Mostrar mensagens com a etiqueta Phosphorescent. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Phosphorescent. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Phosphorescent - Muchacho


8,5/10
Dead Oceans, 2013


O percurso discográfico de Matthew Houck, a alma criativa por detrás da alcunha Phosphorescent, vem demonstrando inspirações cruzadas entre a música country de feição tradicional, muitas vezes servida num finíssimo (quase intangível) recorte psicadélico, e as modernas derivas da música independente americana. Nesse particular, Muchacho é porventura o registo em que mais se sente uma identidade contemporânea, ou pelo menos mais desobrigada das suas heranças; dir-se-ia que, a despeito do indisfarçável legado country que povoa as canções, este disco apura o mesmo ideário do seu antecessor. A caminhada musical de Houck, percebe-se agora, está a converter-se (voluntária ou involuntariamente, fica por saber) numa demanda pela revitalização da country, não no sentido de promover qualquer rendição por um sucedâneo de feição remoçada, mas com o fito claro de abrir-lhe frestas de modernidade e trazer essa frescura com reverência. É por isso que o exercício de Houck, mormente nos anos mais recentes, não pode considerar-se leviano. Afinal, ele respeita a escola musical que o moldou enquanto artista e que faz parte do património essencial do seu país. Que melhor forma de homenageá-la senão esta, a de emprestar-lhe outras amplitudes, a ponto de, sendo-o na alma, jamais poder dizer-se que Muchacho é um disco country?

E não o é, de facto. Além de ser perpassado por uma espiritualidade incomum em sonoridades deste tipo, Muchacho é um opus verdadeiramente exploratório, como se Houck procurasse a emancipação definitiva das referências que lhe colam repetidas vezes. E consegue-o sobretudo graças a uma riqueza textural grandiosa, suportada numa panóplia completíssima de recursos: harmonias vocais, arranjos, pianos, metais e violinos. Este desenvolvimento orgânico é o derradeiro atestado de maturação artística de Houck como Phosphorescent. Se não restavam dúvidas de que ele sempre fora capaz de tecer belas canções, a arrumação de sons deste Muchacho vem somar outro mérito: o de as adornar com raríssima acurácia. E torná-las ainda mais sedutoras com isso.

PODE LER ESTE E OUTROS CONTEÚDOS EM WWW.ACPINTO.COM

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Phosphorescent - Pride






Apressadamente entronizado pela crítica especializada como um dos mais fidedignos herdeiros de algumas das ramificações genealógicas da folk americana "tradicionalista", Matthew Houck tem no conceito Phosphorescent um espaço de curiosas manifestações musicais. Mais do que meramente fazer jus a esses rótulos que quiseram colá-lo ao legado Dylan, a música de Houck desvenda não só os reflexos de um aturado processo de transcrição dessas referências para a modernidade, mas também uma imensa vontade de afirmar um cunho próprio. Nesse particular, e num registo que pede meças às órbitas mais inspiradas de Will Oldham, marcam pontos uma voz de belas inflexões e com peso melódico impressivo e a profundidade estrutural das composições. De resto, Pride - terceiro tomo de Houck - é um disco que aposta em duas dimensões da emoção, aquela que se refugia na íntima e melancólica balada sem artifícios técnicos, ou, a outro nível, aquela que se ampara em revestimentos levemente mais psicadélicos (aí se reconhecendo algumas afinidades, ainda que distantes, com os Animal Collective - ouça-se o tema de abertura) ou de espiritualidade tipicamente sulista. O resultado é ambíguo, simultaneamente vulnerável e possante, distante do típico registo de cantautor e com momentos de belíssima construção melódica com arranjos. E os ápices de criatividade acontecem quando, em impressivas multiplicações de si mesmo e da sua voz, Houck se desassombra com os seus próprios fantasmas e personalidades solitárias e nos encanta ao mostrar faces diferentes de uma mesma verve. A soberba tríade "A Picture of Our Torn Up Praise" / "Wolves" / "My Dove, My Lamb" eleva faíscas acima das competências do resto do alinhamento mas isso não macula o desempenho global do opus. Todavia, fazendo bitola da mágica sedução desse trio de peças, fica a sensação de que há em Houck um impressivo filão de recursos à espera de ainda melhores obséquios. E que está na calha, para os anos vindouros, um disco ainda melhor do que este.