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sábado, 14 de abril de 2007

Matthew Herbert - Score




Embora mantendo uma cadência regular de edições discográficas com versatilidade suficiente para lhe garantir a filiação nos mais diversos ramos da música de cariz electrónico e experimental (e não só), o DJ, produtor e compositor britânico Matthew Herbert - que também assina com alter-egos como Radio Boy, Transformer, Doctor Rockit ou Wishmountain - revela em Score uma faceta menos divulgada do seu trabalho. No fundo, a edição contempla uma safra de dezassete composições especialmente preparadas para a sétima arte, ao longo de uma década de paralelismos com a indústria cinematográfica independente. A escuta desta compilação apanha desprevenidos os melómanos mais identificados com o habitual registo de house (des)construtiva e microscópica de Herbert, tal a disparidade dos universos aqui invocados. Ao invés das habilidades com o sampler e a máquina de beats, a proposta assenta num desfile de canções mais "convencionais", com a projecção espacial e amplitude próprias de música para filmes. Nesse sentido, algumas das peças abeiram-se de registo pastiche do som big band do orquestral Goodbye Swingtime, de 2003, mas sem presenças vocais. Necessariamente menos monolítico do que um disco pensado integralmente no mesmo espaço temporal, o tomo merece uma escuta que, não sendo irresistivelmente sedutora para os admiradores do som habitual de Herbert, cuidará de melhor divulgar outros vectores da sua verve. Coisa para curiosos, portanto.

Posto de escuta e-Card do disco

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Matthew Herbert - Plat du Jour

Apreciação final: 7/10
Edição: Accidental, Junho 2005
Género: Electrónica Vanguardista
Sítio Oficial: www.platdujour.co.uk








O experimentalista Matthew Herbert aprecia a diluição de fronteiras entre os diversos géneros de música electrónica e fá-lo assumindo recorrentemente a militância a receitas vanguardistas. Assim, combinando os princípios básicos da electro com a versatilidade do sampling e a originalidade do recurso a sons do quotidiano, Herbert desenha harmonias sonoras desafiadoras de qualquer tipificação. Regressado ao preceito electrónico que não existia no jazzístico Goodbye Swingtime (2003), Herbert sugere uma viagem musicada aos meandros menos claros da indústria alimentar moderna e, através de Plat du Jour, o músico deixa-nos um manifesto poético de aversão aos ardis do fast-food. Para contextualizar o tema com a música, Herbert lança mão de sons relacionados e/ou produzidos por alimentos, panelas e tachos, batedeiras e outros electrodomésticos de cozinha, conferindo ao disco um ambiente raro e original, por vezes trazendo à memória a marca pomposa dos Stomp. Apesar da peculiaridade mecânica das texturas, as composições revelam uma certa profundidade melódica que, se não é percebida nos primeiros contactos pelos ouvidos menos treinados, se mostrará com audições sucessivas.

Plat du Jour é um ensaio idealista de Herbert cujas motivações se arrolam no imperdível sítio oficial de suporte do disco (www.platdujour.co.uk), onde também se descrevem com minúcia as peripécias por detrás de cada uma das gravações e as origens detalhadas dos sons utilizados. Dois anos de pesquisa e seis meses de gravações estão compilados em Plat du Jour, um título maioritariamente instrumental (apenas "Celebrity" conta com a voz de Dani Siciliano), irreverente, político, crítico e, acima de tudo isso, categoricamente inventivo. A não perder. Herbert pode não ser mestre-cuco mas conhece a receita para urdir um álbum que seja, simultaneamente, um devaneio artístico, uma declaração de censura e uma experiência musical única. Plat du Jour é esse disco.


Procure na grafonola os temas "The Truncated Life of a Modern Industrialized Chicken" e "Nigella, George, Tony and Me"