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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

The Field - Cupid's Head


7,9/10
Kompakt, 2013

Ao escrever sobre o projecto The Field, alcunha artística do produtor sueco Axel Willner, impõe-se um exercício de incontornável reverência por uma obra que vem progressivamente erguendo uma linguagem electrónica de suprema elegância e consistência, num ciclo que conta já meia dúzia de anos e completa agora um quarteto de compactos. Nesse percurso, muito foi escrito sobre a densidade da sua música, o sentido monolítico de uma estética que, apesar de fechada a concessões, não deixa de ser muito consequente e o carácter magnetizante dos seus trechos. É, de resto, na dualidade entre o domínio das técnicas próprias dos universos IDM mais esfíngicos e a sensibilidade para introduzir invulgaridades "melódicas" nas redundâncias rítmicas que reside a mais-valia que fez de Willner um dos mais bem sucedidos artesãos electrónicos da sua geração.

Nesse particular, Cupid's Head define posições: é simultaneamente o menos melódico (a fazer lembrar outros laboratórios de Willner como Black Fog ou Loops of Your Heart) e o mais tenso dos registos The Field. A coincidência desses factos, a ausência de colaborações instrumentais (que estiveram presentes antes) e a deriva por ambientes negros (a troca do branco pelo preto no artwork não é inocente...) que pauta o álbum fazem dele uma descoberta menos consensual do que outros trabalhos de Willner, a despeito da excelência de algumas composições ("They Won't See Me" ou "No. No...", à cabeça). A escrupulosa feitiçaria de Willner está mais obscura e impenetrável, mas continua apelativa. Sem dúvida, vai longe o tempo em que este homem imaginou uma cover dos The Korgis.


PODE LER ESTE E OUTROS CONTEÚDOS EM WWW.ACPINTO.COM

sexta-feira, 8 de junho de 2007

The Field - From Here We Go Sublime




Embora tendo nome feito no universo techno, as mais das vezes na pouca mediatizada atribuição de produtor, a obra própria do sueco Axel Willner (sob o pseudónimo The Field) resumia-se, antes deste álbum, a dois 12" (Things Falling Down, de 2005, e Sun & Ice, do ano seguinte). Partindo do mesmo corpo conceptual dessas edições (e até repetindo três composições do segundo), onde o minimalismo era uma premissa teórica, ainda que usada apenas como consistente ponto de partida para as construções rítmicas, e, sobretudo, demonstrando uma mestiçagem de sub-géneros inesperadamente profícua, From Here We Go Sublime não é espaço para manobras previsíveis. E, mais do que perceber-se que da equilibradíssima mistura resulta mais do que a mera soma cosmética de partes, o álbum desvenda uma coerência estrutural rara em produtos desta estirpe sonora. Aqui, sob a régua das cadências minimalistas techno e house (que não são o metrónomo exclusivo do alinhamento), cabem arcos de pura sedução ambiental (são eles os indutores da "profundidade" estética do disco), em jeito de pano de fundo, e pontuais samples de voz. O resto é apurado ao sabor da espessura emocional de cada composição, invocando a lógica de crescendo (continua a ser uma das mais apelativas formas de expressão das escolas de música dançável), os loops repercutentes e justapostos e os préstimos de diferentes escalas de programação (ora microscópica ora de medidas largas). O desfecho é um dos mais íntegros exercícios de música digital dos últimos anos, cruzando estéticas e referências e, acima disso tudo, demonstrando uma ampla visão artística, um profundo conhecimento técnico das ferramentas aplicadas e a inventividade própria de um idioma que, não tendo caracteres substancialmente "novos", acaba por moldar-se num discurso que ecoa na mente como se acabado de inventar.