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sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Janela Secreta

Apreciação final: 5/10
Edição: 2004
Género: Drama/Thriller/Suspense


Realizado por David Koepp (argumentista de Homem Aranha e Sala de Pânico) e protagonizado por Johnny Depp e John Turturro, foi recentemente lançado em DVD no mercado nacional este Janela Secreta.

O bem sucedido escritor Mort Rainey (Depp), refugia-se numa casa isolada na floresta, depois de descobrir o adultério da sua mulher. Enquanto decorre o processo de divórcio e à medida que a sua vida se torna cada vez mais asceta, Mort é acusado de plágio por um enigmático psicopata (Turturro), que reclama a autoria de um dos seus textos. O enigma da identidade do psicopata e a necessidade de provar a autoria da história é o elo dinamizador do enredo.

Depp e Turturro estão excelentes, a realização é boa. O que falha mesmo é o epílogo do filme, uma verdadeira decepção, sem uma ponta de originalidade, em plágio evidente de outras propostas no género. Num filme sobre plágio, para quê copiar?

A Minha Namorada Tem Amnésia

Apreciação final: 6/10
Edição: 2004
Género: Comédia/Romance


Do realizador de Terapia de Choque(2003), chega agora ao mercado DVD português, A Minha Namorada Tem Amnésia, com Adam Sandler, Drew Barrymore e Rob Schneider nos principais desempenhos.

Henry Roth (Sandler) é um veterinário que vive no Havai e que faz de playboy junto das frequentadoras passageiras daquela ilha paradisíaca. Um dia, apaixona-se ocasionalmente por Lucy (Barrymore), uma jovem que sofre de amnésia de curto prazo. Uma vez que ela jamais se lembrará de o conhecer, Henry vai tentar conquistá-la todos os dias, na esperança de que ela acabe por se recordar de si.

A Minha Namorada Tem Amnésia é uma comédia simples, com alguns gags divertidos, enquadrados por personagens caricatas: um bodybuilder sexualmente frustrado, uma mulher que se confunde com um homem e Ula, um havaino barrigudo e indolente (Schneider).

domingo, 28 de novembro de 2004

Monty Python - E Agora, Algo Completamente Diferente! (Filme, 1971)

Apreciação final: 7/10

Os Monty Python foram a mais franca evidência de que a demência anda de mãos dadas com o génio. Durante anos, a famosa série televisiva Monty Python's Flying Circus cativou gerações de públicos diferentes, de todas as faixas etárias, raças, religiões ou sexos. Os Monty Python personificavam um supremo exercício de humor excêntrico, deliciosamente libertino e sem limites à invenção que marcou uma época na televisão, primeiro, no cinema, depois. Este registo em DVD, lançado recentemente no mercado nacional, é uma recolha dos momentos mais especiais dos dois primeiros tomos da série Flying Circus, gravados em 1971, e onde podemos ver no seu melhor os consagrados John Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Terry Jones e Michael Palin.

Do versátil rol de sketches fazem parte excertos tão lunáticos quanto as aulas de auto-defesa contra ataques com peças de fruta, o bando de velhotas delinquentes, a delirante expedição ao Kilimanjaro, um papagaio morto, o sádico tocador de órgão de ratos, o escritor de anedotas que morre com a sua melhor criação (que há-de servir como arma na Segunda Guerra Mundial!), os carros assassinos que pretendem "limpar" a cidade de Londres dos peões, o garfo sujo no restaurante de luxo que leva à loucura o seu staff, o ladrão de bancos que assalta uma loja de lingerie, o enfadonho contabilista que quer ser domador de leões, o programa de T.V. que chantageia os espectadores a troco da não revelação de factos comprometedores da sua vida pessoal, a indescritível competição desportiva de eleição do idiota do ano, entre outros, sempre apimentados por originais momentos animados de arte pop, uma das imagens de marca dos Monty Python.

O desfile de talento do quinteto de cómicos britânicos é imparável, o entretenimento está assegurado. Vale sempre a pena recordar os Monty Python, os reis do nonsense. E agora, algo completamente diferente...

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Monstro (Filme, 2003)

Apreciação final: 7/10

Baseado na biografia dramática da prostituta Aileen Wuornos, uma das primeiras mulheres serial killers dos EUA, este Monstro é uma fita intensa, uma meditação aguda sobre os abusos físicos, a violência, o sofrimento. É também, em jeito subliminar, um toque ao reunir de consciências sobre a legitimidade da pena de morte.

