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sábado, 3 de março de 2007

Explosions in the Sky - All of a Sudden I Miss Everyone

6/10
Temporary Residence
2007
www.explosionsinthesky.com



Apesar da suposta liberdade conceptual adstricta à noção primeira de pós-rock, a verdade é que o género se deixou envolver por alguma inércia criativa, muito por culpa da banalização (e posterior cristalização) dos princípios que estiveram na base da sua afirmação. O último registo dos Explosions in the Sky, um dos mais estimados representantes do género, vem revalidar essa hipótese. Embora optando por uma estética mais simples e, consequentemente, menos contígua do paradigma habitual, não há nada em All of a Sudden I Miss Everyone que os texanos não tenham experimentado antes. Distorções (menos frequentes), alternâncias de tempo, arritmias, guitarra, baixo e bateria continuam a ser as matérias do código sonoro dos Explosions in the Sky, sujeitas à formatação do costume. Sem sequer contemplar o esboço de um rasgo desviante desse trilho, o disco torna-se, necessariamente, formulista e previsível e daí derivam duas ilações. Os seguidores indefectíveis da banda, não verão sombra de pecadilho no decalque de ideias e render-se-ão incondicionalmente; os adeptos da reciclagem de conceitos, provavelmente darão uma chance ao disco mas vão deixá-lo cair rapidamente.

domingo, 23 de outubro de 2005

Explosions in the Sky - How Strange, Innocence

Apreciação final: 6/10
Edição: Temporary Residence, Outubro 2005
Género: Pós-Rock/Experimental
Sítio Oficial: www.explosionsinthesky.com








São texanos de gema e servem-se dos instrumentos para insinuar estados emocionais, em maneiras semelhantes às dos escoceses Mogwai ou dos canadianos Godspeed You Black Emperor!. Chamam-se Explosions in the Sky. As gravações contidas neste How Strange, Innocence foram produzidas um ano antes do primeiro disco do colectivo americano (Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever, lançado em 2001) e não tinham ainda conhecido lançamento oficial. Escutar estas composições é ter o privilégio de olhar uma ecografia do embrião dos Explosions in the Sky e de perceber o que eles eram antes do reconhecimento conquistado nas esferas alternativas nos últimos dois anos. A orgânica em crescendo era já um denominador comum há cinco anos, as percussões em rupturas casuais e as linhas intrincadas do baixo já sustinham o discurso directo, espacial e hipnótico da guitarra. How Strange, Innocence é o fulcro essencial, a raíz primeira e o dogma maior dos Explosions in the Sky. Pode não ser excepcional, até se exprime numa linguagem um pouco redundante e/ou previsível, mas certifica o sentido de rumo e a amplitude técnica das interacções instrumentais que edições posteriores do quarteto texano viriam a enfatizar. Não sendo uma edição indispensável, How Strange, Innocence destina-se especialmente a fãs do grupo ou a melómanos curiosos.

How Strange, Innocence põe à vista os primeiros passos dos Explosions in the Sky nos campos silvestres do pós-rock. Dessas primitivas pegadas cambaleantes, com o mesmo embaraço inocente de um bebé que desperta para as suas funções mecânicas, haveria de crescer uma banda com uma assinatura inviolável e cuja marcha se faria firme. Com esta edição, o tempo faz marcha-atrás, mostra-nos as feições sonoras de uma novel criatura e torna-nos testemunhas do génesis dos Explosions in the Sky. Apetece descodificar estas eufonias como quem recorda, com fascínio, a primeira palavra no tartamudear de um recém-nascido. Enquanto não vem um novo disco, limpe-se o pó aos retratos do álbum de recordações. Porque o tempo, às vezes, volta atrás.