempre, apoiado por Steven Bauer, posteriormente esquecido em filmes de série-B. O enredo é equilibrado, as interpretações secundárias são razoáveis e a realização é mediana - não é seguramente o melhor filme de Brian de Palma. Uma referência bastante negativa para a banda sonora, de muito mau gosto e perfeitamente desajustada do filme.

Creio que este filme tem sido sobre-avaliado e não fosse o desempenho de Al Pacino e o produto final seria pouco mais do que medíocre. Ainda assim, um filme recomendável para os cinéfilos que apreciam histórias de gangs de droga e a envolvente do mundo do crime.

terça-feira, 23 de novembro de 2004

Rammstein - Reise, Reise (CD, 2004)

Apreciação final: 5/10

Os alemães Rammstein estão de volta. Reise Reise é o seu novo trabalho. Três anos depois de Mutter, é notória a semelhança com o trabalho anterior, mantém-se o acento tónico nas guitarras pungentes, na forte presença da voz de Till Lindemann e nos coros e arranjos orquestrais dramáticos.

De resto, a composição continua a ser rudimentar, assente em estruturas harmónicas simples, refrões tão orelhudos quanto possível, palavras em alemão e quilos de watts. Uma nota de destaque para o segundo single deste trabalho, "Amerika", que não sendo o melhor tema deste disco, contém referências hostis aos EUA, uma afronta aberta ao regime norte-americano, e para o tema "Los" com uma abordagem acústica ao metal.

Definitivamente, este trabalho é mais do mesmo e não trará novos adeptos aos Rammstein. Para os seguidores habituais do grupo alemão, mais um título para a colecção.