
Apreciação final: 7/10
Edição: Atlantic, Maio 2006
Género: Trip-Hop/Electrónica/Downbeat
Sítio Oficial: www.zero7.co.uk
Edição: Atlantic, Maio 2006
Género: Trip-Hop/Electrónica/Downbeat
Sítio Oficial: www.zero7.co.uk
Depois do anestesiante disco de estreia (Simple Things, de 2001), a dupla inglesa (Sam Hardaker e Henry Binns) ganhou o apreço da crítica especializada, atraindo para si uma posição de relevo no seio do universo da electrónica trip-hop. A hábil conjugação de um fino recorte soul com rendilhas tecidas a teclas e alguns apontamentos orquestrais de cordas definiu o protótipo de uma atmosfera sonora simples e de vibração relaxante. As inevitáveis (e gastas) comparações com os franceses Air têm reflexo na música dos Zero 7, mormente na extensão ambiental das composições, sempre certeiras a sintonizar a frequência ajustada para um determinado remate. Essa prova de precisão volta a aliar-se ao garbo no mais recente trabalho, o coeso The Garden. Dando seguimento ao predecessor (e menos inspirado) When it Falls (2004), no intento averiguador das equações pop, este álbum readquire os melhores pactos de Simple Things, embora os governe em arranjos distintos, mais próximos de algumas vagas da melancolia folk de finais da década de 60. A esse propósito, não é alheia a interferência dos traçados sem pregas do sueco José González, reconhecido artesão de folk minimalista a dois tons (voz e guitarra). A par da ajuda de González, as vocalizações macias da australiana Sia Furler - colaboradora usual dos Zero 7 - são o resto útil da orgânica de uma dúzia de canções bem estruturadas, ao jeito de éclogas da mais delicada electrónica.
A Binns e Hardaker interessa certamente desviar um pouco a música dos Zero 7 da práxis de Simple Things. Se o primeiro disco é o mais apurado depósito de aptidões da dupla e, por isso, os músicos lhe devem fidelidade nos princípios, convir-lhes-à iludir o marasmo criativo da repetição. Nota-se em The Garden que Binns e Hardaker estão num momento crítico de titubeação: ou fixam ideias na cópia dos conceitos de Simple Things, arriscando a estagnação criativa, ou tentam outras coordenadas, expondo-se às contingências da mudança de rumo. No melhor e no pior, The Garden é mais continuativo do que alterador, não faz adições substanciais ao espectro sonoro dos Zero 7. Ainda assim, o disco assinala o momento mais inteiro dos músicos desde o debute e tem o préstimo maior de guiar a memória auditiva para o imaginário de Simple Things. Só por isso, já valeria a pena escutar com toda a atenção o último trabalho de uma dupla que, mesmo sem inovar o carácter essencial da sua música, não põe pé em chão estéril.