O argumento invade a mente da homicida, conta-nos a sua história na primeira pessoa e, sem aligeirar culpas pelos delitos, exibe a desumanização na génese de uma assassina cruel.

Aileen Wuornos teve uma infância marcada pelos abusos e pela droga. Começou a prostituir-se aos treze anos. O enredo do filme centra-se no período de nove meses em que Aileen manteve uma relação lésbica com uma jovem.

A interpretação de Charlize Theron é do melhor que se viu na história da sétima arte (Óscar justíssimo!), bem secundada por Christina Ricci. A realização é de bom nível, suportada por um argumento hábil.

Monstro é uma reflexão sobre a frágil natureza da humanidade. E essa debilidade, mostrada aqui com uma aparente desfaçatez, deixa-nos atordoados. O mundo real, às vezes, é assim...

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Scarface - A Força do Poder (Filme, 1983)

Apreciação final: 5/10

Realizado por Brian de Palma em 1983, Scarface relata a ascensão do emigrante cubano Tony Montana (Al Pacino) no submundo do crime de Miami. À medida que o negócio da droga cresce, as inimizades, as megalomanias e as inseguranças do gangster começam a minar fatalmente o seu império.

A nota mais convincente deste filme é a interpretação de Al Pacino, irrepreensível como sempre, apoiado por Steven Bauer, posteriormente esquecido em filmes de série-B. O enredo é equilibrado, as interpretações secundárias são razoáveis e a realização é mediana - não é seguramente o melhor filme de Brian de Palma. Uma referência bastante negativa para a banda sonora, de muito mau gosto e perfeitamente desajustada do filme.

Creio que este filme tem sido sobre-avaliado e não fosse o desempenho de Al Pacino e o produto final seria pouco mais do que medíocre. Ainda assim, um filme recomendável para os cinéfilos que apreciam histórias de gangs de droga e a envolvente do mundo do crime.

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Misteriosa Obsessão (Filme, 2004)

Apreciação final: 2/10

Telly Parretta (Julianne Moore) é uma mãe angustiada e profundamente deprimida, em terapia psiquiátrica para superar a perda do seu filho de oito anos, vítima de um acidente de aviação. Quando o marido, Jim Paretta (Anthony Edwards), e o psiquiatra, Jack Munce (Gary Sinise) lhe confidenciam que o filho Sam nunca existiu e que as suas memórias são apenas uma construção da sua mente, Telly sente-se traída. Pelo meio, conhece Ash (Dominic West), pai de uma outra criança desaparecida, com uma história semelhante à de Telly. Os dois partem numa desenfreada missão de busca da verdade, da sua identidade e, acima de tudo, da sanidade que acreditam não ter perdido.

A narrativa revela algum dinamismo, as interpretações são razoáveis, mas o desenlace do filme é ainda mais patético do que o título.

Uma perda de tempo.

Tróia (Filme, 2004)

Apreciação final: 5/10

Recentemente editado em DVD, Tróia é uma adaptação da história épica da Guerra de Tróia, descrita por Homero na Ilíada. O ano é 1193 A.C.. O príncipe troiano Páris (Orlando Bloom) mantém um relação secreta com Helena (Diane Kruger), rainha de Esparta, casada com Menelaus (Brendan Gleeson). A descoberta da afronta adúltera à civilização grega conduz ao conflito, os gregos invadem a cidade troiana. Aquiles (Brad Pitt), o maior e mais sangrento guerreiro, era o herói dos gregos. Heitor (Eric Bana), o filho de Príamo (rei de Tróia) e irmão de Páris, era o símbolo da pertinácia troiana contra a invasão grega.

A sumptuosidade da história merecia um filme melhor, uma obra mais imponente, capaz de render à obra de Homero a homenagem mais ajustada. O argumento deste Tróia é um embuste, desfaz a beleza ímpar do relato de Homero. A maior falha: a quase-preterição dos Deuses. Como pode isso fazer-se num filme sobre a Grécia Antiga? A vida dos gregos (dos troianos também) gravita, na obra de Homero, em torno da determinante influência dos Deuses, da venerada adoração dos crentes pelos entes divinos. Com esta omissão perdeu-se o elemento poético da história, o ingrediente supremo da grandiosidade da obra. Como se não bastasse, são numerosas as imprecisões e os desvios em relação ao texto original, quase sempre para pior.

