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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Okkervil River - The Stage Names

8/10
Jagjaguwar
2007
www.okkervilriver.com



Dos três discos anteriores destes texanos, já se conheciam as habilidades de Will Sheff na hora de passar a palavras as casualidades do quotidiano, sempre num registo pautado por um certo negrume e por quimeras desordenadas, no limiar da depressão que não transpõe a derme. Ainda assim, embora subscrevendo essa submissão "natural" aos arbítrios do destino e, sobretudo, essa introspecção consciente sobre as suas próprias limitações enquanto personalidade humana, Sheff não fez da música dos Okkervil River um mero lenitivo de depressões pessoais, optando por usar a canção folk-rock noutras dimensões mais abertas e, dessa forma, eximindo-se dos clichés auto-centrados. O que não tinha ficado claro nos três registos anteriores da banda é que, além da perícia nas letras, também houvesse em Sheff e seus pares matéria melódica muito competente. E, embora Black Sheep Boy, de há dois anos, tivesse demonstrado um crescimento notório nesse particular, trazendo os Okkervil River a uma órbita mediática que não tinham experimentado antes, The Stage Names é o definitivo exercício de maturação do septeto. A nota de destrinça face ao antecessor é a franquia emocional deste álbum, claramente a apostar em ambientes menos introspectivos, graças à limpidez da produção e dos arranjos e, também, a composições mais escorreitas e animadas. O desfecho é, naturalmente, uma forma de expressão mais pop do que em qualquer outro registo dos Okkervil River. E isso não é, neste caso, sinónimo de cedências ou aligeiramento das capacidades artísticas que a banda sempre revelara; é, isso sim, como muito bem desvenda The Stage Names, o encontro dos poemas de Sheff com o equivalente musical que há muito mereciam. Excelentes notícias, portanto.

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Okkervil River - Black Sheep Boy

Apreciação final: 7/10
Edição: Jagjaguwar, Abril 2005
Género: Indie Rock







Texanos de origem, os Okkervil River são capazes de juntar um certo garbo instrumental a textos profundos que se movem gentilmente entre as fracturas da emoção humana e a intimidade da confissão. De resto, Black Sheep Boy aceita esse preceito, serve-se de uma toada taciturna que, em simultâneo, é o catalisador do turbilhão de sentimentos que preenche o espaço sónico do disco e, com semelhante destreza, é a panaceia para as convulsões internas do processo. Nessa medida, Black Sheep Boy é paradoxal como um conflito que apazigua. Os arranjos são augustos e secundam agilmente o discurso quase histérico de Will Sheff. Não se pense que o disco destila raivas cadentes. Puro engano. Os contextos são outros: filhos desaparecidos e/ou abusados, amigos perdidos, amores desencontrados e relações humanas frustradas. A meditação altruísta assenta em canções melódicas e cuidadosamente urdidas, divididas entre o galanteio à atmosfera mexida do rock e o secretismo íntimo da balada indie. Em ambos os formatos, os Okkervil River têm êxito e dão a Black Sheep Boy a ambivalência de um vigor terno e de uma fragilidade tocante.

Contendo alguns dos melhores temas da carreira do grupo texano ("For Real", por exemplo), Black Sheep Boy parte do tema homónimo que Tim Hardin escreveu em 1967 e segue numa expedição contemplativa pela dor da espécie humana. A única mácula: não se percebe uma evolução no som do grupo. Ainda assim, o charme rústico deste trabalho e o traço idiossincrásico do ensemble texano são garantia de entretenimento.