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terça-feira, 17 de julho de 2007

Fennesz Sakamoto - Cendre

7/10
Touch
AnAnAnA
2007
www.touchmusic.org.uk



Por definição técnica, ou por obra do mero preconceito conceptual que a ela se colou com a passagem do tempo, a música ambiental foi sendo progressivamente menorizada pelos mais diversos estratos de melómanos, em virtude de, alegadamente, apenas se prestar ao revestimento sonoro de espaços. Assim, o género habituou-se a sorver uma forte componente "cénica", aí colhendo as coordenadas estruturais decisivas para o seu sucesso como música de fundo (de resto, sublinhado em inúmeros registos cinematográficos), falhando, ainda que involuntariamente, outras importantes dimensões enquanto produto artístico.

Esse rótulo inelutável foi ciclicamente somado, mormente a partir do final da década de noventa, as mais das vezes em clara desconsideração pelos méritos de alguns criadores, a uma prole imensa de seguidores dos icónicos Brian Eno e/ou Harold Budd. Acima de uma trupe de escol da manipulação digital de sons - onde figura gente talentosa como Ulf Lohmann, Alva Noto, Markus Guentner, Reinhard Voigt, Klimek, Benoît Pioulard, Taylor Deupree ou Chihei Hatakeyama - o guitarrista vienense Christian Fennesz, por força de um sólido percurso de uma década, viria a tornar-se porta-estandarte de uma "silenciosa" segunda vaga de valorização da música ambiental contra o cepticismo das massas críticas. Para servir essa causa, depois de um disco separador de águas como foi Venice (2004), nada melhor do que uma joint venture com o japonês Ryuchi Sakamoto, virtuoso clássico do piano e admirador confesso da experiência com outros sons (relembrem-se, a propósito disso, os encontros oportuníssimos com as abstracções de Alva Noto). Neste caso, a parceria não é inesperada nem pioneira. A dupla Fennesz/Sakamoto já havia editado, há dois anos, Sala Santa Cecilia, uma peça única gravada por ocasião de um festival europeu e que deixara pistas para episódios futuros. Cendre retoma as mesmas definições texturais, conjugando a linguagem directa do piano de Sakamoto, quase sempre em melodias descontínuas de intenso efeito dramático, com impressivos enxertos de sons manipulados habilmente por Fennesz, ora oriundos de ruídos ocasionais e dos dribles glitch, ora provindos de guitarras em hipnose. É certo que a combinação nem sempre disfarça a rigidez natural de duas linguagens cujo enlace não é ingénito mas que, em razão da perícia dos intérpretes, acaba por traduzir-se numa experiência com instantes de pura elevação e elegância.

Posto de escuta AwareHaruKokoro

terça-feira, 23 de novembro de 2004

Ryuchi Sakamoto - Moto.Tronic (CD, 2003)

Apreciação final: 5/10

Ryuchi Sakamoto é um afamado músico japonês que emergiu nos anos 80 como um dos mais inventivos compositores, tendo participado em diversas bandas sonoras e editado vários registos em disco. Este Moto.Tronic é um apanhado da sua carreira, recolhendo temas dos seus discos mais bem sucedidos.

O trabalho de Sakamoto é comummente associado ao rompimento de fronteiras musicais, à fusão de géneros e culturas musicais. Se é verdade que o seu percurso inclui abordagens à pop japonesa, à clássica, à música experimental, às bandas sonoras e à world music, o díficil é mesmo encontrar um linha de rumo que persista no seu trabalho, que sobrevenha do confronto de estilos vários; esse problema é vício básico deste registo. Juntar no mesmo disco composições de estilos tão radicalmente díspares, além de confundir o ouvinte, baralha o exacto engenho de Sakamoto. Na abertura do disco, ao pop de "Forbidden Colours", seguem-se um instrumental de piano, uma incursão pela música brasileira e um tema da banda sonora de O Último Imperador. Esta irritante propensão para a mistura repete-se ao longo do disco e, se não desvirtua o valor individual das peças do alinhamento, compõe um registo ambíguo, dividido e, consequentemente, confuso.

Moto.Tronic, sendo uma espécie de antologia, não faz justiça ao talento de Sakamoto e é um testemunho desordenado da profícua carreira do músico japonês.