A realização do alemão Wolfgang Petersen é insipiente, incapaz de "agarrar" as cenas mais importantes do filme e delas criar momentos intensos. O desembarque dos gregos, com a sua gigantesca armada, as próprias sequências da batalha, são reduzidas a pequenas perspectivas, a ângulos desajustados, corrompe-se a magia que se impunha. A fita acaba por ser uma oportunidade perdida para o realizador alemão. É certo que nem tudo é mau, Bana tem um bom desempenho, Pitt também, mas isso não chega para fazer deste filme aquilo que ele deveria ter sido.

A expectativa era grande, a desilusão é bem maior. Fica por fazer "o" filme sobre a Guerra de Tróia. O génio de Homero deve estar a revirar-se no túmulo.

Homicídios Ocultos (Filme, 2004)

Apreciação final: 4/10

A recém-promovida detective Jessica Sheppard (Ashley Judd) descobre-se no centro da sua própria investigação, no primeiro caso de homícidio. A vida errática e promíscua da detective, o sexo ocasional e o álcool, contribuem para as frequentes perdas de consciência de Jessica. As inquietações multiplicam-se à medida que a vida pessoal da agente se mistura com os crimes investigados, quando se descobre que as vítimas foram antigos amantes da detective. A proximidade de John Mills (Samuel L. Jackson), o mentor de Jessica, e Mike DelMarco (Andy Garcia), o seu parceiro policial, vai desempenhar um papel crucial no desfecho do enredo.

O filme não traz nada de novo, recolhe ideias de outros projectos do mesmo género e embrulha-as numa amálgama sem nexo. O resultado é um produto vão, previsível, sem fruição para o espectador. Chamar-lhe thriller policial é conferir um rótulo que Twisted - Homícidos Ocultos não merece. Nem Samuel L. Jackson ou Andy Garcia salvam este filme frouxo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

21 Gramas (Filme, 2003)

Apreciação final: 8/10

Este filme retrata a história de três pessoas: o matemático Paul Rivers (Sean Penn), casado com Christina Peck (Charlotte Gainsbourg), uma emigrante inglesa, uma mulher de classe média alta (Naomi Watts), casada e com duas filhas e Jack Jordan (Benicio del Toro), um ex-presidiário que encontrou no Cristianismo e na fé a força para construir a sua família.

Um acidente de viação vai cruzar os destinos destas pessoas. O filme é um ensaio sobre os afectos, a fé, a coragem, o desejo, o sentimento de culpa, a fragilidade da vida e o irreversível cunho de cada momento no curso da existência.

O filme é psicologicamente denso, a realização de Alejandro González Iñarritu (Amor Cão) é sublime, os desempenhos de Sean Penn, Del Toro (nomeado para o Óscar de Desempenho Secundário) e Naomi Watts (nomeada para o Óscar de Melgor Actriz) roçam o brilhantismo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Colateral (Filme, 2004)

Apreciação final: 6/10

Tom Cruise no primeiro papel de vilão da sua carreira. Se outros motivos de interesse não existissem, este, por si só, seria bastante para suscitar curiosidade. Cruise não desilude, também não deslumbra, mas o filme é mais do que isso. A personagem principal, o assassino profissional Vincent, é um homem insensível, contratado para eliminar as cinco testemunhas chave de um processo judicial contra um cartel da droga. Vincent contrata os serviços do taxista Max (Jamie Foxx), a sua viatura é o meio de transporte entre os locais de crime. Com a sucessão de acontecimentos, a sobrevivência de ambos depende da sua união.

A recreação está garantida, a acção decorre numa sequência harmoniosa que traduz no espectador a ilusão de personificar um desesperado refém do encarniçado Vincent. Excelente trabalho de realização de Michael Mann e boas interpretações de Cruise e Foxx.

Gothika (Filme, 2003)

Apreciação final: 5/10

Uma psiquiatra desperta como paciente no asilo prisional em que trabalha, sem recordação de um horrendo crime que lhe é imputado. Enquanto tenta recuperar a memória e provar a sua inocência, é manipulada por uma entidade sobrenatural à procura de uma vingança. Este é o mote do filme Gothika, que conta com a oscarizada Halle Berry no papel principal.

