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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Neurosis - Given to the Rising

8/10
Neurot
2007
www.neurosis.com



Desde os primeiros riffs de Given to the Rising (nono álbum de estúdio em nome próprio) se percebe porque é que os californianos Neurosis se tornaram, decorrida cerca de uma vintena de anos desde o debute discográfico, um dos ensembles mais entusiasmantes e influenciadores da cena metal. Steve Von Till e seus pares são inventores para quem o conformismo nunca foi opção e, por isso, o lastro da identidade mutante que criaram tem suscitado um largo espectro de seguidores e sub-géneros. Para eles, não é um devaneio ambíguo mesclar, na mesma composição, coordenadas góticas e/ou industriais com sons atmosféricos, ou misturar melodias instrumentais funéreas (muitas vezes com laivos de rock progressivo) com o mais acerbo (e "pesado") e sombrio ritualismo pagão. Tampouco a estrutura métrica das peças é linear, alternando entre as texturas ambientais ao jeito de negros sermões cheios de espiritualidade (os vagarosos compassos de Stephen O'Malley inspiram-se aqui) e as pujantes implosões de guitarra, ora pausadas e cíclicas, ora tentando outro nervo. Mas, mais do que apenas gerirem equilibradamente este extenso rol de substâncias, os Neurosis erguem uma obra de intensidade sufocante e com uma escrita de contrastes irrepreensíveis. Given to the Rising é, assim, mais uma afirmação peremptória de estatuto e dilata distâncias para os mimetistas do costume. Vinte anos depois, os Neurosis não saíram do auge.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Neurosis - The Eye Of Every Storm

Apreciação final: 7/10
Edição: Junho 2004
Género: Metal Alternativo/Industrial/Experimental



O espaço sónico dos americanos Neurosis faz uma abordagem anfibológica do universo metal, conferindo-lhe uma decoração mais versátil, às vezes lembrando Marilyn Manson ou Moonspell, outras apelando a Tom Waits em versão lunática-pesada, ancorados num leito de águas turvas e agitadas, num visceral assomo neurótico. Mas a ambiguidade não reside aí, prende-se antes com a presença de elementos sedutores, marcados na integração de secções melódicas, quase sempre crescentes, em caminhos ascéticos para codas vivazes.

Os Neurosis fazem um metal atípico, não se limitam a descargas baldas de decibéis, procuram construir um bizarro cerimonial de exaltação da melancolia negra, com algumas pitadas de gótico, cujo cunho mais notado é a alternância entre a acalmia lassa e o estampido áspero. A sonoridade é próxima dos Cult of Luna, embora menos agreste. Sem dúvida, um registo que merece ser explorado por aqueles que apreciam a busca de novos caminhos para a música.