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quarta-feira, 20 de junho de 2007

The White Stripes - Icky Thump

8/10
XL Recordings
Popstock
2007
www.whitestripes.com


A importância da dupla White Stripes na história recente do rock tem tanto de inegável como de improvável. Com um punhado de registos sólidos e uma das canções rock da década ("Seven Nation Army", é claro) no bornal, Meg e Jack White firmaram uma estética própria e um estilo peculiar de versar os cânones do rock clássico (leia-se Led Zeppelin, por exemplo). Pode dizer-se que eles representam um dos mais suculentos paradoxos retro-modernistas da música contemporânea, no sentido de mesclarem uma certa nostalgia do rock de medidas largas de outras eras com uma impressiva capacidade para emendarem esse impulso seguidista com uma escrita crua (no seu minimalismo psicadélico), simples e versátil. Icky Thump, sexto registo de originais, segue as mesmas premissas de Get Behind Me Satan (2005), exercitando as potencialidades eclécticas de uma fórmula sonora que, parecendo organicamente destinada à misantrópica intimidade do rock de garagem, depressa transborda esse perímetro estético imaginário. Para esse efeito, ao invés da aposta preferencial do antecessor numa ferramenta acústica (piano) para a construção das melodias, o novo opus procura reaver o alvoroço eléctrico da guitarra nessa atribuição. Necessariamente mais "pesado" e mais próximo dos genes Stripes - o que pode ser interpretado como um manifesto de subsistência face às dúvidas que se levantaram sobre o futuro da dupla, mormente depois do êxito do side project de Jack White, os Raconteurs - Icky Thump regenera o ideário blues. E fá-lo, sem perder o fio de prumo habitual, somando novos azulejos ao mosaico de sons (nesse particular, a estreia das gaitas de fole com duas caras - na pastoral "Prickly Thorn, But Sweetly Worn" e na avariada "St. Andrews (This Battle is in the Air)" e os sopros mariachi são modelares) e aceitando interferências de outros universos (a revisão de "Conquest", cantada por Patty Page nos 50's, ou a quase "metaleira" "Little Cream Soda" são sobressaltos bem-vindos). O mais acertado epítome para Icky Thump faz-se em poucas palavras: basta dizer-se que os Stripes estão de volta e tão eléctricos e cativantes como nas primeiras núpcias. O que é o mesmo que afirmar que não dá para ficar indiferente.

segunda-feira, 20 de junho de 2005

The White Stripes - Get Behind Me Satan

Apreciação final: 7/10
Edição:V2, Junho 2005
Género: Indie Rock/Blues Alternativo
Sítio Oficial: www.whitestripes.com








Naturais de Detroit, Jack e Meg White dispensam apresentações. Eles são a alma dos White Stripes, bizarro projecto rock alternativo que, à custa de um formulário minimalista, se propõe a reinvenção do rock, tributando veneração a um certo revivalismo, sempre timbrado com o cunho idiossincrático dos Whites, seja no discurso assertivo da guitarra de Jack ou na irreverência das percussões de Meg. Contudo, em Get Behind Me Satan há algo de diferente, um pormenor distintivo que expande os limites da linguagem musical do grupo: a guitarra eléctrica é preterida - o disco só tem três faixas eléctricas - em favor do piano, dos efeitos de percussão e da marimba. Esta substituição instrumental não falha o propósito de captar a quididade específica dos Stripes mas reviça, num jeito menos ortodoxo, os padrões da dupla americana. Daí deriva uma assinatura sónica diferente, menos combustível do que no passado, igualmente espontânea, mas com o traço de rascunho de um trabalho de transição: viragens ininterruptas e inflitrações de elementos inopinados. A estrutura ambígua e minimalista do tecido sónico do grupo resiste à reconstituição instrumental e até adquire dimensões novas, pescadas de arquétipos artísticos estranhos aos Stripes. Estes indícios de reencaminhamento dos White Stripes são um depoimento inabalável de maturidade que, se resvalam para a excentricidade (ou incompletude?) em determinados instantes de Get Behind Me Satan, não deixam de confirmar a dupla como uma das mais sólidas referências do ideário rock hodierno.

Get Behind Me Satan é uma colecção de canções ostensivamente garridas que se apartam da equação guitarra + bateria típica do grupo e que resgatam, com a erudição dos músicos maiores, incógnitas de espaços sónicos virgens. Desta álgebra indagatória dos White Stripes, vertida no quinto registo de estúdio, provém um impulso perverso de confronto que dividirá os fãs do grupo: os Stripes estão mais crescidos, mudaram e orgulham-se da transformação. Apreciarão os séquitos da sua música? Escutado o disco, percebidos os seus méritos e falhas, resta uma dúvida: o aforismo bíblico que baptiza o disco reclama o amparo ou proclama a subjugação do Príncipe das Trevas? De qualquer jeito, Get Behind Me Satan consagra uns White Stripes surpreendentemente menos rock e mais melódicos mas insuperavelmente cativantes. Como sempre.