O argumento poderia ser interessante, a intriga poderia funcionar, não fosse dar-se o caso do final ser demasiado previsível, plagiando outros filmes do género e defraudando as expectativas criadas no espectador. Uma nota para a presença de Penélope Cruz - a primeira cena do filme é o seu momento mais alto - e uma razoável prestação de Halle Berry.

Os medos e a crença no sobrenatural continuam a ser largamente explorados em Hollywood mas, as mais das vezes, e neste Gothika também, o produto resulta meão, não traz nada de novo e, por isso mesmo, pode revelar-se uma cabal perda de tempo.

terça-feira, 19 de outubro de 2004

O Mundo A Seus Pés - Citizen Kane (Filme, 1941)

Apreciação final: 9/10

Considerado por muitos como a suprema película da história do cinema, este filme do controverso Orson Welles, retrata a história mágica de um magnata apaixonado pelo jornalismo, em busca do amor genuíno. Trazida à ribalta em 1941, a fita mereceu 9 nomeações da Academia de Hollywood, sendo apenas agraciada com uma estatueta, a de Melhor Argumento Original.

À procura do significado da última palavra do milionário Kane, um repórter remexe o passado do excêntrico homem, consultando aqueles que melhor o conheciam. Os relatos de cada um são pedaços de um puzzle feito de memórias, flashbacks que destapam a vida de Kane, sem decifrar o enigma original. A densidade psicológica da história, em torno da impressão carismática de Charles Foster Kane, é uma constante, impelindo o espectador a comprometer-se no enredo, sentindo-se parte de uma enternecedora narração, um fiel ensaio sobre o amor e a solidão.

Com este filme, Orson Welles ousou quebrar as regras do cinema, introduzindo a descontinuidade temporal da narrativa. Citizen Kane merece ser elevado ao altar das obras supremas do cinema. A prodigiosa extravagância na montagem da película, no desenvolvimento da história, na estruturação das personagens, na cenografia e no guião conferem a este filme um estatuto ímpar na história da sétima arte.

A Vila (Filme, 2004)

Apreciação final: 5/10

Uma pequena comunidade rústica do século XIX, cercada por bosques guardados por criaturas assombrosas, é o mote para o novo filme de M. Night Shyamalan. A apimentar o suspense, o incomum compromisso dos camponeses de não entrar nas terras da floresta, votando-se a si mesmos a um isolamento voluntário. Quando Lucius Hunt (Joaquin Phoenix), um jovem temerário da aldeia, decide quebrar essa regra, em busca de medicamentos, o antigo pacto é adulterado, pondo em risco o porvir da pitoresca comunidade. E à medida que os factos se precipitam, verdades ignoradas são reveladas...

Shyamalan tornou-se instantaneamente um realizador de culto, graças à originalidade dos seus argumentos e aos inopinados finais dos seus filmes. Foi assim que com O Sexto Sentido (1999) - hoje reconhecido como uma obra-prima do suspense e o seu melhor filme - firmou o seu cunho no cinema. A esse, seguiram-se O Protegido (2002), assente num enredo inteligente, e Sinais (2002), uma incursão ao fantasioso tema da vida alienígena. Em A Vila, o argumento é bem ideado e encadeado, sendo-lhe somada com perícia uma sensação de temor que captura o espectador. A dinâmica do filme é hábil, traçando uma insistente linha de sobressalto que permanece até perto do fim da película. Todavia, as expectativas são goradas por um final não tão inesperado e, mais do que isso, perfeitamente inverosímil. Se nos filmes anteriores de Shyamalan, ao discernimento de uma boa história se juntava uma dose astuta de realismo, em A Vila tal não sucede. O termo do filme, afinal uma das facetas mais consistentes da curta carreira do realizador/produtor/argumentista, é uma desilusão. O espectador é aliciado, puxado para um clímax que não sobrevem: a decepção medra.

Ainda assim, uma anotação de destaque para a exímia interpretação de Bryce Dallas Howard (Ivy Walker) e para o ameno tresvario da personagem de Adrien Brody (Noah Percy), sem esquecer os consagrados William Hurt (Edward Walker), Joaquin Phoenix (Lucius Hunt) e Sigourney Weaver (Alice Hunt). Os cenários são completos e minuciosos mas a fotografia poderia ser melhorada.