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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Mice Parade - Mice Parade

6/10
Fat Cat
Flur
2007
www.fat-cat.co.uk



Não deixa de ser sintomático de uma certa intenção reconstrutiva que um projecto musical com quase dez anos de actividade e seis discos no bornal, apenas utilize um título homónimo no sétimo trabalho da sua existência. Numa interpretação conceptualmente mais estreita, dir-se-ia que as convenções do orbe musical aconselham que isso suceda com o primeiro disco, quando, por detrás da música, estão intérpretes à procura de um espaço de afirmação. Não é esse, todavia, o caso do nova-iorquino Adam Pierce. Com nome consolidado na cena pós-rock americana sob o epíteto Mice Parade e tendo-se afirmado como emblema das electrónicas cruzadoras de géneros e do experimentalismo com diversos sabores electro-jazz, Pierce construiu uma identidade sonora a que, depois da génese puramente instrumental, foi paulatinamente acrescentando vozes (a sua e a de convidados). Depois de dois trabalhos em que, em paralelo com esse processo de integração da voz, as composições adquiriram progressivamente uma disposição muito próxima da estrutura verso-refrão, Mice Parade surge como um verdadeiro álbum de canções e, nesse sentido, é o corolário entusiasmado da redefinição estética iniciada há três anos. E assim se percebe que, no capítulo rematador dessa (re)parametrização pop, longe dos desígnios instrumentais do passado, Pierce tenha usado o título homónimo, como que certificando definitivamente a nova identidade (irreversível?) de Mice Parade, com vozes (a de Pierce e a pontual presença de amigas ilustres: Laetitia Sadier, dos Stereolab, e Kristín Anna Valtýsdóttir, dos Múm) a tempo inteiro. Depois, sobra a excelência orgânica do disco, talvez o título mais bem produzido do percurso Mice Parade, que, retendo a presença liderante da percussão e as abstracções orgânicas de outros tempos, abre ângulos para um interessante pacto entre a sobriedade vocal e a prudente extravagância das texturas. Ainda assim, uma ou outra construção melódica mais bem conseguida (como, por exemplo, "The Last Ten Homes") não afastam a ideia de que, atrás das vozes, estão peças com um generoso potencial escapista e que, em razão da interferência vocal, perdem parte significativa desse vigor.

domingo, 4 de dezembro de 2005

10 discos de relance



Colder - Heat (5/10)

O som exuberante da electrónica do projecto Colder aproveita um balanço ao jeito dos Laydtron, embora com um sentido melódico diferente: às texturas IDM junta-se a voz, numa espécie de produto futurista que, com maneirismos dub, se converte num género musical de hipnose negra e esdrúxula que, mais do que não alcançar o brilhantismo a que se propõe, fica aquém dos seus próprios limites.
(Output, Outubro 2005)






Boitezuleika - Éramos Assim (7/10)
www.boitezuleika.com
Depois do primeiro lugar no concurso Quinta dos Portugueses, da Antena 3, a banda portuense estreia-se em disco. Francisco Almeida e seus pares folheiam páginas de uma cronologia musical de vários sotaques, com referências a Godinho, Fausto, Palma, Buarque ou José Mário Branco, num registo que embrulha a bossa nova, com uma toada jazz contemporânea e que vem o provar, sob esta aparência rebelde, está uma banda que promete acometimentos maiores.
(Zona Música, Junho 2005)







Mice Parade - Bem-Vinda Vontade (4/10)
http://fat-cat.co.uk
Sonoridades electro-acústicas que desenham atmosferas de contemplação sem nada de especialmente deslumbrante. Adam Pierre é um americano e molda substâncias pós-rock que, ainda que recuperem a pureza da guitarra clássica, não lhe oferecem a grandeza na composição que se impunha.
(Bubble Core/Fat Cat Records, Abril 2005)






Autechre - Untilted (5/10)
www.warprecords.com/autechre
Sean Booth e Rob Brown sugerem um som mecânico, com uma orgânica de precisão matemática e um compromisso melódico niilista. Chame-se-lhe IDM ou electrónica experimental, a verdade é que da lógica de crescendo das faixas não brota nada além de uma matriz de padrões algo repetitivos e que fazem desta edição mais um disco de beats - fruto de um laboratório electrónico - do que propriamente uma proposta com cabeça, tronco e membros.
(Warp, Abril 2005)






Pernice Brothers - Discover a Lovelier You (7/10)
www.pernicebrothers.com
Melodias directas e suaves, poemas sentidos e um registo vocal de crooner são as regras dos Pernice Brothers. O formato é vincadamente pop, sem as afectações do mainstream e é alvo de uma produção de grande nível. Embora o impacto das composições já não seja o mesmo de outrora, a sonoridade é excelente e merece uma escuta atenta.
(Ashmont/Caompact Records, Junho 2005)






Thunderbirds Are Now - Justamustache! (6/10)
www.thunderbirdsarenow.com
Rock oriundo de Detroit e que faz a fusão da electricidade na guitarra com os sintetizadores. O revivalismo punk marca pontos, emparelhado com outras influências (electro-punk?, new wave?), na voz andrógina de Ryan Allen (ele parece um adolescente de doze anos...ou uma colegial de dezasseis!). Justamustache é um disco entretido, mas pouco mais.
(French Kiss, Março 2005)






Jaga Jazzist - What We Must (7/10)
www.jagajazzist.com
Naturais da Noruega, os Jaga Jazzist trazem-nos uma junção hábil da urbanidade jazz e da versatilidade electrónica. A mistura é equilibrada e promove uma sonoridade progressista, com um núcleo melódico glacial e mesmeriano, à custa de arranjos de nível superior e da intrínseca capacidade de construir grandes canções a partir de pequenas ideias. Um disco recatado e tímido para descobrir com uma vénia.
(Ninja Tune, Abril 2005)







Editors - The Back Room (7/10)
Além da muito badalada semelhança com os Interpol, os produzem um rock alternativo conciso, ciente das suas próprias fronteiras e cujos contornos melódicos são desenhados por um curioso jogo de guitarras dialogantes. A voz grave de Tom Smith encaixa em composições bem estruturadas, na estreia prometedora em disco de uma banda à procura do seu teatro de drama musical.
(Kitchenwave, Agosto 2005)

Posto de escutaBloodOpen Your Arms


Para ouvir estas amostras necessita do Real Player. Descarregue-o aqui.





Afu-Ra - State of the Arts (5/10)
www.afu-ra.com
Aaron Phillip é um visionário nova-iorquino que remexeu a doutrina do hip-hop trazendo-lhe o coração da cultura rasta e infundindo-lhe uma sonoridade renovada, por força da aproximação dos conceitos da soul, da disco, do reggae e do funk. Nesta edição, o valimento está mais nas beats e menos no discurso. Musicalmente falando, o disco é uma excursão com méritos mas perde peso nas letras. E isso nunca é bom para um pretenso MC.
(DeConInc/SoHipHop, Junho 2005)






Liz Phair - Somebody's Miracle (4/10)
www.lizphair.com
A viragem pop do álbum anterior de Phair não augurava nada de bom para uma compositora cuja sensibilidade lo fi lhe rendera, no passado, a admiração da comunidade indie. O novo disco confirmou as piores expectativas. Liz Phair é, hoje, uma cantora pop prontinha para os escaparates de uma qualquer estação televisivia mainstream. Mesmo a MTV que sempre lhe torceu o nariz.
(Capitol, Outubro 2005)