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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala

8/10
Secretly Canadian
Flur
2007
www.jenslekman.com



Tendo conhecido um arranque algo irresoluto (começou a tocar e compor a convite de amigos), com edições avulsas e um pseudónimo (Rocky Dennis) pelo meio, o sueco Jens Lekman não parecia voluntariamente destinado ao estrelato no meio musical. Ainda assim, as primeiras impressões do quinteto de EP's que antecederam o primeiro registo a solo (depois confirmadas em When I Said I Wanted to Be Your Dog, de 2004), deixavam já indícios de um artesão intuitivamente instruído em vários planos de uma lógica pop madura (e instrumentalmente pujante, dir-se-ia mesmo "orquestral") e longe dos vícios de simplismo estrutural tão comuns no género. O coro de encómios que se seguiu à edição do álbum - muitas vezes colocando o sueco num feliz entroncamento estético entre Rufus Wainwright, Scott Walker (dos primórdios), os Magnetic Fields e Morrissey - não foi, portanto, mais do que o reconhecimento de um compositor com pedigree. Neste segundo tomo com material original - a colecção Oh You're So Silent Jens, de 2005, era uma mera recolha de material anterior ao álbum de estreia - Lekman envolve melancolias numa embalagem sonora mais luminosa, num claro sinal do estado de maturação a que chegou a sua escrita. É notório que, mais do que apresentar apenas a sequência presumível da arte intimista do primeiro registo, o cantautor sueco testa aqui outras ambições, mormente através da injecção de charme e fulgor que os arranjos emprestam às melodias. Depois, Night Falls Over Kortedala encerra um mérito raro: da pomposa mescla de estilos, ao invés de qualquer ressalto incongruente, sobra afinal a sensação de uma escrita genuinamente coerente e dinâmica. Sem euforias desmedidas ou cedências ao facilitismo, Lekman sublinha as suas próprias convicções (aqui e ali, com a ajuda da conterrânea Sarah Assbring, aka El Perro Del Mar) e põe à prova um ideário de música pop que, além de se revelar tremendamente cativante, sai aprovado com a distinção de um belo disco.

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Jens Lekman - Oh, You're So Silent Jens

Apreciação final: 7/10
Edição: Secretly Canadian, Novembro 2005
Género: Pop Alternativo/Lo Fi
Sítio Oficial: www.secretlycanadian.com/jenslekman








A ilustração frugal da capa do novo trabalho de Jens Lekman faz adivinhar um disco despojado, de tons minimalistas e cores pálidas. E é mesmo assim a música deste virtuoso compositor sueco. Ele já nos havia tocado com essa simplicidade emocional em When I Said I Wanted to Be Your Dog (2004) e repisa argumentos nesta nova colecção de composições que, afinal, sem o parecer, é "apenas" uma recolha de raridades (tiradas de EP's e compilações de 2003 e 2004) e B-sides. A música é leve, quase insustentavelmente leve, e respira o romantismo sem sofreguidão, por força de padrões musicais sem enfeites, plenos de bom gosto e de uma escrita serena. Já não restam dúvidas, o sueco é mesmo um dos mais inspirados cantautores do momento e, ainda que não mude consideravelmente as normas do manual crooner, experimenta outras estruturas orgânicas, introduzindo pontualmente (e com propriedade) alguns samples e vocalizações de suporte inopinadas. Tudo à prova de clichés, portanto. Seja como fôr, o jovem trovador escandinavo parece ter encontrado um farto filão criativo, num registo que tanto lembra Stephen Merritt como Morrissey (e que tal um pouquinho de Magnetic Fields?), e escreve, com igual sedução, em ângulos díspares: o rapaz está dividido entre a lágrima dos sonhos gorados e o sorriso imberbe do adolescente que descobre o amor. E em qualquer dos casos, Lekman soa sincero, profundo e irresistivelmente harmonioso. Neste disco, não há notas fora do lugar, não há excendentes.

Oh, You're So Silent Jens pode não ter a coesão de um álbum pensado como tal, mas traz um punhado de preciosidades da melhor pop romântica deste ano. Mesmo sendo um pouco previsível - é díficil não sê-lo quando se mantém a mesma toada numa alinhamento de dezasseis faixas - o trabalho destapa o mundo pesaroso de Lekman e expõe os predicados inegáveis do compositor escandinavo ao serviço de canções a milhas de rótulos. Vale a pena ouvir. Porque ser conturbado ou triste, apaixonado ou rejeitado podem ser sinónimos de melodia. E quando assim é, não há melhor do que Lekman para os passar à pauta.