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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nina Nastasia & Jim White - You Follow Me

8/10
Fat Cat
Flur
2007
www.myspace.com/
ninanastasia



A viver um momento especialmente criativo da sua carreira, ainda que raramente notada pelos grandes públicos, a nova-iorquina Nina Nastasia é uma das mais assombradas descendentes da fina tradição folk da música americana. Com um quarteto de discos religiosamente leais a uma certa solenização crua da melancolia, da mágoa e da desilusão, feita sobretudo à custa de composições que, construíam melodias minimais em volta da tensão vocal da compositora, depois adquirindo amplitude em altivos arranjos semi-orquestrais, a música de Nastasia já não guarda segredos. Esse intimismo quase pastoral é retomado neste You Follow Me. Jim White, excelso baterista dos Dirty Three (ao lado de Mick Turner e Warren Ellis) e parceiro de gravação desde os tempos de Run to Ruin (2003), é aqui mais do que um figurante e co-assina as peças do alinhamento, precipitando sobre as composições uma brilhante vocação arrítmica (por vezes, confunde-se com dissonância), em certos momentos a roçar o improviso ou o ligeiro psicadelismo. Tudo coisas que jogam maravilhosamente com a afectuosa amargura do canto e dos dedilhados de Nastasia.

Desde que os primeiros acordes do disco se espalham no ar, se percebe que You Follow Me é também o mais despido dos álbuns de Nina Nastasia, sem os característicos arranjos de opus anteriores. Reduzidas a um esqueleto de cumplicidades inatas entre voz, bateria e guitarra, as canções habitam um espaço de empatias naturais entre os dois músicos e consomem energias fortuitas (por isso tão encantadoras) do contratempo entre o recato confessional de Nastasia e o nervo inquieto de White. E perceber como, ao contrário do que seria expectável, a vitalidade da percussão excitada de White - do melhor que se ouviu nos últimos tempos em disco, a repescar alguma da feitiçaria dos Dirty Three - não corrompe minimamente o intimismo de Nastasia e, ao invés, lhe injecta uma silhueta de esperança, é uma das melhores surpresas que este ano discográfico nos trouxe.

Posto de escuta Sítio da Fat Cat

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Nina Nastasia - Dogs

Apreciação final: 6/10
Edição: Junho 2004 (re-edição)


A nova-iorquina Nina Nastasia cria música intimista, de evocação do sentido da perda, delimitada por horizontes de guitarra, em tons leais, numa confissão de utopias quebradas. Dogs foi originalmente editado em 1999, pela mão de uma pequena editora e é agora recuperado.

Já neste primeiro tomo de canções, era exemplarmente identificável o toque prostrado, mesmo gentilmente austero e intimamente sombrio e delicado de Nina Nastasia. Quinze faixas, voz refinada e frágil (lembram-se de Aimee Mann ou Rosie Thomas?) e guitarra em tons outonais, de apelo irresistível à recolha nos recantos de serenidade que se escondem em nós.

Dogs é um íntegro convite a descobrir Nina Nastasia. E a dela gostar.