
Apreciação final: 8/10
Edição: Secretly Canadian, Maio 2006
Género: Folk-Rock Alternativo
Sítio Oficial: www.danielson.info
Edição: Secretly Canadian, Maio 2006
Género: Folk-Rock Alternativo
Sítio Oficial: www.danielson.info
Daniel Smith pode parecer um desconhecido mas já há cerca de uma década que é o mentor de uma das mais interessantes empreitas da música alternativa americana e é muito justamente considerado um dos precursores de uma corrente musical que, nos tempos mais recentes, atingiu o topo da notoriedade com Sufjan Stevens ou os Deerhoof. Compositor prolífico, Smith tem mantido um fluxo de actividade assinalável, seja nos Danielson Famile, ensemble que divide com a família, a solo, ou na encarnação rock a que chamou Danielsonship Orchestra. Pois bem, corridos estes dez anos, a mais recente aventura do franchise Danielson é um evento singular. Mais actual do que nunca, Ships traz aquele tipo de folk-rock subversiva e insensata que a comunidade indie reclama. O tempo deu razão a Daniel Smith. Illinoise (de Sufjan Stevens) estourou no ano transacto e Ships tem tudo para lhe seguir a peugada. Melodias muito bem construídas, riqueza instrumental sem perder a sobriedade, arranjos afinados, uma voz voluntária (em falsete tocante), a dose certa de excentricidade, o balanço justo entre a harmonia e o desconcerto são as substâncias. A ajudar à festa uma verdadeira tribo (cerca de uma vintena de músicos) de talento: o próprio Sufjan Stevens, Greg Saunier, Satomi Matsuzaki e John Dieterich (todos dos Deerhoof), Ted Velykis (Ladytron), Josiah Wolf e Yoni Wolf (dos Why?), alguns membros dos Serena Maneesh, entre outros.
Ships vem engrossar o rol de discos indispensáveis da moderna música alternativa americana. Mais do que uma mera reunião de mentes competentes, o disco é a ablução dos atributos da música de Smith, livrando-a das minúsculas impurezas de outros trabalhos e, mais do que isso, fomentando a convergência das ideias mirabolantes do músico em prol de um objectivo maior. O espalhafato reduz-se assim a um caos saudável, organizado até onde o pode ser sem deixar de ser caos. O resultado é um colosso de sensibilidade e grandeza musical, com a pompa e euforia merecidas por estas composições e que, a despeito da interferência de muitas cabeças (e sentenças), soa coeso e harmónico. Sem ortodoxia, concessões ou conservadorismo. Nada tem a pronúncia de Ships. Sem meio termo, como sempre sucede com as coisas marcantes, isso é um pau de dois bicos: ou se venera ou se abomina este álbum. Mas não é já tempo de aceitar as paixões de Daniel Smith?