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sábado, 18 de janeiro de 2014

Mogwai - Rave Tapes


6,8/10
Rock Action/PIAS, 2014

A fidelidade à sua própria fórmula musical fez dos escoceses Mogwai uma verdadeira instituição do pós-rock que, de uma ou de outra forma, serviu de foco inspirador a imensos projectos musicais na mesma órbita estética. Mesmo tratando-se de uma família sonora relativamente estanque e pouco dada a evoluções, os Mogwai souberam erguer uma discografia que, a despeito desse formulismo tantas vezes criticado, sempre deu mostras de expandir-se até onde era possível para, depois, se reinventar com o viço próprio de uma ideia que, não o sendo, tinha contornos de nova. Sem esse pendor reversivo, a música dos Mogwai ter-se-ia tornado tão banal como a de alguns dos seus pares. Ao invés disso, ainda que apenas ensaiando jeitos diferentes de baralhar as mesmíssimas cartas, os Mogwai deram a si mesmos uma licença para (sobre)viver na primeira linha do pós-rock, volvidas sensivelmente duas décadas desde que se reuniram em Glasgow pela primeira vez.

Nesse recorrente exercício de auto-análise, Rave Tapes, oitavo capítulo do percurso de estúdio, renova a aposta numa sonoridade arrastada, a invocar estados de alma de rendição contemplativa e pouco mais. É música para espíritos acomodados num qualquer refúgio abstracto que é, afinal, a tal zona de conforto dos Mogwai e, nesse sentido, dificilmente coleccionará seguidores novos, mesmo com uma roupagem decididamente mais electrónica e menos eléctrica do que outras manifestações da trupe escocesa. Aqui e ali, parece faltar o nervo útil para sacudir o estado planante que a música tão bem insinua e levá-la ao choque de uma qualquer cambalhota pirotécnica, uma convulsão que se espera em crescendo, mas não chega. A coisa torna-se tão inócua quanto uma anedota sem punchline e mesmo nos momentos bons, não se chega a passar do serviço mínimo. O que, no caso dos Mogwai, pode muito bem ser a passagem para um novo estado derivante de tocar a melancolia. 

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quinta-feira, 2 de março de 2006

Mogwai - Mr. Beast

Apreciação final: 7/10
Edição: Matador, Março 2006
Género: Pós-Rock/Instrumental
Sítio Oficial: www.mogwai.co.uk








Se bem que muitos ouvidos teimem em deixá-los na periferia, os escoceses Mogwai já andam nestas lides há onze anos. Indiferente a essa marginalização, o quinteto de Glasgow construiu uma sólida reputação e é, hoje por hoje, figura essencial do circuito pós-rock instrumental, permanecendo como um dos projectos mais inspiradores do Reino Unido. Neste trabalho, sublinha-se um compromisso vocal acrescido, por comparação com outros trabalhos. De resto, mantém-se a dinâmica de altos e baixos, com um pouco mais de desassossego e volumes esticados a outros níveis, bem além da quietude de Happy Songs for Happy People (2003). A arte das frases melódicas propõe constantemente uma estranha casta de orações mentais, peças unas de meditação delineadas pelas construções sinuosas das guitarras, como se Mr. Beast fosse o fundo musical de uma catedral em ruínas. A última pedra é o vanguardismo, sempre presente em fórmulas que não temem a experiência e buscam, sem pretensiosismo, a abertura das fronteiras do país rock. O resto são equações cheias de ângulos e o toque sedutor de composições pausadas rumo a clímaces demoradamente sulfurosos, onde cada elemento toma o lugar justo e calça o sapato certo para o andamento. As passadas são divergentes, umas vezes tristes no balanço, mais pesarosas, e outras vezes mais agrestes e lancinantes. O denominador comum: a melancolia.

Os Mogwai não subscrevem música para animar a malta. A caterva tem os Black Eyed Peas para isso. Aqui, procura-se (e às vezes encontra-se) a beleza que clandestinamente flutua no éter da comiseração. Alheia e própria. Também por isso, não é um disco de lucros repentinos para o auditor. A depuração de um som multi-camadas obriga a várias audições, com a paciência de um melómano experimentado, até que se vislumbrem os sinais característicos dos Mogwai. Vencida a batalha com a barreira densa de sons, tocado o esqueleto de Mr. Beast chega-se a uma de duas conclusões: ou eles estão mais ruidosos e, por isso, mais próximos do passado ou, pelo contrário, limitaram-se a ligar o piloto automático. No caso dos Mogwai, em qualquer das hipóteses vale a pena dissecar o disco.