Mostrar mensagens com a etiqueta Moby. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Moby. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Moby - Innocents


6,7/10
Mute, 2013

Talvez por ser um dos mais fleumáticos protagonistas da cena musical, poucos se apercebam que Moby conta já mais de duas décadas de percurso. Os holofotes do mainstream confluíram para ele com Play, opus magno de uma discografia que, depois desse inspirado (e muito rentável) momento de 1999, deu sinais de alguma desorientação estética, seja pelas derivações ostensivamente pop, seja pelas sucessivas tentativas (falhadas) de recuperar o som que o ergueu então a patamares ímpares de sucesso. Em ambas as circunstâncias, a atracção pelo espaço mainstream - que parece, afinal, avesso às matérias essências do som Moby -, veio a depreciar o legado de Play e deixou um lastro de álbuns menos iluminados. Este Innocents, não sendo um registo de suprema elevação criativa, tem tudo para interromper a derrapagem de carreira e crescer como o melhor trabalho do nova-iorquino desde Play. Desde logo, uma das premissas do disco demonstra a consciência autocrítica de Moby, o reconhecimento de que urgia acrescentar à sua fórmula musical alguma matéria diferente: é a primeira vez no seu percurso que acolhe a co-produção de outrem, no caso do britânico Mark "Spike" Spent, notabilizado em trabalhos com Depeche Mode, Muse, Massive Attack, Madonna, Björk, entre muitos outros. Depois, para emprestar diversidade às composições, Moby chamou até si uma insígne trupe de vocalistas: Mark Lanegan, Wayne Coyne  (Flaming Lips), Damien Jurado, Cold Specks, Skylar Grey e Inyang Bassey.

Em termos orgânicos, os ambientes convocados por Innocents não são particularmente originais no cancioneiro Moby, mas parecem arrumados com coerência acrescida, em redor do minimalismo melancólico de outras ocasiões, das cadências arrastadas e da grandiosidade nos arranjos de cordas simulados no sintetizador. Juntando-lhes o dinamismo dos diferentes aportes vocais completa-se o lote de ganhos de substância de um disco que, a despeito de alguns instantes de bom recorte que seguram o cunho Moby, não disfarça a mediania das composições.

PODE LER ESTE E OUTROS CONTEÚDOS EM WWW.ACPINTO.COM

sexta-feira, 4 de março de 2005

Moby - Hotel

Apreciação final: 5/10
Edição: V2/BMG, Março 2005
Género: Pop-Rock/Techno-Pop/Club-Dance/Rock



Richard Melville Hall é um artista controverso. Se o alter ego artístico - Moby - deu um rosto ao universo techno, empurrando-o do anonimato para o mediatismo mainstream, essencialmente graças à exploração comercial do ubíquo Play (1999), os puristas do género não viram com bons olhos a sua banalização e consequente desvirtuação. Indiferente às vozes discordantes, Moby firmou a sua marca inconfundível: a fusão da electrónica disco com outros ritmos, da pop à música ambiente e/ou de dança.

Baby Monkey (2004) do projecto paralelo Voodoo Child, prometia a reconciliação de Moby com a forma que o notabilizou e que dele fez um símbolo do underground techno do início da década de 90. Contudo, se 18 (2002) já mostrava uma derrapagem pop, Hotel confirma o nova-iorquino no estatuto de estrela pop, com os respectivos tiques irritantes. Moby é hoje inventor de hinos indisfarçavelmente pop e verteu essa condição na escrita de Hotel. O registo é ostensivamente mainstream, com melodias primárias, refrões orelhudos e instrumentalizações descuidadas. Moby desnaturou a trama sónica típica, desobrigou-se dos preceitos fundamentais e construiu um tomo que avilta títulos de antanho, piscando despudoradamente o olho às venturas comerciais. A medula de Hotel é desarmoniosa e incapaz de redimir Moby da degeneração. A salvar o disco da ruína integral, a voz quente de Laura Dawn e "I Like It" e "Forever", os únicos mensageiros do passado que Moby parece renegar.