








Colder - Heat (5/10)O som exuberante da electrónica do projecto Colder aproveita um balanço ao jeito dos Laydtron, embora com um sentido melódico diferente: às texturas IDM junta-se a voz, numa espécie de produto futurista que, com maneirismos
dub, se converte num género musical de hipnose negra e esdrúxula que, mais do que não alcançar o brilhantismo a que se propõe, fica aquém dos seus próprios limites.
(Output, Outubro 2005)
Boitezuleika - Éramos Assim (7/10)www.boitezuleika.comDepois do primeiro lugar no concurso Quinta dos Portugueses, da Antena 3, a banda portuense estreia-se em disco. Francisco Almeida e seus pares folheiam páginas de uma cronologia musical de vários sotaques, com referências a Godinho, Fausto, Palma, Buarque ou José Mário Branco, num registo que embrulha a
bossa nova, com uma toada
jazz contemporânea e que vem o provar, sob esta aparência rebelde, está uma banda que promete acometimentos maiores.
(Zona Música, Junho 2005)
Mice Parade - Bem-Vinda Vontade (4/10)http://fat-cat.co.ukSonoridades electro-acústicas que desenham atmosferas de contemplação sem nada de especialmente deslumbrante. Adam Pierre é um americano e molda substâncias pós-
rock que, ainda que recuperem a pureza da guitarra clássica, não lhe oferecem a grandeza na composição que se impunha.
(Bubble Core/Fat Cat Records, Abril 2005)
Autechre - Untilted (5/10)www.warprecords.com/autechreSean Booth e Rob Brown sugerem um som mecânico, com uma orgânica de precisão matemática e um compromisso melódico niilista. Chame-se-lhe IDM ou electrónica experimental, a verdade é que da lógica de crescendo das faixas não brota nada além de uma matriz de padrões algo repetitivos e que fazem desta edição mais um disco de
beats - fruto de um laboratório electrónico - do que propriamente uma proposta com cabeça, tronco e membros.
(Warp, Abril 2005)
Pernice Brothers - Discover a Lovelier You (7/10)www.pernicebrothers.comMelodias directas e suaves, poemas sentidos e um registo vocal de
crooner são as regras dos Pernice Brothers. O formato é vincadamente
pop, sem as afectações do
mainstream e é alvo de uma produção de grande nível. Embora o impacto das composições já não seja o mesmo de outrora, a sonoridade é excelente e merece uma escuta atenta.
(Ashmont/Caompact Records, Junho 2005)
Thunderbirds Are Now - Justamustache! (6/10)www.thunderbirdsarenow.comRock oriundo de Detroit e que faz a fusão da electricidade na guitarra com os sintetizadores. O revivalismo
punk marca pontos, emparelhado com outras influências (electro-punk?, new wave?), na voz andrógina de Ryan Allen (ele parece um adolescente de doze anos...ou uma colegial de dezasseis!).
Justamustache é um disco entretido, mas pouco mais.
(French Kiss, Março 2005)
Jaga Jazzist - What We Must (7/10)www.jagajazzist.comNaturais da Noruega, os Jaga Jazzist trazem-nos uma junção hábil da urbanidade
jazz e da versatilidade electrónica. A mistura é equilibrada e promove uma sonoridade progressista, com um núcleo melódico glacial e mesmeriano, à custa de arranjos de nível superior e da intrínseca capacidade de construir grandes canções a partir de pequenas ideias. Um disco recatado e tímido para descobrir com uma vénia.
(Ninja Tune, Abril 2005)
Editors - The Back Room (7/10)Além da muito badalada semelhança com os Interpol, os produzem um
rock alternativo conciso, ciente das suas próprias fronteiras e cujos contornos melódicos são desenhados por um curioso jogo de guitarras dialogantes. A voz grave de Tom Smith encaixa em composições bem estruturadas, na estreia prometedora em disco de uma banda à procura do seu teatro de drama musical.
(Kitchenwave, Agosto 2005)
Para ouvir estas amostras necessita do Real Player. Descarregue-o aqui.
Afu-Ra - State of the Arts (5/10)www.afu-ra.comAaron Phillip é um visionário nova-iorquino que remexeu a doutrina do
hip-hop trazendo-lhe o coração da cultura
rasta e infundindo-lhe uma sonoridade renovada, por força da aproximação dos conceitos da
soul, da
disco, do
reggae e do
funk. Nesta edição, o valimento está mais nas
beats e menos no discurso. Musicalmente falando, o disco é uma excursão com méritos mas perde
peso nas letras. E isso nunca é bom para um pretenso MC.
(DeConInc/SoHipHop, Junho 2005)
Liz Phair - Somebody's Miracle (4/10)www.lizphair.comA viragem
pop do álbum anterior de Phair não augurava nada de bom para uma compositora cuja sensibilidade
lo fi lhe rendera, no passado, a admiração da comunidade
indie. O novo disco confirmou as piores expectativas. Liz Phair é, hoje, uma cantora
pop prontinha para os escaparates de uma qualquer estação televisivia
mainstream. Mesmo a MTV que sempre lhe torceu o nariz.
(Capitol, Outubro 2005)