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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vampire Weekend - Modern Vampires of the City


8,0/10
XL, 2013

Não é fácil sobreviver aos arrastões do hype mediático sobretudo porque a mesma voragem acelerada que entroniza (atrapalhadamente) qualquer candidato a next big thing é a que, depois, retira o tapete com proporcional indiferença e cínico desdém. Os nova-iorquinos Vampire Weekend - que alegadamente "nasceram" enquanto fenómeno na blogosfera - vieram a tornar-se uma das evidências mais surpreendentes desse tipo de ascensão imparável, confirmada não só no primeiro registo discográfico (em 2008), mas também na capacidade revelada para superar bem a fasquia crítica do segundo álbum. Agora que chegam ao terceiro registo, estão perfeitamente cientes do êxito e da sua proporção e expõem-se a novo momento de escrutínio, alargando a paleta de cores de uma fórmula que, desde o início, deixou pistas de raro senso de criatividade, de frescura e de percepção das vantagens no cruzamento de géneros. O amadurecimento dessas propensões é o diapasão deste Modern Vampires of the City, um tomo com as mesmíssimas matérias-primas que fizeram dos VW um caso: simplicidade na escrita pop (com tiques africanos) e arranjos/produção de excelência.

As canções são despretensiosas e vêm adornadas com a extensa panóplia de truques orgânicos da banda. É daí que parte a sensação de estarmos em presença de um disco dos VW em discurso directo. E que só podia ser feito por eles. Depois, as canções oscilam entre o latejo e a placidez, a pressa e a contemplação, sempre servidas com conteúdos líricos a que vale a pena atentar. Modern Vampires of the City encerra uma tríade de álbuns que, com altos e baixos, confirmam os Vampire Weekend na incumbência de um dos ensembles mais importantes da cena musical contemporânea, não apenas por terem um discurso espontâneo, vivo e extraordinariamente dinâmico, mas por nos mostrarem que a pop também pode ser elegância, pormenor e pedigree. Essa coisa pejorativa de os considerar um fenómeno descartável da internet já lá vai, estes rapazes são músicos a sério!

PODE LER ESTE E OUTROS CONTEÚDOS EM WWW.ACPINTO.COM

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vampire Weekend - Vampire Weekend




O último acontecimento musical do cada vez mais produtivo filão nova-iorquino e, antes disso, do fenómeno corrente das blog bands (foi na plataforma da blogosfera que o entusiasmo em torno da banda se sedimentou), é o quarteto Vampire Weekend. Se o final do ano passado, com um par de singles ("Cape Cod Kwassa Kwassa", primeiro, e a deliciosa "Mansard Roof" depois) de impressiva frescura pop, nos mostrou indícios primeiros de confirmação da valia que, para estes rapazes, era anunciada (e entronizada) num generalizado burburinho cibernético, o álbum homónimo de estreia está aí para pôr à prova todas as considerações. As primeiras audições do disco, além de afirmarem categoricamente a viciante sedução das canções, descodificam parcialmente o enigmático rótulo estético em que a banda se auto-arruma, com pompa de novidade: "Upper West Side Soweto". Em partes iguais, atrás dessa expressão, revelam-se afinidades indisfarçáveis com as descendências experimentais do new wave, não necessariamente nova-iorquino (os Talking Heads ou a fase "africana" de Paul Simon parecem um luminária mais ou menos presente), e uma muito curiosa proximidade com ritmos e trejeitos instrumentais africanos (a kwassa kwassa do Congo até baptiza uma das canções). Desconhecem-se as causas dessas relações de contacto dos Vampire Weekend com a música africana, mas a verdade é que a fórmula resulta muito bem, com o entusiasmo quase naïf do anúncio de uma nova descoberta. Depois, as composições, mesmo quando se refugiam em minimalismo recatado, irradiam atitude positiva: as guitarras maquilham-se de festim afro, as percussões pulsam compassos dançantes, as teclas emprestam cores e serpentinas, os arranjos enchem o ambiente de luzes multi-coloridas e a voz de Ezra Koenig é uma fulgurante chama de optimismo. No final, depois de escutado vezes sem conta, sobra a sensação de que dificilmente o debute discográfico dos Vampire Weekend poderia ser melhor. E que se trata de um registo imperdível de pop simples, tocante, melódica, sem recursos técnicos desnecessários e apaixonante. Não é a isso que se deve chamar novidade?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Vampiros inofensivos..

Está aí à porta o debute discográfico dos nova-iorquinos Vampire Weekend e, enquanto não chega o disco - o lançamento nacional está agendado para o próximo mês - recorda-se aqui a canção de apresentação. Chama-se "Mansard Roof", foi editado em formato single no final de 2007 pela XL, e desvenda uma linguagem pop fresca, com um traço muito oportuno de irreverência (quase a fazer lembrar alguns momentos do percurso de Paul Simon) e, sobretudo, um genuíno sabor a simplicidade. Vale a pena escutar e esperar o álbum homónimo. E, sem confusões, coisas vampirescas aqui só mesmo no nome que baptizou o quarteto.